De herói de guerra a escritor

Joaquim Xavier da SilveiraFoto: Joaquim Manoel Xavier Silveira em estúdio

Por Adriel França¹

Dos muitos expedicionários amazonenses que partiram para a Itália entre 1944 e 1945, vários deles não saíram de Manaus em direção ao Rio de Janeiro. Alguns já estavam lá, como é o caso de Joaquim Manoel Xavier Silveira.

Nascido em Manaus no dia 6 de junho de 1923, alistou-se no Exército aos 18 anos, indo servir no tradicional 27°BC (Batalhão de Caçadores), atual Colégio Militar de Manaus. Em 1942, o rapaz foi transferido para o Rio de Janeiro onde foi servir no 1°Regimento de Infantaria, o “Regimento Sampaio”.

Em 1943 entrou para a Faculdade Nacional de Direito, mas, viu-se obrigado a interromper o curso, devido o Brasil estar se preparando para enviar tropas ao front italiano.

Embarcou para a Itália no dia 22 de setembro de 1944, integrando o 2° escalão da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Junto com o jovem foram mais 5.075 homens, transportados pelo navio americano “General Mann”. Nesse mesmo dia, partiu o 3° escalão, levando outros amazonenses.

Joaquim desembarcou em Livorno no dia 11 de outubro, sendo designado para servir no “Pelotão de Transmissões da Companhia de Comando”, era operador de rádio. Atuava juntamente com as forças de primeira linha de ataque, acompanhando o avanço da tropa e garantindo a comunicação com os postos de comando. Joaquim participou do ataque vitorioso a Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945. Naquele mesmo ataque, também estava outro amazonense, o comandante do 2°Batalhão do 1°Regimento de Infantaria, o major Syzeno Sarmento, nascido em Manaus em 1907.

Após seu retorno ao Brasil já no final do ano de 1945, Joaquim da Silveira foi condecorado com a “Medalha de Campanha da Itália”, uma das muitas medalhas que ganhou durante sua vida. Iniciou as suas atividades privadas após o fim da guerra, em 1946, tornando-se escrivão juramentado na 1° Vara da Fazenda Pública, foi também diretor-presidente da Companhia Siderúrgica do Gandarela em Minas, entre 1951 e 1958. No mesmo período foi consultor jurídico da Companhia Docas de Imbituba, da Companhia de Carvão do Barro Branco e da Companhia Carbonífera de Araranguá. Além de que pode diplomar-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito em 1960.

Joaquim ocupou relevantes cargos na iniciativa pública e também privada, chegou a ser chefe de gabinete do Ministro do Trabalho e Previdência Social, Secretário de Comércio e foi o primeiro presidente da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) entre 1967 e 1972.

Era associado do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil onde ocupava a cadeira 89, sob o patronato de Olavo Bilac, que também tornou-se patrono do serviço militar do país.

Joaquim Manoel foi autor de quatro livros, dois sobre sobre sua atuação profissional em turismo, comércio e problemas portuários, e outros dois livros, já estes, sobre a FEB, são eles, “Cruzes Brancas: Diário de um Pracinha” e “A FEB por um soldado”. Estes dois últimos, são muito conhecidos no meio dos pesquisadores de História Militar do Brasil. O amazonense faleceu no Rio de Janeiro em 26 de dezembro de 2009 deixando vasto legado.

¹Publicado originalmente no Jornal do Commercio

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