Edgard Silveira Nunes – Herói de Tupanciretã

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Edgard Silveira Nunes, nasceu em Tupanciretã, no Rio Grande do Sul,no dia 12 de setembro de 1926. Foi abandonado pelo pai e a situação complicou quando sua mãe morreu quando ele tinha cinco anos de idade. Adotado pelo tio materno e cansado dos maus tratamentos, fugiu de casa aos 12 anos para o Rio de Janeiro, na esperança de uma vida melhor. Aos 16 anos, se alistou como voluntario na II Guerra Mundial, no 6° Regimento de Artilharia Montada, partindo para a Itália no 5 Escalão, no dia 8 de fevereiro de 1945, a bordo do navio General Meigs e desembarcando em Nápoles, no dia 22 de fevereiro.“ Lembro que naquele dia estavamos em um treinamento dentro do navio americano, em alto mar, depois de algum tempo fomos avisados que nao era um treinamento, mas que estavamos partindo para a guerra. Começamos a passar mal ”, contou ele.

Não sabemos com exatidão em que batalha nosso pai combateu. Tampouco sabemos ao certo como conseguiu as marcas de balas que tinha no corpo. O pouco que sabemos eram frases curtas, que saíam como se tivessem escapado, sem intenção. “Sem detectores de minas, mas precisando passar por determinada área, estava em um jeep com um amigo tenente, fomos vitimas de uma mina que explodiu e o tenente morreu mutilado. Eu sai ferido na cabeça.”

As únicas evidências da sua passagem no palco de operações na Itália são o diploma da medalha da Cruz de Malta, a bênção do Papa João XXIII, as fotos com amigos e uma profunda tristeza que o acompanharia até a sua morte em 2001. Pesadelos, dores de cabeça, alucinações, insônia, agressividade e comportamento auto-destrutivo. E neste “front” não se esperam homenagens, desfiles e medalhas, mas somente um grande vazio, sofrimento e recordações difíceis de esquecer.

Mas as pessoas querem fatos históricos. Quando éramos crianças também queríamos que ele nos enchesse de histórias sobre a campanha na Itália. Mas nosso pai era prisioneiro de suas recordações e segredos dos campos de batalha. Por que ele não desfilava junto aos outros pracinhas durante a semana da Pátria? A resposta se mantém clara na nossa memória: “Não tenho nada para me orgulhar. Se existem heróis, esses estão entre a população civil”. Desde então, nunca mais foi possível observar essa e outras histórias sem que pensasse em pessoas. Muito além de estratégias, deslocamentos de pelotões, tecnologias empregadas, número de baixas. As vezes achamos que nosso pai também foi vitima de imcompreensão social, pois para ele retornar a vida “normal” depois de uma experiencia deste tipo, ele precisou continuar se sacrificando, sozinho com as suas dificuldades para voltar à vida civil.

A história do nosso pai é interessante por revelar uma face humana diante do que foi a campanha da Força Expedicionária Brasileira -FEB na Itália, para além das estratégias e planos de combate. A sua grandeza está na capacidade de nos lembrar que é preciso haver espaço para as diferentes experiências vividas naquele momento. Uma história sobre essa expedição que não dê voz àqueles que recorreram ao silêncio como forma de amenizar o sofrimento não será uma história justa.

Créditos: Marcia e Magda Villanova Nunes / FEB: O Herói Esquecido


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1 comentário

  1. Fernando Eduardo Nonnenmacher /

    Ao ler esta historia,eu não cheguei a conhece lo mas meu falecido pai conheceu, se é a mesma pessoa que falamos, ele aos 12 anos ao fugir da casa de seus pais, foi morar com um tio meu, até os 18 anos, ai foi embora e se alistou na FEB. Quando ele vinha nos anos 70 em tupancireta ele visitava meu pai, se ee for primi do sr. Leo Silveira Alves. Meu tio tirou ele da rua e levou para casa onde morava tambem meu pai e outro menino abandonado pela familia.

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