Pedro Trichês – Regimento Tiradentes

Pedro Trichês, nasceu em Turvo Baixo-Turvo, na época era municipio de Araranguá-SC, em 03 de junho de 1920, filho de Isaac Trichês e Catarina Neto Trichês. Foi convocado como soldado para a 2ª Guerra Mundial, sendo incorporado ao 11º Regimento de Infantaria , com a identificação 2G- 127.970. Atuou no Teatro de Operações da Itália, no período de 06/10/1944 até 04/09/1945, tendo sido licenciado do serviço ativo em 30/09/1945, ingressando na Reserva do Exército Nacional.

Recebeu a Medalha de Campanha por ter sido integrante da FEB, participando da guerra como soldado em batalha. Voltou a casa do pai e em 1953, casou-se com uma prima-segunda(Nair Manenti Trichês) com quem teve seis(6) filhos: Madeleine Catarina, Marileine, Mari Stella, Gelson , Leosandro Pedro e Alessandra. Viveu até 1970, como agricultor, recebendo pensão como soldado da reserva. Então, nos mudamos para a cidade, onde ele passou a trabalhar como funcionário público, num orgão do Ministério da Agricultura (Cafasc, hoje corresponde a Epagri ou Cidasc). Quando se aposentou, foi promovido a 2º Sargento do Exército, até quando faleceu, vitima de cancer no intestino, em 03/07/1990.

 

Bem, eu, Mari Stella, nasci em 1964, e lembro que ele era um pai severo, mas muito carinhoso. Tocava Acordeon(Sanfona) e cantava para os filhos pequenos dormirem. Tivemos uma fase de dificuldades financeiras, quando ele, muito triste, teve que vender sua sanfona, mas tinha o costume de entortar meus dedos(indicador, médio e anelar), dizendo que assim que pudesse comprar outra sanfona, me ensinaria a tocá-la, por isso já ia preparando meus dedos.

Ele nos contava muitas histórias, não lembro de todas, mas algumas marcaram nossa infância. Ele nos lembrava do frio e da fome que sentia, quando muitas vezes teve que dormir, se esconder dentro de valas feitas na neve, para se protegerem do inimigo. Com o passar dos anos tinha muitos pesadelos, e acordava suado e assustado, mas o que mais me fascina era que ele sempre foi um ex-combatente que não se envergonhava de usar a boina, as medalhas no peito, e a braçadeira com a cobra fumando. Desfilava sempre a carater no dia 7/setembro, e de cabeça erguida, mesmo quando, as vezes, era motivo de chacota entre os alunos das escolas.

Era membro da Associação de ex-Combatentes de Criciúma ou Tubarão( não lembro). Sempre que convocado se apresentava ao 28º GAC, em Criciuma-SC. Um dos fatos que o entristecia ao contar era dos amigos que perdera em campanha, dos que teve que socorrer, de um sargento que morreu em seus braços. Também se entristecia com o fato de ter que lutar contra italianos, uma vez que era filho de um imigrante italiano. Comparava as dificuldades da vida com os inimigos que enfrentou na guerra, então chamava a todo tipo de dificuldade, por exemplo, a recessão economica, as tempestades, a seca, etc…, de inimigo.

Um grande pesar que sempre o acompanhou foi de quando sua mãe faleceu e seu pai casou-se novamente, sua madrasta não o respeitava, e rasgou sua farda, e usou-a como pano de chão.

Não tenho fotos dele como soldado , pois estão no Museu Municipal de Turvo-SC, mas assim que puder, irei lá e farei cópias, então enviarei para vocês. Hoje envio uma foto dele como civil, já depois da guerra, tocando a sanfona dele.

Ps: Nunca mais conseguiu comprar uma sanfona, mas ganhou uma de uma de seus genros, e então ele sempre tocava para alegrar as reuniões da familia, mas não foi possível me ensinar, pois eu já havia me casado e  me mudado de cidade.

Colaboradora: Mari Stella Trichês Acordi


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22 comentários

  1. Olá!
    Nossa, lindo, lindo artigo! Me sinto muito orgulhosa por ser neta deste homem e lamento muito por não tê-lo conhecido. Quero deixar aqui registrado que, ainda hoje, Pedro Trichês é lembrado carinhosamente pelos cidadãos de Turvo e muito valorizado. Pelo menos foi o que percebi quando meus professores souberam que eu sou sua neta, não deixaram de falar algumas honrosas palavras sobre ele. Lutou, sim, contra seus antescedentes italianos, mas, muito mais do que isso, lutou contra o regime fascista/nazista, e isso me deixa muito feliz, muito orgulhosa.
    Obrigada.

  2. alessandra triches /

    nossa!que linda essa homenagem que a stella fez do nosso pai.cheguei a me emocionar´. eu sou a caçula dos 6 irmãos e também, ouvia o pai falar das dificuldades que ele e seus companheiros enfrentaram na guerra.ele tinha muito orgulho de ser pracinha.um fato que me marcou muito foi o de que em seus ultimos dias de vida, já delirando ele falou essa frase:”me tira desse campo gelado”.o campo que ele se referia era o campo de batalha,do frio terrível que ele passou e que nunca saiu da sua memória.nosso pai foi um grande heroi,mas acima de tudo uma grande homem.

  3. Ricardo Bieri /

    Deborah e Alessandra; muito Emocionante a Biografia do avô e pai de vcs. Podem ter a certeza absoluta de que ele foi sim um HEROI nacional. Moro em Santa Maria (RS), não tive parentes que lutaram na FEB, mas como sou filho e sobrinho de oficiais do Exército, já tive a oportunidade de participar algumas vezes de Solenidades em Homenagem a gloriosa FEB!

  4. Mariane Trichês Pezente /

    Linda a homenagem que a Tia Stella fez ao meu avô Pedro Trichês.
    Apesar de não tê-lo conhecido, revivi ele na minha memória através das histórias que minha mãe e minhas tias sempre contam. Sinto-me orgulhosa de ser neta de um grande homem e grande cidadão que fez sua parte para colaborar com a pátria, arriscando sua vida.
    Assim como minha prima Deborah comentou, (já estudei no mesmo colégio que ela em Turvo – SC), todos os meus professores sabiam que eu era neta de Pedro Trichês, e em especial meu professor de história que ficou fascinado quando levei fotos de meu avô fardado, sua boina e seu ‘bracelete’ de soldado. Realmente um grande orgulho fazer parte dessa família.

    – Parabéns pelo artigo, é de grande valência que seja relembrado o quanto Pedro Trichês foi importante para o Brasil, e os tantos outros países que participaram da 2ª Grande Guerra Mundial.

  5. isalete leal /

    Sou filha de ex-combatente e sei o orgulhos que a família sente de seu herói.
    A cada dia que passa mais notícias e histórias aparecem desses grandes combatentes. Meu respeito e agradecimento a mais um HERÓI de nossa Nação.

  6. Sou filho deste herói e me orgulho muito da coragem que eles tiveram. Eu conto esta história para meus amigos e conhecidos aqui em criciúma. Ele nos contava pouca coisa,mas comentava sobre a tomada do monte castelo,a cobra vai fumar. Lembro que ele não deixava nós vermos filmes de guerra. Ele também era muito religioso. Dele herdei a fisionomia, o bom carater e apitidão por instrumentos musicais,mas não aprendi a tocar acordeon,mas sim violão,e tenho certesa que ele se orgulharia. Eu me chamo Leosandro Pedro o quinto filho sou casado e tenho uma filha,que é uma das netas que ele não conheceu.

  7. Família Triches participando em massa :D

  8. Mari Stella Trichês Acordi /

    Agradeço os comentários feitos por meus familiares queridos,meus irmãos, sobrinha e filha, além dos amigos que também comentaram esta história! Hoje, véspera do dia dos Pais, , venho aqui externar meus sentimentos de saudade eterna da presença deste herói, meu amado pai!Ele foi um dos muitos heróis do Brasil, mas para nós, seus filhos e filhas, será sempre o nosso querido cancioneiro e gaiteiro, que animava nossos encontros com sua melodias! Parabéns a todos os pais pela passagem do dia dos pais,neste domingo!

  9. Mari Stella Trichês Acordi /

    25 de Agosto – dia do Soldado, como não homenagear estes heróis que lutaram bravamente pela nossa Pátria, e hoje, a maioria deles já descansa no campo santo, e suas almas vivem a liberdade tão sonhada, junto ao Criador! Minha sincera homenagem a todos os Ex-combatentes da FEB, vivos ou mortos, e também a todos os combatentes e soldado de hoje! Parabéns a todos pela passagem do Dia do Soldado!

  10. A. Triches - Italia /

    PREGHIERA PER GLI EX COMBATTENTI.

    Noi ti preghiamo, Signore Gesù,

    per il loro sacrificio,
    per la fede, la speranza e l’amore
    che li animarono a servire la Patria.

    Dona a loro la vita eterna,
    a noi il conforto,
    ai fratelli e al mondo la prosperità e la pace.

    Signore della vita, fa
    che il nostro Popolo segua il loro esempio
    e sia sempre degno del loro sacrificio

    nella fedeltà alle nobili tradizioni
    e nell’amore ai valori umani e cristiani
    della nostra storia.

    Amen

    ——

    – Sergente Pietro Triches: PRESENTE !! -

  11. Mari Stella /

    Muito obrigado a todos que postaram comentários, mensagens e oração no tópico sobre meu querido e saudoso pai! Que sua recompensa seja a de ver seus descendentes seguirem seu exemplo de heroísmo e patriotismo! Abraço a todos!

  12. Ivanor Antonio Triches /

    Oi Mari, li a história do teu pai, bem interessante, orgulho para a família Triches, meu filho também chama Pedro B. Triches, como viste também sou Triches e atuo em ações direcionadas a militares inativos e pensionistas do exército, com especialização no Exército Brasileiro, principalmente nas questões de Ex-combatentes. Foi um prazer, se precisar de qualquer informação, estou à disposição.
    Abraço
    Ivanor

  13. Mari Stella Trichês Acordi /

    Neste dia 14 de agosto de 2011,dia dos pais, me vejo em lembranças saudosas de minha infância e adolescência, quando meu querido pai contava histórias de sua passagem na 2ª Guerra Mundial e tocava sua sanfona para nos alegrar. Para sempre será lembrado por mim e todos seus filhos e familiares! Para sempre o nosso grande e eterno herói, nosso amado pai, exemplo de caráter, cidadania e patriotismo, além de homem de grande fé no Criador e na vida! Parabéns a todos os pais neste dia, e saudades do meu querido pai, Pedro Trichês(in memorian).

  14. ADAILTON CORRÊA /

    COMO ESTÁ ESCRITO NO ARTIGO, ESSA SENHORA QUE ¨RASGOU E USOU A FARDA DE UM GUERREIRO COMO PANO DE CHÃO¨ DEVERIA SER PRESA POR UM BOM TEMPO, E PASSAR A PÃO SECO E AGUA, PARA PENSAR E REFLETIR SOBRE O QUE FEZ.
    ONDE JÁ SE VIU!FAZER ISSO COM A FARDA DE UM HERÓI.

  15. Mari Stella Trichês Acordi /

    Meu querido pai, o tempo passa, mas jamais esqueceremos de você, nosso eterno herói! Tenho pesar por meus dois filhos não o terem conhecido em vida pois assim poderiam ter convivido com o avô-herói! Continue a nos proteger daí do campo em que está atuando agora, que não é de batalha, mas sim de paz e glória! Saudades eternas!

  16. fabio dallo /

    Alguem poderia me fornecer o contato de Mari Stella Trichês Acordi ou pedir para ela entrar em contato comigo ??? gostaria de contar esta historia no programa de radio que temos aos domingos na radio eldorado de criciuma

    fabio 48 – 9 9946 98 37

  17. Mari Stella Trichês /

    Centenário _ 1920–2020
    Nesse próximo dia 03/06/2020 o meu herói, meu pai, soldado Pedro Trichês, completa seu centenário. Aqui vou escrever alguns depoimentos sobre esse homem, soldado e civil, dado por meus irmãos.
    ” “Meu pai nos deixou um exemplo de pessoa correta e sábia. Desde muito pequena, lembro de sua preocupação com os estudos dos filhos, pois onde morávamos, não tinha escola perto. Ele comentava com nossa mãe que desejava sair da roça, ir para a cidade, onde as crianças poderiam estudar. Na roça, na época, não tinha energia elétrica, mas mesmo assim, todos os dias ele escutava em um rádio à pilhas, os noticiários e estava sempre lendo o que tinha e recebia de livros, revistas, jornais e a Bíblia. Até que vendeu as terras na comunidade de Boa Vistinha, e fomos todos morar em Turvo, no bairro São Cristóvão, onde, com muitas dificuldades colocou todos os seus filhos no colégio. Com certeza a maior herança que nos deixou. A lembrança que tenho dele, é sentado ao lado do fogão à lenha, sempre lendo, ou escutando seu radinho de pilha. Para ele, quem tem o estudo e a informação tem o conhecimento, e o conhecimento é tudo, dizia ele. Minha eterna gratidão, querido pai. Descanse em paz!
    Colaboradora : Marileine Trichês (de Souza)
    ” Meu pai, Pedro Trichês, convivi com ele durante 15 anos, quando ele nos deixou em 03/07/1990, com 70 anos. O que mais lembro dele, é que era um homem quieto, calmo, reservado, não gostava de muito barulho. Não deixava os filhos assistir à filmes de violência, guerras, armas, etc…. Era muito trabalhador, só parava de noitinha quando ficava sentado no caixão da lenha ao lado fogão aceso. Nossa mãe era mais brava conosco, mas ele apenas nos olhava e já entendíamos o que ele queria dizer.
    Era muito religioso, ia todos os domingos à missa na Igreja Matriz de Turvo, sempre se sentava no mesmo lado na igreja.
    Quando ele estava nas últimas, no hospital do Turvo, fui visitá-lo, ele já delirando, bem mal, dizia :’ …me tirem desse campo frio e gelado, muitas bombas…..’ Saudades eterna, querido pai. Gratidão
    Colaboradora: Alessandra Trichês

    “Sou filho deste herói e me orgulho muito da coragem que ele teve lutando na guerra. Eu conto esta história para meus amigos e conhecidos aqui em Criciúma. Ele nos contava pouca coisa ,mas comentava sobre a tomada do Monte Castelo,a cobra vai fumar(lema da FEB). Lembro que ele não deixava nós vermos filmes de guerra. Ele também era muito religioso. Dele herdei a fisionomia, o bom caráter e aptidão por instrumentos musicais,mas não aprendi a tocar acordeon, mas sim violão,e tenho certeza que ele se orgulharia. Lembro que minhas irmãs mais velhas contaram que eu, quando bebê, só dormia embalado no colo do pai. Quando ele não podia ou não estava em casa, a mãe me dava uma camisa dele para ficar cheirando a ponta da gola, sentindo o cheirinho dele, eu conseguia dormir. E fui assim até uns 4 anos de idade, andava de lado para outro com uma camisa dele ou só com a gola mesmo, que a mãe acabou cortando , pra ficar mais fácil de eu segurar. O pai era muito carinhoso com os filhos, e eu o amava acima de tudo. Eu me chamo Leosandro Pedro o quinto filho sou casado e tenho uma filha,que é uma das netas que ele não conheceu.”
    Colaborador: Leosandro Pedro Trichês

  18. Mari Stella Trichês /

    Continuação Centenário
    ” Quando eu participei da escolinha de futebol, em Turvo, no Campo da Vila Manenti,anos 1978/1979, meu pai era o meu maior incentivador e parceiro. Estava sempre presente nos treinos e nos jogos que eu participava. Ele gostava muito de futebol.Tanto que fundou um time de futebol em 1984, chamado JUVENTUDE.
    Meu pai, como esteve na 2ª Guerra Mundial lutando na linha de frente , ele não gostava de contar o que passou neste período. O que eu sei um pouco é que já na viagem de navio para a Itália, passaram frio, fome e sede.No campo de guerra, foi pior ainda, pois a cada dia, não sabia se ia voltar com vida para o acampamento. Viu morrer muitos soldados de ambos os lados.
    Sou Gelson Trichês, o quarto filho, e tenho um filho chamado Pedro Trichês Neto

  19. Mari Stella Trichês /

    Centenário – continuação
    “O que eu sei sobre meu amado pai: Sobre a guerra em que ele lutou, ele não gostava de falar, enchia seus olhos de lágrimas, ficava triste, por isso quase nunca perguntei nada. Mas das poucas vezes em que ele falou, contou que foi a coisa mais triste que viveu, onde perdeu muitos amigos. Contou que estavam em Monte Castelo, dentro de uma trincheira, ele, seu tio Albino Menegaro e o amigo Iraci Luchina, e jogaram uma granada, que atingiu apenas o Iraci, e os dois saíram ilesos. Ele agradeceu a Deus por ter sobrevivido àquele ataque. Ele era um jovem de apenas 25 anos. Contou também que lá havia um casebre onde levavam os soldados doentes e feridos, e que tinha uma enfermeira chamada Madeleine, nome que ele deu à mim , sua primeira filha, em homenagem à ela. Quando foi convocado à guerra, já estava no exército há algum tempo, e de lá foi direto para a Itália, nem pode vir se despedir de seus pais, e quando acabou a guerra, em 08/05/1945, ainda permaneceu no exército por mais dois anos. Naquela época a comunicação era precária e demorada, então quando foi liberado para voltar para casa, chegou e teve a triste surpresa de saber que sua mãe Catarina Netto Trichês, havia falecido, e que seu pai Isaac Trichês, já estava casado com outra mulher, de nome Carolina. Essa mulher fez jus ao título de má-drasta , rasgou a farda dele, usou-a como pano de chão, e, o pai , revoltado, saiu de casa e foi morar com seu irmão mais velho, Cândido Trichês, em Ermo. Lá ele trabalhava numa fábrica de ladrilhos, tocava gaita nos bailes e jogava futebol. Viveu em Ermo grande parte da sua juventude, e quando a madrasta faleceu ele então voltou a morar com seu pai, que já estava bem idoso. Então se casou com Nair Manenti e iniciaram uma vida de agricultores na comunidade de Boa Vistinha-Turvo. Era um homem muito trabalhador, honesto e bondoso. Seu pai tinha também um alambique, e muitas vezes o pai teve que levantar o nono Isaac do chão, bêbado. Nessa época eu era pequenina, mas lembro um pouco do nono Isaac bêbado. Ele contava que o nono caía e gritava “Adeus, América!” O pai cuidou do nono até ele falecer.
    Como pai, ele era muito carinhoso. Eu trabalhei bastante com ele na roça, era a filha mais velha, ia com ele de bicicleta, depois vinha em casa buscar a comida para levar pra ele na roça. Ele não me chamava de Madeleine, e sim de “meu filho”.
    Ele era uma pessoa muito boa e amigável. Sempre que a família se reunia nas datas festivas, lá ia ele pegar sua sanfona e tocava, todo feliz, para ver seus familiares dançar.
    Colaboradora: Madeleine Catarina Trichês(Pezente) – a 1ª filha

  20. Mari Stella Trichês /

    “Bem, eu, Mari Stella, nasci em 1964, e lembro que ele era um pai severo, mas muito carinhoso. Tocava Acordeon(Sanfona) e cantava para os filhos pequenos dormirem. Tivemos uma fase de dificuldades financeiras, quando ele, muito triste, teve que vender sua sanfona, mas tinha o costume de entortar meus dedos(indicador, médio e anelar), dizendo que assim que pudesse comprar outra sanfona, me ensinaria a tocá-la, por isso já ia preparando meus dedos.
    Ele nos contava muitas histórias, não lembro de todas, mas algumas marcaram nossa infância. Ele nos lembrava do frio e da fome que sentia, quando muitas vezes teve que dormir, se esconder dentro de valas feitas na neve, para se protegerem do inimigo. Com o passar dos anos tinha muitos pesadelos, e acordava suado e assustado, mas o que mais me fascina era que ele sempre foi um ex-combatente que não se envergonhava de usar a boina, as medalhas no peito, e a braçadeira com a cobra fumando. Desfilava sempre a caráter no dia 7/setembro, e de cabeça erguida, mesmo quando, às vezes, era motivo de piadas entre os alunos das escolas.
    Era membro da Associação de ex-Combatentes de Tubarão. Sempre que convocado se apresentava ao 28º GAC, em Criciuma-SC. Um dos fatos que o entristecia ao contar era dos amigos que perdera em campanha, dos que teve que socorrer, de um sargento que morreu em seus braços. Também se entristecia com o fato de ter que lutar contra italianos, uma vez que era filho de um imigrante italiano. Comparava as dificuldades da vida com os inimigos que enfrentou na guerra, então chamava a todo tipo de dificuldade, por exemplo, a recessão econômica, as tempestades, a seca, etc…, de inimigo.
    Ele dizia que nossos nomes(das três primeiras filhas) ele escolheu em homenagem à pessoas que ele conheceu na guerra.
    Gostava muito de tocar gaita, e cantar. Suas músicas preferidas eram Asa Branca , Cavalo Zaino, Mama soy tanto feliche, Moreninha linda, e outros xotes
    Ps: Nunca mais conseguiu comprar uma sanfona, mas ganhou uma de um de seus genros, e então ele sempre tocava para alegrar as reuniões da familia, mas não foi possível me ensinar, pois eu já havia me casado e me mudado de cidade.

    Colaboradora: Mari Stella Trichês – 3ª filha

  21. Mari Stella Trichês /

    Centenário – continuação
    ” Quando aconteceu a II Guerra Mundial eu tinha 6 anos de idade, mas lembro de quando os aviões da FAB começaram a voar de lado a outro e meus pais dizendo, com alegria: “A guerra acabou, agora o Pedro vem pra casa!” Não demorou muito tempo e o tio Pedro chegou. Veio morar conosco em Ermo, e aqui ele teve uma fábrica de ladrilhos, tudo feito à mão. Trouxe muitas recordações. Eu lembro dele muito lindo, em cima de uma bicicleta, rodeado de pessoas querendo saber coisas que ele viveu e aprendeu na guerra, lá na Itália. Ele ficou morando um bom tempo com a gente, ajudava nossa mãe em casa, fazia os ladrilhos, contava as coisas horríveis que viveu na guerra, mas sempre bem alegre.Ele mostrava a medalha que ganhou por ter lutado na guerra, e usava no pescoço uma chapa de metal com seu nome gravado e seu número como soldado. Essa era sua identificação que se ele morresse em batalha, eles colocariam essa chapa entre seus dentes para quando fossem recolhidos os corpos , serem reconhecidos. Ele contava que na última batalha, a tomada de Monte Castelo, eles ficavam em 4 soldados dentro de tocas na neve. Ficavam ali noite e dia, ali eles comia, faziam suas necessidades, mas depois saíram vitoriosos. Valeu à pena!Lá na Itália ele deixou uma namorada, e por isso o nome de minha irmã é Dalva Mari, em homenagem à essa namorada.Lembro dele no final da tarde depois do trabalho, pegava sua bicicleta para dar uma volta, e quando estava chegando em casa, ia vindo pessoas para conversar com ele, perguntar coisas, sobre a guerra e também sobre a Itália.
    Ele ajudou muito minha mãe quando ela deu luz à Dalva. Ele matava galinha, fazia o caldo e levava na cama prá mãe, e eu aproveitava e tomava também. Ele foi uma ótima companhia para nós lá em casa. O pai saía para trabalhar de pedreiro, e ele ficava, ajudava a mãe. Era um moço bonito, tocava gaita, era lindo!
    Não lembro quando e nem porquê, mas ele disse que ia voltar a morar na Boa Vistinha com o seu pai Isaac. Dali pra frente ele formou sua própria família.
    Colaboradora: Sônia Trichês Fontana – sobrinha

  22. Mari Stella Trichês /

    Centenário – continuação
    ” Eu morei com o Pedro e minha irmã Nair, quando nasceu a primeira filha deles, a Madeleine. Era na Boa Vistinha, e a roça deles era lá no ‘seco’. Eu tinha uns 10 anos.
    O Piero (Pedro), era um homem muito bom e carinhoso. Ele ajudava em casa, cuidou do seu pai até o final. Conversava com a Nair(esposa) sempre,assuntos do trabalho(roça), ele já deixava tudo organizado o que iria fazer no outro dia.
    Quando a Nair estava com a Madeleine pequeninha, eu era quem ajudava ele nos serviços da roça! Sempre foi um homem trabalhador, falava pouco sobre a guerra que viveu, às vezes chamava suas ferramentas de General ou Capitão!”
    Colaboradora – Olga Manenti Pezente – cunhada

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