Homenagem ao Tenente Segisfredo Scuro

Por Pedro Scuro

Ph. D (Leeds, Inglaterra), consultor em diagnóstico e mudança de cultura coorporativa, sistemas e políticas de justiça.

11 de janeiro de 2014

Se Deus já não o tivesse levado, meu pai estaria comemorando hoje 95 anos de idade. Ei-lo aqui com seu pelotão, embarcados para a frente de combate na Itália, de onde retornou ferido, cheio de glórias, um cachorro que chorava quando o ouvia no telefone, uma cuia e uma bombilha de chimarrão.

Meu pai era duro com seu pelotão, assim como era duro com a gente em casa, mas todos sem exceção o amávamos profunda e incondicionalmente.

Pessoalmente devo-lhe, além do sangue verde-amarelo que corre em minhas veias, o gosto pela política comprometida com a soberania nacional e a elevação do nível de vida e de consciência do povo brasileiro. Devo-lhe também a ajuda fundamental quando precisei deixar o país e ir estudar no exterior, até mesmo o passaporte quando as autoridades me negaram. Devo-lhe, fiquei sabendo recentemente (e não pude agradecer), até mesmo a vida, quando os irmãos Geisel decidiram assassinar de forma sumária, covarde e injustificada vários resistentes ao regime fascista, e eu só sobrevivi porque meu pai intercedeu ao ministro do Exército, general Dale Coutinho, um febiano.

A mão de Deus, porque o general morreu logo em seguida à minha soltura. A mão de Deus que levou meu pai para junto de si.

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Sargento Segisfredo Scuro (segundo, da esquerda para a direita), aos 27 anos, atravessando o Atlântico a caminho da frente de batalha.


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1 comentário

  1. José soares /

    Parabéns a todos que lutaram e lutam pela pela Democracia.O sargento

    Segisfredo Scuro morará eternamente em nossos corações.

    Viva o Brasil.

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