Breve balanço da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial

Desde o dia 2 de julho de 1944, quando o primeiro escalão da FEB seguiu em direção à Itália, os expedicionários brasileiros combateram durante sete meses e dezenove dias na Itália, tendo iniciado sua campanha em 16 de setembro, quando um batalhão do 6º Regimento de infantaria iniciou sua marcha na frente do rio Serchio, em uma ação que resultou na conquista de Camaiore.

A FEB lutou em duas frentes, a primeira, no rio Serchio no outono de 1944, e a segunda e mais difícil a do rio Reno (na Itália, não Alemanha) ao norte de Pistoia (na cordilheira dos Apeninos). Neste TO, partindo do Quartel General de Porreta-Terme, a FEB conquistou Monte Castelo (22 de fevereiro) e Montese (14 de abril).

A campanha brasileira na Itália concluiu-se a 2 de maio de 1945, quando foi declarado o cessar fogo no front italiano. De um total de 25.445 soldados enviados ao front o Brasil contabilizou 443 baixas e cerca de 3.000 feridos. Sobre a composição da tropa, que consistiu em uma Divisão de Infantaria Expedicionária, 98% dos oficiais eram militares de carreira, enquanto entre os Praças, 49% eram civis que foram recrutados para a luta.

As unidades integrantes da Divisão de Infantaria Expedicionária foram:

- 1º Regimento de Infantaria (Sampaio) RJ. (152 baixas)

- 6º Regimento de Infantaria, Caçapava – SP. (109 baixas)

- 11º Regimento de Infantaria, São João Del Rei – MG. (134 baixas)

- 4 grupos de artilharia.

- 9º Batalhão de engenharia, Aquidauana – MT.

- 1 esquadrão de reconhecimento (cavalaria).

- 1º Batalhão de Saúde, organizado em Valença.

- e tropas especiais, corpos auxiliares e 67 enfermeiras

Com o fim da guerra na Europa, os expedicionários brasileiros foram convidados para comporem uma força de ocupação na Áustria, convite prontamente recusado pelo governo Vargas, que se empenhou em trazer de volta e desmobilizar o mais rapidamente possível a FEB, ofuscando os feitos desta no combate a regimes totalitaristas com os quais seu governo guardava muitas semelhanças. Mesmo com o pronto restabelecimento da democracia, mediante eleições presidenciais no final de 1945, os feitos da FEB na guerra foram sendo esquecidos e hoje, muito pouco se conhece sobre as batalhas de Monte Castelo, Castelnuovo, Montese, Camaiore, e tantas outras regiões da Itália libertas pelos soldados brasileiros. Infelizmente, enquanto nossos veteranos tem total reconhecimento e gratidão da população italiana, aqui no Brasil continuamos ignorando seus feitos.

Medalhas e LembrançasQuando comparado ao esforço empreendido por outras nações, que enviaram bem mais do que uma Divisão de Infantaria e um Esquadrão de caças-bombardeio, os números da participação brasileira se revelam modestos porém, ao considerarmos o contexto em que as Forças Armadas Brasileiras se encontravam na década de 1930: com material bélico defasado e obsoleto, em quantidades insuficientes para prover a mínima defesa ao país; e ainda, a doutrina da tropa ainda estava sob influencia da missão militar francesa dos anos vinte, não podemos ignorar as conquistas alcançadas pelos brasileiros, especialmente nas batalhas de Montese (combate em ambiente urbano onde, cada janela pode abrigar uma metralhadora) e Monte Castelo (combate em montanha) onde os soldados colheram importantes resultados com o mínimo de baixas.

Este pequeno artigo consiste em um breve resumo da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, destinando-se a estimular a reflexão sobre a maneira como “cultuamos” heróis estrangeiros em detrimento de nossos próprios heróis. A campanha da FEB durante a Segunda Guerra mundial é a história de gente simples, pessoas que vieram do morro, do engenho, dos cafezais, da boa terra do coco, da choupana onde um é pouco…

Colaborador: Anderson Luiz Salafia
Licenciado em História pela UNISA.


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58 comentários

  1. Cassio eloi vieira /

    Meu falecido tio voutou da segunda guerra, ele foi do regimento 11de sao João dei rei mario Joaquim vieira

  2. JGuilherme RCharpinel /

    Estou a procura de um velho e mt amado conhecido da mh Familia.
    Morador nos anos 40 de Cachoeiro do Itapemirim/ ES, de nome: Julio Pinto (nome q lembramos).

    Serviu como pracinha na 2ª Guerra – Itália, e logo depois, nos parece, veio a residir no Rio de Janeiro, desde então nunca mais tivemos notícias.

    Se alguém souber de algum contato ou conhecimento, seriamos, eu e mh Família, mt agradecidos.
    Obrigado.

  3. Flávia Maria Batista /

    Oá.
    Gostaria de saber onde encontro mais informações sobre a participação do meu avô na Segunda Guerra. Seu nome era Agenor Batista de Oliveira, é do interior do Paraná, nascido na cidade de Pinhão e ao que me consta ele era cabo esclarecedor. Esteve na batalha de Monte Castelo.

    Atenciosamente.

  4. Flávia Maria Batista, Agenor Batista de Oliveira nasceu em Entre Rios.

  5. AKIRA OBARA /

    Por favor, seria possível enviar-me a relação dos descendentes de japoneses que participaram da 2a Guerra Mundial – particularmente da FEB.
    Atenciosamente

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