Estanislau Michaloski – A Vingança do Imigrante

O continente europeu passou por períodos turbulentos entre os séculos XIX e XX, culminado por guerras sangrentas, crises econômicas e fome. A população iludida é atraída por campanhas incentivando uma nova oportunidade de vida em paraísos tropicais ao atravessar o Oceano Atlântico.

Imigrantes de diversas origens como italianos, alemães, japoneses e poloneses trouxeram para o Brasil novas técnicas agrícolas, contribuindo no abastecimento do mercado interno e produzindo com maior eficácia em menos tempo.

O paradoxo da dupla nacionalidade nas Forças Armadas foi objeto de estudo nas duas obras do professor Dennison de Oliveira da Universidade Federal do Paraná: Os Soldados Brasileiros de Hitler e Os Soldados Alemães de Vargas (Editora Juruá, 2008). Oliveira aborda com delicadeza o assunto, citando casos extremos como os irmãos Gerd Brunckhorst (9º Batalhão de Engenharia da FEB) e Paul Heinrich Brunckhorst (convocado pela regime nazista e morto na Frente Oriental), que lutaram em lados opostos na guerra.

Esta contribuição refletiu também nas Forças Armadas Brasileiras, quando filhos de imigrantes contribuíram com o esforço de guerra no Exército, Marinha e Força Aérea. A Campanha da Força Expedicionária Brasileira teve como destaque condecorados herois como o Sgt Max Wolf Filho (11º RI), Tenente Ary Rauen (11º RI), Massaki Udihara (6º RI) e Raul Kodama (2ª Bateria do 1º Grupo do 2º Regimento de Obuses Auto-Rebocado).

Estanislau Michaloski – A Vingança do Imigrante

estannislauHoje conheceremos o expedicionário Estanislau Michaloski. A sua família imigrou para o Brasil com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e contribuiu para a fundação da colônia polonesa de Bromado, em Palmeira (PR). Era filho de Ignacio Muchinsky (Muszynsky) e Francisca Szuf, que dividiam as atividades agrícolas de subsistência em sua pequena propriedade com outros 8 filhos.

”Também já fui fuzileiro do batalhão brasileiro, voluntário eu fui lutar;
Lá nos campos italianos eu vi sangue a derramar, eu vi brasileiro avançando no alto daquela serra, é uma folha de glória, no livro da nossa história e o preço dessa vitória pagamos caro;
Na guerra não me saí da lembrança o lugar onde descansa, os heróis anônimos da minha terra”

Estanislau Michaloski foi Atirador do Tiro de Guerra 343 (Palmeira-PR) e convocado para a Força Expedicionária Brasileira e mobilizado para o 11º Regimento de Infantaria, sediado em São João del-Rei – MG (Sd /5G-28639 / Centro de Recompletamento de Pessoal)

Glória da nação, é o significado do seu nome. Nasceu na Polônia e veio para o Brasil, assim como outros imigrantes, na busca de paz e tranquilidade […]

Não sabendo falar muito o idioma português, foi aprendendo com o tempo. Jovem com traumas do passado em razão do caos que fez deixar sua terra natal […]

Então, decidiu pelo Brasil na guerra se alistar.

O 11º RI atuou com destaque na conquista de Montese, situada em uma localidade fortemente defendida pelos alemães, com densos campos de minas e fogo cerrado das metralhadoras inimigas em combate urbano. A Batalha de Montese é considerada por muitos como o palco da mais árdua e sangrenta conquista da Campanha da Força Expedicionária Brasileira.

“Pessoas deitadas ao monte eu vi;
Pessoas tentando sobreviver, morrendo eu vi;
Rezava para meu santo para me defender, porque na guerra não saberia qual lado iria vencer […]
Atirar no inimigo não foi fácil. Vivo eu saí, vitória da guerra eu vivi, nas minhas memórias carrego as histórias. Histórias que serão lembrados com honra e glória, registrado nos livros de historias”

    thyz Thyź Muszyńsky, neta do veterano, eternizou em sua pele uma homenagem ao avô

”Vô…meu vôzinho, se estivesse vivo aqui, iria ouvir do senhor cada história, a cada trajetória que o senhor percorreu. Aonde estiver, saiba que te amamos!

Honrado será seu nome em nossas lembranças!

E a cobra fumou”

A memória de Michaloski será eternizada na obra “A Vingança do Imigrante“, por Thyź Muszyńsky. Muszyńsky é neta do veterano e autora das obras “Uma Polonesa no Brasil – Do Passado ao Futuro” e “Elas Também Jogam – A Vida de Uma Menina em Jogos On-Line” (Biografia e Autobiografia).

Thyź Muszyńsky dedica a sua obra aos filhos do veterano Estanislau: Gilda Muchinski Glaci Muchinsky Olga Muchinski e Estanislau Osvaldo

Aos netos Alvaro Muchinski AnaAline K Tiske Samoel Muchinsky Coelho Thyz Muszynsky

Aos escritores Derek Destito Vertino e Marcelo Costa

Ao noivo Sylvio De Vincenzo Junior


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

Deixar um comentário

Premium WordPress Themes