O Brasil que Sonhava ser Grande

Por João Claudio Platenik Pitillo¹

O envio de tropas brasileiras ao teatro de operações europeu fez parte da tentativa de edificação de um projeto de nação por Getúlio Vargas e seus colaboradores mais próximos. Do rompimento das relações com os países do Eixo em janeiro de 1942 até a chegada de forças brasileiras na Itália em setembro de 1944, Vargas enfrentou forte oposição interna por tal ousadia, principalmente dos setores militares, que desejavam muito mais reorganizar suas forças para os desafios internos e regionais, do que atuar no cenário de guerra externo.

O presidente Getúlio Vargas, alertado pelo presidente estadunidense Franklin Roosevelt em janeiro de 1943, quando de sua visita à Natal (RN), vindo da Conferência de Casa Blanca, de que a conjuntura internacional do pós-guerra obedeceria a uma Nova Ordem, onde a União Soviética e os Estados Unidos teriam um papel preponderante. E a reconstrução da Europa iria propiciar novas oportunidades, juntamente com o fim gradativo do colonialismo, como ficara consignado na Carta do Atlântico. Entendendo as possibilidades que se mostrariam ao Brasil, Vargas projetara uma participação no referido conflito com maior protagonismo a fim de evidenciar o país.

Foi com esse intuito, de figurar entre as grandes nações, que Vargas decidiu enviar tropas terrestres e aéreas para à Europa, depois de já ter engajado forças aeronavais na defesa do Atlântico Sul. Todo esse ensejo, também foi utilizado para reaparelhar as forças militares brasileiras, assim como, aumentar a capacidade da indústria de base e de setores da infraestrutura nacional, tudo isso graças aos créditos concedidos pelos estadunidenses, a partir da entrada brasileira no campo Aliado.

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Os documentos em sequencia são as ordens de estruturação operativa da FEB (Forças Expedicionária Brasileira) junto ao 5º Exército Estadunidense. Todos de caráter “Secretos” mostram um organograma inicial, designações operativas e análises de local dos primeiros momentos da FEB na Itália. Essa primeira etapa iniciou-se a partir de meados do mês de setembro, onde as forças brasileiras atuaram ao lado de outras unidades formando a Task Force 45. O objetivo era liberar as áreas do Vale do rio Serchio (ao norte da cidade de Lucca), Massarosa, Camaiore e Monte Prano e a maior parte da região de Gallicano-Barga, onde sofreu seus primeiros reveses.

¹ Licenciado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2012. Tornou-se Mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2016 e é Doutorando em História Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) onde concluirá seu curso em 2020. Em toda a sua carreira acadêmica tem como objeto a Segunda Guerra Mundial.

É autor do livro “Aço Vermelho – Os Segredos da Vitória Soviética na Segunda Guerra Mundial”, Multifoco, 2014. Organizador dos livros “A Segunda Guerra Mundial 70 Anos Depois”, Multifoco 2016,Josef Stálin – Sobre a Grande Guerra Patriótica”, Raízes da América 2016, “A Segunda Guerra Mundial e Seus Momentos Decisivos”, Raízes da América, 2017 e “A Grande Guerra Patriótica dos Soviéticos”, Multifoco, 2019.

Ao logo dos últimos 20 anos têm desenvolvido pesquisas sobre a Segunda Guerra Mundial com ênfase na Frente Leste e no Estado Novo dentro do conceito de Primado da Política Interna sobre a Política Externa. No ano de 2015 recebeu a Medalha dos 70 da Vitória”, concedida pelo Consulado Geral da Federação Russa no Rio de Janeiro e no ano de 2019 foi agraciado com a Medalha “Na Luta Contra o Nazi-Fascismo Estivemos Juntos”, concedida pelo Consulado da Federação Russa no Rio de Janeiro e pelo Conselho Superior da União Internacional de Organizações Públicas – Comitê de Veteranos de Guerra


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