Nota de Falecimento – Veterano José Cândido da Silva (1923-2020)

Cabo Jose Candido da SilvaFaleceu ontem, na véspera de Natal, aos 97 anos o estimado e bravo Veterano José Cândido da Silva, carinhosamente conhecido entre veteranos e amigos como CANDINHO. Era um grande brasileiro, patriota, sempre presente e muito dedicado à memória da FEB, especialmente da sua querida Unidade, o Regimento SAMPAIO.

Aos 18 anos de idade no ano de 1941 o jovem Candinho ingressou voluntariamente como praça no Exército Brasileiro na Arma de Infantaria, sentando praça no 1º RI – Regimento Sampaio, atual 1° BI Mec (Es) localizado na Vila Militar na cidade do Rio de Janeiro. Em 22/set/1944 embarcou com destino a Itália, retornando em 22/ago/1945, tendo participado de todas as operações em que seu regimento foi empregado, com especial parte ativa na grande batalha de Monte Castello.

Natural da cidade de Pilar, Alagoas, Candinho veio morar no Rio a convite de um tio em setembro de 1941, um mês após completar 18 anos, não tendo ainda se alistado, o que ocorreu em novembro. “Eu queria ser motorista ou mecânico. Na época, não havia muitas viaturas no Exército. Os quartéis tinham viatura quase que só para o comandante”, mencionando ter sido levado por um amigo da família a um quartel na Vila Militar onde havia viaturas, entretanto não havia mais vagas naquela unidade. Caminhando pela Vila, chegou ao último endereço que procurava, o tradicional e histórico Regimento Sampaio, uma das unidades da região desgignada para integrar a FEB, que passaria a ser a sua Casa enquanto vivesse.

Candinho era presença constante nas solenidades alusivas as datas marcantes da FEB, como as realizadas na Casa da FEB, no MNM2GM – o Monumento aos Pracinhas, e especialmente nas manhãs de 21 de fevereiro, no Campo de Parada do Regimento Sampaio na Vila Militar, comemorando a vitória de Monte Castelo, batalha na qual ele participou.

candinho1Candinho desfilava no Grupamento de Veteranos, e com o tempo ainda era um dos poucos que ainda poderia comparecer as remontagens deste episódio glorioso da História Militar Brasileira, com a participação dos soldados do Btl em uniformes de época, o então Regimento Sampaio que constituiu o núcleo da tropa empregada.  Um Grupamento representativo das unidades empregadas na batalha adentrava o campo de parada, composto pelo Sampaio, Regimento Ipiranga (6°. BILv), Esqd Ten Amaro (1°. Esqd C Lv), Btl Mar Zenobio da Costa (1°. BPE), Grupo Montese (11°. GAC), Grupo Monte Bastione (21°. GAC), Btl Oswaldo Cruz (21°. B Log), Btl Villagran Cabrita (Btl Es Eng), Btl Barão de Capanema (Btl Es Com) e o Senta a Pua (1°. G Av Caça). Os dedicados pracinhas formavam um grupamento para o tradicional desfile dos ex-combatentes, em honra aos camaradas que conquistaram Monte Castelo.  O peso dos anos não lhes diminuía o entusiasmo. Ostentando com orgulho as medalhas rebrilhando ao sol da manhã, com passo firme desfilavam em continência as autoridades no palanque, sob a admiração e palmas calorosas e emocionadas do público presente.

Os disparos da Infantaria da FEB que avançava vencendo os obstáculos camuflados reproduzidos em escala no terreno aberto, somados as rajadas das lurdinhas dos nazistas caracterizados, entrincheirados no alto da montanha coberta de fumaça recordavam um pouco da epopéia que foi o quinto, último e vitorioso assalto ao Monte Castelo.  O clima quase real com o espoucar das granadas, fortes estampidos e clarões dos fogos faziam vibrar os presentes, em admiração pelos brilhantes feitos da nossa tropa de pracinhas na Itália, em meio a fumaças coloridas ao som da Canção do Expedicionário executada ao fundo.  Ao final a tropa brasileira conquista a fortificação alemã, hasteando o pavilhão nacional no topo do Ponto Cotado 977, cenário representativo da fortificação alemã, abrindo caminho para a Vitória Aliada na Itália.

veterano candinho hasteia pavilhao nacional
No palanque, Candinho e os últimos ex-combatentes se emocionavam à leitura dos nomes dos 22 bravos do Regimento que tombaram, momento em que um a um cada soldado dos que jazem tombados no gramado se levantava e bradava “PRESENTE”, iniciando-se pelo Ten Godofredo Cerqueira Leite, seguindo-se os nomes dos demais heróis, dois sargentos, dois cabos e dezessete soldados. Foi o preço incomensurável pago pelo SAMPAIO e pela Pátria, em preciosas vidas brasileiras.

O corneteiro executava o toque de Presença de Ex-Combatente, seguindo-se o convite do General Comandante Militar do Leste, para que os Veteranos o acompanhassem na homenagem diante do busto do Comandante da FEB, apondo uma coroa de flores, após o que a Banda executava o exórdio ao Marechal Mascarenhas de Moraes.

Em momento de grande vibração patriótica, o Veterano José Candido da Silva hasteava o Pavilhão Nacional ao som do Hino Nacional Brasileiro, no mastro próximo a elevação simbólica que representava o Monte Castelo.

Na avenida fronteira a vida continuava normalmente. Os ônibus e automóveis se deslocavam tranquilamente passando ao largo do Campo de Parada junto a montanha simulada, sem se dar conta que há quase 80 anos um punhado de bravos compatriotas lutou junto com tropas de mais 19 países aliados, para que hoje o mundo pudesse viver assim, em liberdade.  A cerimônia terminava… Enquanto vivessem, prestariam sempre esta mesma homenagem.

O Regimento SAMPAIO, tão amado por Candinho, é hoje integrante do GUEs- 9ª Bda Inf Mtz. Em 2019 foi transformado de  1° Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola) – “Regimento Sampaio”, em Batalhão de Infantaria Mecanizado (Escola), o 1º BI Mec (Es). Com a mudança, o Batalhão tornou-se a primeira unidade de Infantaria Mecanizada do Comando Militar do Leste (CML).  Candinho estava presente, formando em lugar de destaque junto aos Oficiais-Generais presentes, testemunhando o momento em que seus irmãos de armas passaram a envergar orgulhosamente a boina preta, característica da tropa blindada e mecanizada. Doravante, Candinho não mais poderá abrilhantar as cerimônias. Pouquíssimos de seus bravos imãos-de-armas ainda estão aqui, e menos ainda possuem mobilidade suficiente para deixar o lar e dirigir-se ao antigo Quartel.

Mas as suas memórias permanecerão eternamente lembradas, a cada cerimônia que marca as vitórias do povo brasileiro contra o nazi-fascimo na 2ª. Guerra Mundial. Que as suas almas se incorporem a Corrente da Vida Eterna.  Neste momento de contrição e reflexão, a Casa da FEB coloca a meio-pau as suas bandeiras, formulando a DD Família, sócios e amigos da ANVFEB, sentidos votos de pêsames pelo passamento do estimado herói Veterano José Candido da Silva.

Casa da FEB, 24 de dezembro de 2020.

A Diretoria:  Dr Breno Amorim, Presidente da ANVFEB/DC – RIO

Patrocinio:    CH GRUPO / TECNOLACH    Espaços Corporativos com Tecnologia e Inovação

Texto e Imagens: Assessoria de Comunicação Social – Casa da FEB     Prof. Israel Blajberg


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