Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Hilda Ribeiro

QUANDO O GESTO É NOBRE, ELE MERECE SER LEMBRADO

Fiodor Dostoievski escreveu que algumas coisas não devem ser contadas, exceto aos amigos; outras coisas não devem ser contadas, mesmo aos amigos; finalmente, existem coisas que não se contam nem a si mesmo! Particularmente penso que o pensador perdeu uma ótima oportunidade de acrescentar em sua sábia frase que há coisas que precisam ser espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

Uma dessas coisas, inquestionavelmente, foi à atuação das enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira. 73 bravas mulheres que compartilharam um sonho e buscaram juntas uma verdade única. A tentativa de salvar o maior número de vidas possíveis no meio de um dos piores conflitos da humanidade.

No dia 6 de maio de 1917, na cidade de Conchas, Estado do Paraná, nascia uma dessas bravas guerreiras da vida. Os pais, Antonio José Ribeiro e Balbina Santana Ribeiro, deram à futura heroína o nome de Hilda Ribeiro. Segundo os estudiosos do assunto “Hilda” é um nome de origem Teutônica cuja composição significa “Grande Batalha”.

Hilda encontrou-se com o significado do seu nome após a formação nos cursos de Enfermagem Samaritana da Cruz Vermelha Brasileira (CVB) e no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE). Foi convocada para guerra pela Portaria nº 7.108, de 9 de agosto de 1944, embarcando para Itália com 14º Grupo, em 19 de novembro do mesmo ano. Até Nápoles uma tranquila viagem realizada via aérea. De Nápoles até a unidade de Saúde designada, o trajeto foi feito via marítima.

Ao chegar em Livorno, Hilda assumiu imediatamente as suas funções no 7th Station Hospital, em Livorno. A chegada à Itália marcaria a última etapa que começara com a publicação de uma chamada no jornal “O Globo”, de 9 de outubro de 1943, solicitando que mulheres que possuíssem qualquer diploma de Enfermagem se apresentassem para seleção. O limite de idade exigido era entre 18 e 36 anos. Na época, Hilda tinha 26.

Foram sete meses de intensos serviços prestados a Força Expedicionária Brasileira. No dia 9 de maio de 1945, Hilda regressava para o Brasil e após a publicação da Portaria 8.267, de 14 de maio de 1945, a enfermeira era licenciada levando em seu peito as medalhas de Campanha e de Guerra pelos excelentes e exemplares serviços prestados ao Exército Brasileiro.

Até hoje, não se sabe quantas vidas foram salvas pelas enfermeiras da F.E.B. Porém quando o gesto é nobre, ele merece ser lembrado. 73 bravas mulheres compartilharam um sonho e buscaram juntas uma verdade única. Hoje, podemos afirmar que elas conseguiram o que queriam: salvar vidas. Parabéns enfermeiras. Parabéns Hilda Ribeiro.

 

Fonte de apoio e consulta:

VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS; Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

Deixar um comentário

Weboy