Veterano Fridolino Irineu Kretzer

Naturalidade: Localidade de Rio Morto (bem no acesso principal junto à Rodovia BR 470) Indaial – SC.

Data de Nascimento: 28 de Junho de 1922

E-mail: danidoubrawa@hotmail.com

Pais: Norberto Kretzer e Ottilia Kretzer

Irmãos: Vendolino, Elza (única viva), Arnoldo e Elfrieda.

Estado civil: Viúvo de Gertrudes Kretzer

Filhos: Errol, José Norberto, Ivo, Rubens, Sérgio Luiz e Giovana

Obs.: Todos os homens serviram no Exército Brasileiro.

Netos: 13 e bisnetos 6.

“Se me perguntarem o que eu fiz na guerra, direi que me deram uma função até perigosa, ou seja, de “estafeta” que nada mais era de correr pra lá e pra cá, a fim de selecionar, levar ou buscar todo tipo de documentos ou correspondências entre Quartéis Generais dos aliados no norte de Itália. Me deram um Jeep Willys, uma pistola e um motorista ajudante, ocasiões muitas em que revezávamos no volante. O comando sempre nos alertava que se bobeássemos, a gente, além de ficar sem a cabeça por ser cortada pelos arames que os inimigos, tanto fascistas ou nazistas armavam cruzados nas estradas e também tirariam nossa farda para usá-las nas sabotagens. O outro perigo eram as minas que poderiam estar espalhadas pelos caminhos.  Havia outros riscos como em cada curva poderia vir uma bala pois nos avistávamos com facilidade. Outro problema era o frio do qual a gente nunca sentiu coisa assim. Numa missão, fui até ao Quartel do 8° Exército inglês  e lá pernoitei. E ao amanhecer, o céu escureceu de tantos aviões do tipo Superfortress Boeing B-17, uns trezentos por ai que passaram baixinho sobre esse acampamento, ocasião em que mostrei ao meu ajudante as bombas aparecendo nas baias dos ditos. O que mordia nosso coração era ver a miséria e a fome que os italianos passavam. No dia da rendição, me impressionava  ver alguns dos prisioneiros tristes pois diziam que não sabiam mais de seus parentes e que nós brasileiros tínhamos sorte de poder voltar para casa. Outros estavam felizes e até diziam que foi melhor se render aos Pracinhas pois já sabíamos que eram gente bondosa e não os judiariam. Fato marcante comigo aconteceu no dia da rendição, pois servi de intérprete ao Comando Brasileiro para dar a versão do General Otto Fretter-Pico, da 148ª Divisão de Infantaria alemã. O tal era carrancudo e de poucas palavras. Para mim a guerra jamais deveria existir pois a brutalidade e a desgraça que presenciei, em todos os sentidos, só sente quem nessa participou. Tenho 6 filhos, dentre eles uma moça. Os moços, me orgulho disso, todos serviram o Exército Brasileiro.“Que a juventude brasileira proclame sempre a Paz. Por fim, desejo que nunca alguém se atreva em apagar a memória dos Heróis da FEB nesse país pois nós não merecemos isso”.

“Minha função na guerra era de organizar, levar e buscar correspondências por toda região norte da Itália, incluindo Quartéis Militares ingleses. Terminado conflito, assisti  naquele dia  a rendição nazista e  pude até ouvir as vozes do nosso General Olympio Falconière da Cunha bem como do Comandante alemão Otto Freter Pico por eu estar a uns dois metros deles. Alguma coisa servi como intérprete naquele momento”.  

O Pai, na visão de seu filho: Ivo Kretzer

Meu pai, já alcançando em Junho agora seus 90 anos, exerce em casa o expediente de Vice-Presidente da Associação da FEB daqui da região de Jaraguá do Sul. Tem grande dificuldade para se locomover sozinho. No pós- guerra, retornou ao serviço de Tecelão, numa empresa em sua terra natal (Indaial-SC)no que mais tarde passou a Gerente de Departamento. Trabalhou nessa empresa por 42 anos (foi seu único emprego). Ajudou na instalação do Monumento da FEB em Indaial. Depois que parou de trabalhar, viveu alguns tempos em Indaial e depois veio à Jaraguá do Sul, no início de 1980 e ajudou na estrutura da instalação do Monumento da FEB, bem como na questão do próprio Museu do Expedicionário que atualmente encontra-se transferido para outro local com título de Museu da Paz. O papel dele, eu como Secretário Executivo assim o represento na prática. Voltou da guerra sem nenhuma seqüela. Recebeu com muito sacrifício o benefício da Pensão pelo inícios dos anos 70.  Dos 98 Expedicionários que por essa região de Jaraguá do Sul e proximidades se instalaram desde os anos 40, temos somente seis vivos e com alto grau de dificuldade de se locomover. Dos seis, apenas três marcam presença nas solenidades. Nos desfiles cívicos vejo que eles quase não irão mais por precaução da saúde. Mas nossa Associação está bastante ativa.

Digo-vos que pessoas como vocês do Portal FEB, enriquecem e enobrecem os pesquisadores pois retratas com carinho e autenticidade principalmente os fatos vividos daqueles Heróis, que de corpo e alma deixaram seus lares para defender nossa nação que se encontrava em risco diante de um idealismo na Europa e que poderia avançar nossa terra e sucumbir-nos com as hostilidades que testemunhos viram durante o conflito editado pelo adoentado psíquico Hitler. Meu pai, Fridolino Irineu Kretzer (90 anos), Veterano da FEB, viu principalmente a tragédia emocional vivida pelo povo italiano, ante a miséria em conseqüência do conflito (…) Temos um majestoso Museu da FEB, acrescido um pouco de histórias de outras guerras, há uma Associação de Veteranos da FEB, com ainda 6 Heróis vivendo em nosso meio e estamos ativos nas solenidades com participação efetiva de amigos e associados, com um excelente apoio da Fundação Cultural de Jaraguá do Sul, nossa mantenedora.

Aqui, estamos levando avante a história perpétua que foi implantada em 1976. Temos uma diretoria constituída para dirigir a Seção Regional da FEB, núcleo este articulado aos demais poucos ainda existentes. (…) Uma coisa que causa sentimento amargo é estar contribuindo para a grandeza da cultura e nem ser lembrado, ou estar explorado pelo feito. Somos seres emocionais e sentimo-nos felizes por sermos lembrados pelos exercícios de nossos feitos, como foram nossos Heróis. Mas, o tempo dá a resposta merecida a cada um que contribui. O próprio ditado cita: “Conspira contra a sua própria grandeza o povo que não cultiva os seus feitos heróicos”. Essa frase eu editei: “As vezes as amarguras deixadas pelos ditadores acabam até sendo reverenciadas enquanto os benfeitores ficam no esquecimentio”. Sem alongas, lhe felicito pelo vosso trabalho digno de admiração. De quem acaba de lhe conhecer, receba as saudações Febianas…”.

 

Colaborador: Ivo Kretzer

 ivokretzer13@gmail.com


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13 comentários

  1. Sgt Daniel /

    Parabéns por fortalecer cada vez mais a história de nossa Força Armada. Infelizmente com o passar do tempo, alguns conceitos foram reduzidos ou simplesmente perdidos, mas sabemos que as Forças Armadas mantém seu nome e ainda é admirada e respeitada por muitos países que foram aliados durante a Guerra. Brasil Acima de tudo!!!

  2. aqui o nosso canal da F.E.B vejam todos os filmes de graca
    http://pt-br.justin.tv/shamballah2012/videos
    a cada 4 dias os filmes sao cancelados tenho que editar a cada 4 dias obrigado ate mais

  3. Muito obrigado pela matéria, uma relíquia.

  4. Roberto Freire Monte Santo /

    Orgulho, esse é o sentimento por esses fantasticos compatriotas.

  5. Indaial fica a poucos kilometros de minha cidade, Gaspar, talvez 30 kilometros, não sei direito.

  6. Edson Frick Lau /

    Tenho um tio do meu pai que participou da guerra na Itália, se não me falha a memória ele tem 88 anos e mora na cidade de Ibirubá/RS. Tio João Maria.

  7. isalete leal /

    É um previlégio ler mais um artigo sobre um veterano da Segunda Guerra Mundial. É nosso dever conhecer e valorizar os nossos HEROIS. Obrigada ao Veterano Fridolino por particpar do portal com seu depoimento.E ao portal agradeço por fazer parte dessa história.
    Isalete Leal (filha do veterano Francisco Conceição Leal)

  8. Parabéns Ivo! Muito emocionante essa reportagem. Que Deus guarde seu pai num lugar de muita paz e conforto.

  9. eu admiro muito a honra de todos os soldados,gosto muito de coisas relacionadas as guerras,tal quais, que mudaram o rumo do mundo tanto socialmente como economicamente. agradeço a todos os soldados por ter a honra e a coragem de batalhar pelo pais,não só brasileiro mais de destinas partes do mundo também.
    parabéns soldados!!!

  10. ELIA GIOVANELLA /

    Saudades de meu querido pai “expedicionário Vitório Giovanella.
    O nome dele já diz tudo “VITÓRIA”

  11. victorio giovanella /

    MEU PAI VICTORIO GIOVANELLA, ESQUECIDO POR TODOS.

  12. Ingo da Silva /

    Conheci muito o sr. Fridolino Kretzer, aliás, ele, esposa e seus filhos, vizinho de meus(já falecidos)avós. Parabéns ao Ivo por manter viva a História de nossos Heróis que, na época as dificuldades dos soldados eram enormes comparando aos dias atuais, eu que passei pelo Exército imagino o tamanho do sofrimento daqueles tempos.

  13. Rubens Kretzer /

    Muitas saudades do nosso querido papai Fridolino. Homem de muita bondade, herói da paz que conviveu no horror de uma guerra, juntamente com tantos outros amigos que passaram por tantos sofrimentos, presenciando as tristes atrocidades e tragedias causadas por essa coisa que foi chamada de Segunda Guerra Mundial.
    Que todos os que partiram desta vida por causa das guerras, estejam na Glória do céu com Nosso Senhor Jesus Cristo.

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