Série: O Canto dos Heróis – Sinhá Lurdinha

Abro a mais nova série. Uma inciativa de @As Grandes Guerras junto com Portal FEB. Todo o material no âmbito musical foi encontrado no acervo enviado pelo jornalista Franklin Martins para a Rosely G. Miranda. Algumas músicas foram gravadas em 1945 quando o Regimento Sampaio estava acampado em Francolise, Itália.

 

#O Canto dos Heróis: os músicos da FEB na segunda guerra mundial – Música: SINHÁ LURDINHA

Autor: Soldado Natalino Cândido da Silva
Intérprete: Soldado Natalino Cândido da Silva
Gênero:Embolada
Link para escutar a música enquanto lê: http://www.anvfeb.com.br/midia/7_sinha_lurdinha.mp3

Informações:

Essa música tem uma estrofe que caracteriza bem quem foi Lurdinha:

“Subindo ao monte
Eu encontrei Sinhá Lurdinha
Tava toda afobadinha
Querendo me pegar
Joguei-me ao solo
E comecei a rasteja-la
Farejava, farejava
Mas nada de me encontrar”
Para falar a verdade, Lurdinha foi apresentada em 1940, mas entrou mais tarde na guerra. A “madame” trouxe novas soluções e grande avanço tecnológico para a época, funcionando bem e sem problemas no campo de batalha. O sistema de travamento e a grande facilidade na troca do cano foram avanços importantíssimos para a tecnologia da Segunda Guerra. Pode estar confuso, mas para quem não entendeu ainda, Lurdinha era a famosa e temida metralhadora Alemã MG-42.
Lurdinha foi pela primeira vez utilizada no norte de África pelas tropas do Afrika Korps de Rommel. A partir desse momento a MG-42 passou a ser uma das mais temidas armas alemãs, especialmente quando nas mãos de militares especializados.
Com grande cadência de tiro e refrigerada a ar a MG-42 podia ser disparada por horas. Foi muito utilizada também nas praias da Normandia, usada para conter a invasão Aliada.
Mas você deve estar se perguntando: Por que Lurdinha?
As histórias variam muito. É o famoso ditado que diz que cada vez que uma história é contada se aumenta um ponto.
Entre as prováveis origens do apelido que os pracinhas brasileiros deram à temida metralhadora alemã MG42, que fez tantos estragos entre as tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, conta-se que um dos integrantes da FEB, um soldado carioca, sempre vivia contando casos da sua namorada, uma costureira chamada Maria de Lourdes, pela qual era apaixonado. “Quando voltar, vou me casar com ela”, não se cansava de repetir aos seus companheiros. Então, quando no campo de batalha ouvia-se uma rajada da dita metralhadora, que mais se assemelhava ao som de uma máquina de costura, seus colegas diziam: “Olha lá a Lurdinha costurando, olha lá….”
A história da máquina de costurar também é citada pela historiadora Fernanda de S. Nascimento. Porém há uma história muito mais engraçada que consiste na associação com a rápida cadência de tiro, que lembrava o jeito de falar da namorada ciumenta de um deles, talvez a mesma que costurava.Independente do verdadeiro significado de “Lurdinha”, fica claro que a metralhadora era temida por todos seus inimigos, mas os brasileiros eram diferentes. A criatividade desse povo e seu bom humor não deixava que a guerra e uma “Lurdinha” ciumenta e costureira estragassem a piada.
Letra completa da música:

“Mas onde eu vi muito tedesco
Foi lá no monte de Castelo
Mas onde eu vi muito tedesco
Foi lá no monte de Castelo
Mas onde eu vi muito tedesco
Foi lá no monte de Castelo

Subindo ao monte
Eu encontrei Sinhá Lurdinha
Tava toda afobadinha
Querendo me pegar
Joguei-me ao solo
E comecei a rasteja-la
Farejava, farejava
Mas nada de me encontrar

Mas onde eu vi muito tedesco…

Logo em seguida
Vinha o tal de 88
Que também todo afoito
Queria me acertar
Mas eu também que conduzia o meu 60
Fui metendo a mão nas venta
88 eu fiz calar

Mas onde eu vi muito tedesco…

O 105 que atirava com afinco
E era quatro e era cinco
Nossa tropa avançava
A aviação que causou grande confusão
Pois cada vez que se abaixava
Era um ovo que deixava

Mas onde eu vi muito tedesco…

Major Syzeno também fez a sua guerra
Com a conquista de La Serra com todo seu batalhão
E foi a quarta, e foi a quinta e foi a sexta
E até mesmo a CPC(?), 81 em posição

Mas onde eu vi muito tedesco …

O que valeu foi que a sexta tinha morteiro
Comandava o Carneiro com boa disposição
E cada vez que o morteiro atirava
A granada estourava, era só pena que voava

Mas onde eu vi muito tedesco…”

Fontes: 1, 2 e 3

Texto: Gabriel Piotto


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1 comentário

  1. Robson Anselmo /

    Prezados senhores
    A “Sinhá Lurdinha” (a metralhadora em questão)era a metralhadora MG-34, antecessora da 42, mais rara e que não “matraqueava” como a 34, mas emitia um som como o de um pano sendo rasgado, devido a sua elevadíssima cadência de tiro. Justamente por isso espírito brincalhão dos pracinhas brasileiro, fazia essa analogia do matraquear da MG-34 com alguma vizinha barraqueira ou fofoqueira.

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