João Beregula: Ex-Combatente

Um livro de Salete Maria Fanin

Professora e Historiadora

“O narrador conta o que ele extrai da experiência – sua própria ou aquela contada por outros. E, de volta, ele a torna experiência daqueles que ouvem a sua história”

Walter Benjamin.

beregulaA Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi o conflito armado mais intenso do século XX. Além de dezenas de países terem se envolvido diretamente, muitos outros foram forçados a tomar parte da guerra. Divididos em Aliados e Eixo, países de todo o mundo enfrentaram-se, resultando na morte de milhões de pessoas e profundas mudanças no cotidiano do mundo inteiro.

A edição deste livro deu-se pela vontade de seu protagonista: JOÃO BEREGULA, ex-combatente na Segunda Grande Guerra. Além de podermos conhecê-lo melhor, a obra deverá deixar registrada sua vida e sua trajetória no cotidiano da Guerra, estendendo este olhar também o pós-guerra, as alegrias e as dificuldades enfrentadas por mais um brasileiro “jogado pelo governo” à sua própria sorte.

Por questões práticas, e pelo curto espaço de tempo proposto para a edição do mesmo, transcrevemos e pontuamos alguns elementos fundamentais da vida do nosso herói de Guerra, hoje com seus frondosos 95 anos de idade.

Para realizar o que está proposto, pretende-se utilizar a metodologia da História Oral. No desenvolvimento deste tipo de pesquisa, observamos o que nos diz Lucila de Almeida Neves:

A história oral é o procedimento metodológico que busca registrar por meio das narrativas; induzidas e estimuladas; testemunhos, versões e interpretações sobre a história em suas múltiplas divisões (2006).

Acreditamos que, em cada época da vida, os homens constroem representações para conferir sentido ao real. Quando tratamos de memória, surgem várias interpretações e, por isso, nos valemos de Jacques Le Goff para a melhor compreensão. Segundo ele:

“Pela memória, temos a propriedade de conservar certas informações que, por nos remeter a um conjunto de funções psíquicas, permite-nos atualizar impressões e informações passadas ou que representamos como passadas” […] “O ato de rememorar, requer um comportamento narrativo, pois se trata da “comunicação a outrem de uma informação, na ausência do acontecimento ou do objeto que constitui o seu motivo”

Jacques Le Goff

Crendo ser fundamental o conhecimento referente à memória de idosos, pretendemos trabalhar com Ecléa Bosi, em seu livro Memória e Sociedade – lembranças de velhos: Porque, por mais nítida que nos pareça a lembrança de um fato antigo, ela não é a mesma imagem que experimentamos anteriormente, porque nós não somos os mesmos de então, e porque nossa percepção alterou-se e com ela, nossas ideias, nossos juízos de realidade e de valor (1994, p. 55). Também Tedesco se refere aos fragmentos da memória de idosos e nos diz:

Os “nonos” querem transmitir. Essa noção de transmissão é muito forte no significado dos relatos. Transmitir às gerações seguintes ensinamentos não apenas com o sentido de linearidade, mas, também, como revisão, comparação, reflexão, crítica à ideia de fim, de ausência, etc. No fundo, está o desejo de uma manifestação de um aprendizado de vida, anos de vida vivida, do desejo de não se deixar levar pelo movimento rápido das coisas.

E o desejo, de transmissão das suas vivências, também é muito claro nas falas de João Beregula que, além de tentar informar, também nos dá lições e conselhos para a vida, que certamente ficarão registrados na memória de quem participou deste processo: a elaboração desta obra imbricada de cultura.

Ao considerarmos a história de João Beregula, um patrimônio cultural do Rio Grande do Sul, nos valemos da quantidade de informações que o mesmo possui de forma muito bem elaborada, também no que diz respeito às datas e nomes, informações essas de grande significado para a história local, regional e, porque não dizer, nacional, visto que o combate foi em defesa de sua nação.

Percebemos que, nos últimos anos, O conceito ‘patrimônio cultural’, avançou para uma concepção entendido como o conjunto dos bens culturais, referente às identidades coletivas. Trata-se, portanto, de um tema que desperta o interesse de muitas pessoas, com a peculiaridade de que, na região, o personagem histórico “Cidadão Planaltense”, é o único sobrevivente da Segunda Guerra Mundial ainda vivo e lúcido, capaz de oferecer informações relevantes desse período da história da humanidade. Deste modo, consideramos que, pelo avançar de sua idade, atualmente com 95 anos, é imprescindível que se faça um trabalho no sentido de preservar sua trajetória.

Temos certeza que, ao cruzarmos os dados obtidos através das diferentes fontes de pesquisa, poderemos obter uma noção fidedigna da trajetória de vida do senhor JOÃO BEREGULA; e, embora não sejamos sabedores das “verdades absolutas” sobre o objeto em questão, esperamos contribuir com a nossa opinião sobre fatos que consideramos relevantes para esta obra.

Esta leitura pretende deixar às futuras gerações principalmente aos descendentes das famílias Beregula e Julcoski, principal motivo deste trabalho, reminiscências do que representou a guerra para esta família tendo seu progenitor envolvido. Certamente todas as crianças desta família nas suas escolas, quando se deparavam com o conteúdo de História voltado aos fatos da Segunda Guerra Mundial, o absorveram e repassaram conhecimentos ímpares, tornando-se também incentivadores, dando vida a este conteúdo; levando muitas vezes seu avô na escola, testemunha viva do acontecimento histórico.

É importante que essas novas gerações, surgidas após o senhor JOÃO BEREGULA, tenham conhecimento do que é uma guerra, do que uma atitude impensada pode causar. Na Segunda Guerra Mundial, milhões de pessoas foram exterminadas e, seria lamentável se isso voltasse a ocorrer em nossos dias. Por isso, a importância de receber um febiano em uma sala de aula, ainda lúcido e interessado em dividir suas vivências com seres tão jovens como os adolescentes, é motivo de aquisição do conhecimento e nunca mais será esquecido.

Finalmente, que esta biografia, agora transformada em livro, vista entre imagens e memórias, possa contribuir para uma história mais ampla. A história de mais um brasileiro, que lutou nos campos de batalha, sobreviveu às mais duras lutas, principalmente as emocionais, vivendo até hoje, e nos repassando conhecimentos.

Contatos:
(54) 9243-0511 (Claro)
(54) 9993-3415 (Vivo)
salefanin@hotmail.com

Fotos:

Salete Maria Fanin

Jornal Folha do Noroeste


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