Veterano Dalvaro Jose de Oliveira

O veterano Dalvaro José de Oliveira , herói da FEB, foi presidente da ANVFEB-Rio de Janeiro no período de 2010 a janeiro 2012.

No dia 1º de novembro de 1939 a Alemanha de Adolpho Hitler, invade a Polônia. Era o começo da 2ª Guerra Mundial, onde a partir de 24 de junho de 1942, fui convocado para mais uma vez servir as fileiras do Exercito Brasileiro em 1937 eu servi no 1º G.A. em Campinho Distrito Federal.

Setenta e quatro anos são passados, o nosso sistema nervoso se agita à proporção que vão acontecendo as comemorações dos feitos de todas as armas, de todas as Unidades e Sub- Unidades, e não poderíamos esquecer os feitos da nossa Bateria Comando da A.D.1/E, que com seus homens deram um pouco de sacrifício, por um mundo melhor, onde os direitos de cada nação, devem ser respeitados e extintos a Supremacia odiosa de certas raças.

Pensamos, e voltamos ao passado, retornamos aos anos de 1942 e 1945, época da história de nossa Bateria Comando.

Não havia uma citação em qualquer livro a nossa missão. Porém , agora isto já é capaz e esta lacuna será preenchida por nós que fomos integrantes e testemunhas destes feitos, apesar dos revezes sofridos, sempre tivemos o apoio as demais armas e Unidades da Divisão Expedicionária , no cumprimento das missões exigidas pelo desenvolvimento da luta cotidiana da guerra.

Falar da Bateria Comando é falar do Quartel General da Artilharia Divisionária da Primeira Expedicionária, que tinha como chefe o nosso estimado, naquela época, o General de Brigada e hoje Marechal Oswaldo Cordeiro de Farias, que muito sentimos a sua falta, porem sempre nos orgulhamos de ter sido seus comandados.

Apesar de nossas missões serem mais de comunicações, pois tudo que as tropas Brasileiras ou Aliadas precisavam, ali estavam os comandados do Capitão Saraiva, a realizar, tanto na parte rádio como na parte de telefonia ou na de técnica de tiro.

Cito os nomes daqueles incansáveis e nunca esquecidos soldados das comunicações e especialistas da Artilharia da Força Expedicionária Brasileira.

  • DALVARO
  • DOMINGOS
  • FERREIRA
  • PIRES

Palavras de incentivo de um Artilheiro, Comandante e chefe da Força Expedicionária Brasileira, conforme o boletim interno da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária publicou em 12 de janeiro de 1945, quando ainda amargávamos os insucessos dos ataques a Monte Castelo, aos Artilheiros da FEB, que foi uma grande lição para ação vitoriosa que iria começar poucos dias depois.

“A nossa brava Artilharia, a qualquer hora do dia, ou da noite, está vigilante para cumprir o seu dever.”

Palpitam em seus homens o mesmo coração Brasileiro dos irmãos de armas, os heróicos infantes, por isso sabem compreender os seus anseios, e, na lama ou na neve, no sol ou na chuva, em situações calmas ou ativas, estão sempre, olhos no telêmetro e mão no gatilho, atentos ao comando de “FOGO”, para levar, com precisão e rapidez, a destruição e o terror às linhas Alemãs, vingando as mortes que tão traiçoeiramente fizeram no litoral de nossas costas. A tempera de aço iguala-se à rapidez dos nervos, a vontade férrea ao destemor sem par de Artilheiro.

O  troar dos canhões de nossa Artilharia Divisionária entoa, nos campos da Europa , um hino de glorias a Mallet – o impoluto patrono – e no leque de suas trajetórias, sibilam as granadas o estribilho que faz temer o inimigo, que conhece e respeita o valor do Artilheiro do Brasil.

Confio em vós pelo passado que tendes, e unidos, como até agora, em torno deste chefe impar, figura impávida de soldado, competente e leal – o General Cordeiro de Farias – conquistareis novas glorias, imortalizando-vos para o futuro.

Artilheiros da 1ª DIE, cada tiro certeiro de vossas bocas de fogo, é uma colaboração eficiente para apressar a vitória, essa vitória ansiada por aqueles entes queridos que na pátria distantes, oram por vós e sabem que o Auri-Verde pendão que hoje vos guia e abençoa, retornará imaculado, conduzido pelas mãos dos valentes soldados da Força Expedicionária Brasileira.

Avante, pois Artilharia invicta.

Ass: “General João Baptista Mascarenhas de Moraes”.

Era junho de 1942, por circunstância da guerra entre a Alemanha, Itália e Japão contra os paises aliados, que começou no ano de 1939, alguns destes que aqui vieram servir a Bateria Comando da A.D.1/E, eram convocados para reintegrarem as fileiras do Exercito Brasileiro, pois quase todos, eram reservistas de primeira categoria oriundos do corpo de tropa, ou de segunda categoria, vindos dos tiros de guerra.

Aqui começa a nossa história, missão e contato com a guerra, depois da apresentação no Quartel General do Exercito, ficamos alojados no quartel do 1º grupo de Obuzes, na estação de São Cristóvão, onde existe hoje o nome do estádio ali existente de um dos náufragos desaparecidos durante o torpedeamento do vapor “Itagiba” o Tenente “Alípio de Andrada Serpa”.

Aqui neste quartel tomamos o nome de integrantes do 7º Grupo de Artilharia de Dorso, e com destino a sede deste, na cidade de Olinda no estado de Pernambuco.

No dia 13 de agosto de 1942, as 13:00, partia do armazém 13 do cais do porto da cidade do Rio de Janeiro, a nossa Bateria, passamos por Vitória, cidade do Espírito Santo, no dia 14 e 15, zarpamos com destino a Salvador, Bahia, porém no dia 17 de agosto, o navio “Itagiba”, que nos conduzia, foi alvo dos torpedos de um submarino Alemão, precisamente as 10:00 horas e 45 minutos, depois de muito vagarmos, as 14:00 horas, veio em nosso socorro o vapor “Arara”, que nesta hora foi posto a pique pelo mesmo submarino, mas graças ao destino que nos estava reservado, apareceu um navio de madeira, o “Aragipe”, que transportava cacau, sua tripulação nos recolheu, nos salvando e nos levou para a cidade de Valencia, no interior da Bahia através do rio Una, fomos alojados na prefeitura desta cidade, rodeados pelo carinho deste povo tão hospitaleiro. No dia 20 partimos desta cidade, a bordo do vapor “Porto Seguro”, e na foz do rio Una, éramos transferido para bordo do cruzador “Rio Grande do Sul”, da nossa Marinha de Guerra, que nos conduziu para a cidade de Salvador, onde ficamos aguardando ordens para seguirmos destino.

A 22 de agosto de 1942, por força da provocação dos componentes do “EIXO”, com os torpedeamentos dos navios Mercantes “Aníbal Benévolo”, “Araraquara”, “Baependi”, “Itagiba” e “Arara“, em frente as nossas costas territoriais e em missão de paz, onde transportados na maior tranqüilidade, e até em festa, muitas mulheres, homens, crianças e militares para o norte e nordeste do país, que quase a totalidade desapareceu, e com a revolta da nação Brasileira por este ato indigno do EIXO,  o  nosso Presidente da  República, Sr. Getulio Dornellas Vargas, decretou Estado de Guerra, contra aqueles que nos atacaram e assim redigido pelo nosso Ministro das Relações Exteriores “Ilustríssimo Sr. Embaixador Oswaldo Aranha.

 

“Senhor Ministro”

 

“A orientação pacífica da política Internacional do Brasil, manteve-o até agora afastado do conflito em que se debatem quase todas as nações, inclusive deste hemisfério. Apesar das declarações de solidariedade Americana, votada na Oitava Conferencia de Lima, e na 1ª, 2ª e 3ª reuniões de Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, efetuadas, respectivamente, no Panamá – 1939, em Havana – 1940 e Rio de Janeiro – 1942, não variou o Governo Brasileiro da atitude, embora tenha sido insolitamente agredido o território dos Estados Unidos da América, por forças do Japão, seguindo-se o estado de guerra entre aquela República irmã e o Império agressor a Alemanha e a Itália. Entretanto a declaração XV da 2ª daquelas reuniões, consagrada pelos votos de todos os Estados da América, estabeleceu:

“Que todo ataque ou atentado de um Estado não Americano contra a integridade ou inviolabilidade do território e contra a soberania ou independência de um Estado Americano será considerado como ato de agressão contra os Estados que assinaram esta declaração”.

Conseqüentemente, o atentado contra a integridade do território e a soberania dos Estados Unidos deveria ser considerado como um ato de agressão ao Brasil, determinando a nossa participação no conflito e não a simples declaração de solidariedade com o agredido, seguida algum tempo depois, de interrupção das relações diplomáticas com os estados agressores. Sem consideração para com essa atitude pacífica do Brasil e sob pretexto de que precisava fazer guerra total a grande nação Americana, a Alemanha e a Itália atacou  e afundou, sem aviso, diversas Unidades Navais Mercantes Brasileiras  que faziam viagens de comércio, navegando dentro dos limites do mar continental fixado na Declaração XV do Panamá .

A esses atos de hostilidades, limitamo-nos a opor protestos diplomáticos, tendentes a obter satisfações e justa indenização, reafirmando porém nestes documentos nossos propósitos de manter o estado em paz, maior prova não era possível da tolerância do Brasil e de suas intenções pacíficas.

Ocorre, porém, que agora com flagrante inflação das normas de Direito Internacional e dos mais comezinhos princípios de humanidade, foram atacados nas costas Brasileira, viajando em cabotagem os vapores Baependi e Aníbal Benévolo do Lloyd Brasileiro, patrimônio nacional, o Arara e Araraquara do Lloyd Nacional S.A., e o Itagiba da Cia. Navegação Costeira  que transportavam passageiros, militares, civis e mercadorias para portos do Norte do país.

Não há como negar que a Alemanha e a Itália praticou contra o Brasil atos de guerra, criando uma situação de beligerância que somos forçados a reconhecer na defesa de nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e da América.

Em nome do Governo Brasileiro, peço o senhor Ministro, se digne Vossa Excelência levar esta declaração ao conhecimento do Governo Alemão e Italiano para os devidos fins.

Aproveito a oportunidade, para renovar a vossa Excelência o protesto da minha alta estima.

Ass. Oswaldo Aranha – Ministro das Relações Exteriores do Brasil

 

Em princípio de outubro todos os náufragos foram embarcados para sua sede em Olinda-PE, que por destino, esta Região Militar era comandada pelo General de Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes, que viria ser o nosso Comandante Supremo na Força Expedicionária Brasileira, e hoje o nosso sempre lembrado “MARECHAL MASCARENHAS DE MORAES”,  a quem rendemos um preito em nossos corações.

Em novembro todos os náufragos voltaram ao Rio de Janeiro e transferidos para o 5º grupo Móvel de Artilharia de Costa, sediado em Triagem e após para 8º Grupo Móvel de Artilharia de Costa, o tradicional “8º GMAC”, com sede na Gávea, tudo por ordem do então Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, conforme o boletim da Diretoria de Defesa de Costa de nº 131, de 07 de agosto de 1943.

No 8º GMAC ficamos na 1ª Bateria, onde estava o Capitão Francisco Saraiva Martins, que como nosso Comandante, treinou a seu jeito todos aqueles que ali foram servir.

Como diversos Oficiais, Sargentos, Cabos e Soldados vindos de outras Unidades, começamos os preparativos com diversos deslocamentos com as nossas transmissões, câmaras de tiros e dos canhões 152,4 milímetros VIC-Armstrong, onde pelo mesmo espírito ficamos irmanados para melhor colhermos os frutos dos ensinamentos ali ministrados.

Os náufragos do vapor “Itagiba” que vieram fazer parte da Bateria, foram os seguintes por ordem alfabética: Abílio Pereira Cristiano, Alporandir Souto da Silva, Dalvaro José de Oliveira, Edson Carlos de Lemos, Heitor da Silva Ramos, João Batista, José Pedro Ximenes, José Ferreira, Lourival dos Santos, Orlando de Souza, Pedro Paulo Figueiredo Moreira, Roberval Rodrigues Place e Walter Silero Fiz.

Em setembro houve outra fatalidade, quando a caminho da Barra da Tijuca, na altura do Joá, o trator que conduzia uma guarnição e puxava um canhão, perdeu os freios na descida da avenida Niemeyer e se despencou pelo precipício, a sorte mais uma vez nos ajudou, pois quem dirigia o trator era o náufrago do vapor “Itagiba”, soldado Orlando de Souza e no trator da frente que procurou diminuir a velocidade do trator sem freio, era o soldado Mario Pinto Nogueira e a guarnição era comandada por outro náufrago o 3º sargento José Ferreira, a não ser o susto, todos saíram ilesos, e depois de grande trabalho que durou uma noite inteira, já que pela manhã se conseguia elevar o canhão, que para surpresa geral, quase nada sofreu.

Conforme Mencionou o Boletim nº 50, de 06 de março de 1944, da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, quase a totalidade da 1ª Bateria do 8º GMAC, foi transferida para Bateria Comando da Artilharia da Primeira Expedicionária, e a 10 de março de 1944, conforme boletim nº 58, todo o nosso efetivo passou da sede da Gávea, para o quartel do Núcleo Antiaéreo em Deodoro, tudo publicado na Artilharia Divisionária da Primeira Expedicionária (AD1/E).

Sob o comando do Capitão Saraiva, fomos distribuídos para diversos cursos dentro da própria Bateria e com muitos exercícios e deslocamentos no campo de instrução do Gericinó.

No dia 31 de março de 1944, desfilava pela Av. Rio Branco, no centro da cidade do Rio de Janeiro, sob o aplauso do povo carioca, os pracinhas que iriam para o campo de luta, uns pela ultima vez, pois lá ficaram, apesar de seus restos mortais serem após o término da Guerra, transladados para o Pantheon dos Expedicionários, no Aterro do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro. Logo os QUINTAS-COLUNA, começaram a sabotar a FEB, no meio do povo, com piadas e indignidades, como que a linha de frente da FEB, seria da Praça Mauá a Praça Paris, ou seria mais fácil uma cobra fumar que a Força Expedicionária embarcar. A resposta veio logo com maior entusiasmo, pois os oficiais, sargentos, cabos e soldados, irmanados saíram para cursos no Centro de Instrução e Especialidades, que após curto período, marcaram o final dos treinamentos teóricos e práticos, e começava o entrosamento com as outras Armas e Unidades, com constantes deslocamentos.

No dia 29 de junho de 1944, houve  um  grande deslocamento das Tropas da 1ª D.I.E, e a nossa Bateria Comando com todo o seu efetivo de Guerrra, foi deslocada para o Recreio dos Bandeirantes, dando a impressão que ali seria o nosso embarque, enquanto isso acontecia na manhã do dia 2 de julho de 1944, um domingo, desatracava e comboiado o navio transporte Americano “General Meigs”, que conduzia o 1º escalão da FEB, que chegou em Nápoles, na Itália, no dia 16 do mesmo mês. A nossa Bateria voltou a sede, e então lá, ficamos sabendo o que tinha acontecido. Novamente, diariamente, começamos os nossos exercícios e constantes deslocamentos. Da Itália  vinham as notícias que os nossos companheiros lá estavam, seguiam a sua marcha, e entram em ação no dia 16 de setembro de 1944, com a nossa gloriosa Artilharia dando seu primeiro tiro, e era a primeira vitória, caia Mazzarona em poder de nossas tropas.

A 17 de setembro de 1944, a nossa Bateria de Comando, se deslocou as 15:00 horas de sua sede em Deodoro, para o 1º/2º R.A.Au.R., onde chegamos as 15 horas e 15 minutos do mesmo dia, na localidade de Campinho, subúrbio de Madureira, na cidade  do Rio de Janeiro. As 13:00 horas e 30 minutos do dia 18, deixamos o quartel  1º/2º R.A.Au.R (atual 15º R.C.Mec), pela parte dos fundos e depois de marcharmos pelas ruas Maria Lopes e Padre Manso, chegamos a rua João Vicente, onde entramos pela parte do canto direito na estação ferroviária de Madureira e dali embarcamos em trem de madeira, rumando para o cais do porto do Rio de Janeiro, no armazém nº 10, onde chegamos as 14:00 horas e 15 minutos e embarcamos no navio transporte americano “General W.A.Mann” no qual fomos distribuídos para a manutenção da ordem em bordo. No mesmo dia, recebíamos noticias que nossos irmãos na Itália conquistava “Camaiore”. Depois de permanecer os dias 19, 20 e 21, recebendo outras tropas e parados no porto atracado ao armazém nº 10, no dia 22 de setembro de 1944, desatracou o navio transporte e depois de sinal de barra livre, seus ocupantes fitam a Ilha das Cobras, o Pão de Açúcar e veem de longe o relógio da Central do Brasil que marcava 12:00 horas e 30 minutos, o adeus das fortalezas todas embandeiradas aos irmãos que iriam desagravar os infames e traiçoeiros ataques aos nossos navios e a nossa integridade.

Comboiados pelos Destroiers da nossa Marinha de Guerra, de nomes “Marcílio Dias”, “Mariz e Barros” e “Greenhalg”, o navio transporte “General W.A.Mann” seguia barra afora com destino ainda desconhecido, porem tudo indicava que seria a Itália, calados e pensativos diziam os corações dos pracinhas, até breve  Rio de Janeiro.

Os primeiros dias de viagem apezar de muitos estarem alegres, outros tinham a tristeza por motivo de enjôo, que tomou conta de quase (3/4) três –quarto do nosso Escalão.

No dia 26 de setembro , caia mais um reduto , o Monte Prano, que nos foi comunicado pelo radio de bordo, no dia 27 atravessamos a Linha do Equador, foi aquela gozação, muitos fantasiados e os que já tinham atravessado aquela linha imaginaria, batizavam os calouros desta travessia, foi um dos dias mais alegres para todos a bordo e com muito entusiasmo.

No dia 02 de outubro os Navios Brasileiros que nos comboiavam com as guarnições formadas nos convés e todos embandeirados, faziam as suas despedidas, pois voltariam daquele porto e nos entregariam a outros navios para que nos comboiassem. Os nossos marinheiros, todos de branco, acenavam com seus lenços, despedindo-se de nos e era o ultimo vestígio de nosso amado Brasil simbolizado naquele momento belonaves, enquanto eles gritavam “hurras”, nos lhe desejávamos um feliz regresso. Nos fomos entregues a Frota de Guerra Inglesa e depois de varias horas a navegar, atravessamos o canal de Gilbraltar. Entramos no mar Mediterrâneo , pelo radio soubemos que no dia 06, os nossos companheiros que estavam na Itália, havia tomado “Fornacci.”e no dia 07 , o navio que nos transportava, chegava a cidade de Nápoles, onde atracou as 09:00horas da manhã, logo nos chamou a atenção o vulção Vesúvio, que parecia um grande cachimbo a botar fumaça continuadamente.

No dia 09 , éramos transferidos para o bordo da Lancha de Comabate  e invasão (L.C.I), onde tomamos a de nº528, e seguimos viagem parando em Porto Possolo, já noite e de onde saímos pela madrugada no dia 10, esta viagem foi muito acidentada por causa das trombas d’agua e de grande numero de minas encontradsa, as quais davam muito trabalho para serem desviadas, por perigo de se chocarem contra as barcaças de invasão .

No dia 11, chegamos ao Porto de Livorno que para a alegria de todos acaba o fantasma de andar navegando e sempre com perigo contra toda sorte de acidentes.

Ao chegarmos em Livorno onde as (L.C.I) entraram no porto por entre vários navios afundados e adernados, dando a péssima impressão da guerra, porem ao pisarmos em terras firme sabíamos que ali começariam as nossas missões de guerra. De Livorno fomos transportados em caminhões dirigidos por soldados Americanos, para cidade de Pisa e ao desembarcar ficamos acompanhados na localidade de “Ternuta de São Rossore”, que era o campo de caça do Rei da Itália, ao chegarmos soubemos que nossos companheiros do primeiro escalão , tinham tomado Galicano no dia 07 e Barga no dia 11 do mês de outubro.

No dia 15, aviões inimigos apareceram nos céus da Pisa e Livorno e as Baterias antiaéreas rechaçaram este ataque onde vimos o belo efeito visual que as balas traçantes faziam no céu de Livorno.

No dia 30, caia mais um reduto “San Quirico”, nos dias seguintes os componentes da Bateria de Comando começaram a intensificar os preparativos para participar em direção do “Front”, e no dia 10 de novembro de 1944, a nossa Bateria partia da cidade de Pisa para A linha de frente e depois de passarmos pela cidade de Lucas, começamos a subir a serra de Porreta- Térmica, após de uma pequena parada nesta cidade,começamos subir a serra de “Castel de Cássia”, onde chegamos a localidade do mesmo nome, via-se o estado lamcento das ruas e algumas destruições. Para nosso batismo de fogo a artilharia alemã começou a lançar bombas de tempo perto do nosso comboio que estava parado, nesse ínterim recebemos ordens para nos alojarmos em diversas casas onde ficamos acontonados e então começamos os preparativos para as nossa missões de guerra, instalando os postos de comando , os postos de telefone e sua linhas de ligação , postos de rádios e os postos de observação avançados.

Conforme boletim nº118 , de 15 de novembro de 1944 e por ordem Exmo Sr General Oswaldo Cordeiro de Faris , comandante da Artilharia Divisionária, foram elegiados  os componentes desta Bateria- “ Pela eficiência, dedicação e noção de responsabilidade que assumiram quando se encarregam da manutenção e da ordem de transporte “USS General W.A.MANN”, em que viajaram o 2º Escalão da Força Expedicionária Brasileira, do Brasil para a Itália”.

Depois de muitas missões, diversas instalações de linhas telefônicas, ligando nossa Bateria aos grupos de Artilharia e  ao Regimento de Infantaria, foi preparada as nossas comunicações com toda a FEB, e toda tropa aliada na Itália, com objetivo de darmos o máximo para os ataques que se aproximavam. Sob um frio imenso chegou o dia 23 de dezembro, que por volta das 18:00 horas começou a nevar, era inverno rigoroso a se aproximar , onde mais uma vez a Tropa Brasileira mostrava a sua adaptação a qualquer terreno e a qualquer clima. Dia 24 de dezembro, véspera de natal, era a primeira vez que passaria esta festa cristã fora de nossa pátria , porem como uma só família e entre os nossos chefes comemoramos com a maior alegria a passagem da noite de natal em guerra. Entre o natal e o dia 31 houve  diversas ações de combate e foi neste dia que mais uma vez sentimos a falta de nossas famílias, porem sempre um pouco esquecido pelo carinho que as famílias das localidades nos tratavam.

Começou o despontar do mês de janeiro de 1945, e no dia 4, nos deslocávamos de “Castel de Cássia” para a cidade de “Porreta- Térmica”, de onde começamos a preparar as linhas telefônicas, as estações de radiofonia e telegrafia e os postos de observações para o ataque ao “Monte Castelo”, ajudando os grupos de Artilharia e os Batalhões de Infantaria em suas missões de comunicações e observações.

Desde a nossa chegada a “Porreta –Termica” ,onde ficamos acantonados em diversos pontos desta localidade, era quase constantes os bombardeios pela artilharia Alemã, por diversas vezes quase as posições rádios e telefônicas foram atingidas pelo inimigo. Em principio de fevereiro mais uma vez a artilharia Alemã abriu poderoso fogo sobre a cidade de Porreta- Térmica, onde novamente a nossa Bateria quase foi atingida, no dia seguinte ao bombardeio foi encontrada uma bomba entre o posto telefônico onde estava o Cabo Dalvaro e a viatura de radio que era comandada pelo Sargento Ferreira, que para nossa felicidade não explodiu, tendo sido desativada e conduzida para estudos.

Dia 20 de fevereiro, estava chegando a hora para a ordem de ataque a fortaleza de Monte Castelo, foi um dia árduo e de grande trabalho em toda a Bateria Comando, onde se instalavam observatórios avançados , muitas linhas telefônicas de emergência e postos de rádios.

Finalmente raiava o dia 21 de fevereiro de 1945 data que ficara gravada e sempre lembrada, eram 05:00 horas da manhã e recebemos ordem em todos os postos , o ataque começou, foram muitas horas que não mais pareciam ter fim e finalmente as 17:00 horas um grito ecoou, estamos no alto do castelo, a fortaleza Alemã caia e foi uma verdadeira loucura, vimos soldados jogar-se no rio gelado para comemorar a Vitória, a vitória da raça da disciplina e do amor a pátria contra o totalitarismo, a quem tínhamos ido  vingar nossos brios de filhos de uma nação agredida covardemente.

Passaram os restantes dias de fevereiro e começou a florir o mês de março, começava o degelo e apontar a primavera. No dia 12 de março começou o deslocamento para a cidade de “Gaggio Montano”, onde chegamos no mesmo dia começamos a conhecer outros terrenos, outras pessoas e nos preparamos para novas ações de combate. No dia 26, foi nossa Bateria elogiada pelo Exmo Sr General Oswaldo Cordeiro de Farias , nos seguintes termos:

“Foi o amor ao trabalho, a dedicação, a vigília constante, que preparou em grande parte, as brilhantes vitórias dos nossos sobre Monte Castelo,soprassasso e castelnuovo, a qualquer hora do dia ou da noite estavam sempre a postos , com máximo de atenção, permitindo assim que o Comando da Artilharia Brasileira se exerce em toda a plenitude.”

Começou a surgir o mês de abril que para nós foi o mês das decisões, no dia 14 em fogo de artilharia e de morteiro dos Alemães, foram os nossos homens que instalavam linhas para o ataque a Montese, enquadrados e depois de diversas peripécias e do cessar fogo, notamos que nosso Sargento Arno Schneider, estava gravemente ferido e o nosso soldado Orlando Martins de Souza, que era chamado carinhosamente de Português, estava desaparecido na escuridão, sem poder acender faróis ou pelo menos uma lanterna. Transportamos o Sargento para o hospital e depois pela manhã localizamos o nosso soldado são e salvo.

Chegou o dia 15 de abril, no mesmo jeito do ataque ao Monte Castelo, começou a preparação para o ataque ao baluarte de Montese e no dia16 teve inicio que com grande poder de fogo, de parte a parte, foi tomada a cidade , que custou muitas baixas a nossa gloriosa Infantaria, pórem era mais uma vitória que iria para a nossa coleção de grandes vitórias.

No dia 22 deslocamos de “Gaggio Montano”, para “Zocca”, onde a destruição era quase total. No dia 24 nos deslocamos para a cidade de “Vignola”, depois de diversos reconhecimentos nos deslocamos no dia 27 para a localidade de “Montecchio”, onde ficamos acampados nas proximidade da estação ferroviária.

No dia 02 de maio deslocava-mos para a cidade de “Piacencia”, de onde veio a noticia e o grito de Finito la Guerra,pois a 148ºDivisão Alemã e remanescente da Divisão Bersagles e Panzer Grenadier se rendiam em Colecchio as nossa tropas. No dia 08 de maio chegamos a “”Campo Spinoso Albaredo”, onde veio a noticia que fez em toda tropa, se rendia as tropas alemãs na Europa, era o fim da guerra no velho continente, dentro da alegria que contagiava a todos, vinha a noticia, que  muito entristeceu a nossa Bateria morria por acidente com aviatura o nosso colega Sragento Fabio Pvani, que foi sepultado no cemitério de Pistoia, era mais um tributo da nossa Bateria pela causa da guerra.

Colaboradora: Juliana de Oliveira Ramanauskas julianaramana@yahoo.com.br


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6 comentários

  1. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Que bom ler a sua história querido Dalvaro. Esse relato é vibrante! Parabéns!

  2. Tenho orgulho do meu tio querido!

  3. mario pereira /

    O Veterano Dalvaro sempre foi um dos mais animados da ANVFEB e um ponto de referencia. Parabens pelo relato, parabens pela grande prova de humanidade!!!

  4. Paulo Sérgio J de Oliveira /

    Parabéns Tio , valeu pelo nosso progresso , pena que os governantes não deram o devido valor aos que gloriosamente lutaram por nossa Pátria – Abraços e Bjs . Paulo

  5. Herói nacional!!! Tenho orgulho de ter servido em uma unidade FEBiana (1º BPE-RJ).

  6. Miguel Pinto da Silva /

    Em primeiro lugar, quero deixar meus sinceros agradecimentos por estes heróis desta guerra que teve como meta defender com muita bravura à nossa Pátria.Mas o meu objetivo é saber se um dos expedicionário “chamado”, Miguel Arcanjo Moreira, retornou da guerra e se existe algum registro do mesmo em algum lugar. Sou sobrinho dele e minha Mãe procura por ele, mesmo se estiver morto que é o mais provável.Se puder me ajudar à encontrar algum registro entre em contato pelo meu facebook que esta registrado, por favor. Obrigado.

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