A Força Expedicionária no mundo acadêmico

Tradicionalmente o brasileiro é taxado de ter a memória curta, isso quer dizer que lhe é peculiar o pouco interesse com seu passado de seu país, em vários aspectos discordamos dessa posição, contudo existem características no Brasil que nos arremata para esse tipo de pensamento. E uma delas é a FEB, isso mesmo, a Força Expedicionária Brasileira é um assunto pouco expressado no meio acadêmico, a participação brasileira no conflito mundial de 39 a 45 é um grande território de estudo para as diversas universidades do país, contudo o tema pouco valorizado, as obras e estudos que têm como área de pesquisa a mobilização, atuação, resultados e desmobilização da Força Expedicionária Brasileira são de pouquíssimos autores em comparação a outros períodos da história brasileira. Nesse cenário, a memória dos que combateram no Teatro de Operações Europeu ficou sob a responsabilidade dos filhos, netos e bisnetos dos ex-combatentes que têm lutado com a mesma garra de seus antepassados para manter viva a honra que esses combatentes conseguiram nos campos de batalha italianos. Nessa “guerra” injusta contra a ignorância histórica fica mais difícil com o passar dos anos e daqui a alguns anos quando os ex-combatentes nos deixarem as Associações estarão enfadados ao esquecimento se não houver um mudança de atitude no trato com a memória desses homens que viram a guerra e voltaram sob a égide da vitória para o país, mas também destinados ao esquecimento do governo que os enviou.

Existe um grupo de intelectuais que critica e questiona firmemente a atuação da FEB nos campos de batalha italianos, entre os quais posso citar William Waack, um dos maiores jornalista que esse país possui é também autor do livro As Duas Faces da Glória, que trás uma visão jornalística das relações do Brasil com os demais Aliados, e se baseia em documentos trocados entre os ingleses e americanos juntamente com entrevistas de combatentes alemães que lutaram contra a FEB na campanha da Itália. Bem, claro que essas discussões são pertinentes e, até salutar, para o debate sobre a participação brasileira, contudo o ponto passivo entre os estudiosos e aficionados pelo assunto é a bravura dos soldados brasileiros no combate, isso deve ser o elemento central na exaltação da memória das futuras gerações. Uma divisão expedicionária que foi formada com soldados com claras deficiências físicas, com pouca ou nenhuma instrução, saídos de um exército que até anos antes tentou golpes de Estado que foram planejados e executados por membros de suas fileiras, um exército cujo último conflito de grandes proporções foi uma controversa guerra contra seu próprio povo, em uma cidade chamada Canudos, ainda no século XIX; e a FEB foi criada sob as ordens de um Estado ditatorial para lutar contra uma nação de regime semelhante, guardada as proporções. Essa divisão foi formada com soldados que, aparentemente, não foram bem vistos por seus Aliados, mas que no decorrer das missões mostrou-se ser de extrema bravura individual, lutando contra um inimigo experiente, vindos de outros fronts como a campanha russa, membros da temida Afrika Corps, um povo que estava lutando desde o final do século anterior. Nossos soldados foram viris frente a este inimigo, deixando de lado suas limitações logísticas e físicas demonstraram serem dignos da frase do grande escritor Euclides da Cunha, quando se referiu ao povo que o exército enfrentara na guerra de canudos – O nordestino é acima de tudo um forte, escreveu ele em sua obra-prima Os Sertões – no caso da FEB, não apenas o nordestino, mas o brasileiro se mostrou forte, enfrentando o seu oponente e todas as limitações, enfrentando o tempo, e o rígido inverno europeu, mesmo saído das regiões tropicais e nunca ter visto neve, lutou na neve, vencendo um inimigo árduo, o frio. Pode-se escrever livro questionando as operações da campanha, mas deveríamos escrever dez vezes mais, sobre a coragem dos febianos para deixar de legado para as próximas gerações.

Fechando o ciclo de exemplos que podemos elencar na busca pelo reconhecimento dos nossos brasileiros que lutaram em solo estrangeiro, podemos citar os 17 de Abetaia que foram cercados e mortos no ataque em 12 de dezembro de 1944 no Monte Castelo, seus corpos só foram recuperados após o ataque de 21 de fevereiro de 1945, e devido o frio extremo, todos estavam bem conservados, muitos ainda com o dedo travado no gatilho de seus fuzis, enquanto outros estavam com granadas na mão e sem o pino de segurança, morreram todos em formação semi-circular, cercados, mas face a face com o inimigo, encarando-os até a morte. Homens bravos! Brasileiros Bravos!

Escrito por Francisco Miranda – Proibido reprodução ou publicação sem autorização


“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”


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4 comentários

  1. JACIRA MARIA CEREZA GOMES /

    Estou tentando receber do ME , cópia da certidão de tempo de serviço de ADYR SERRA. Tenho informações de que ele foi convocado a participar da 2ª Guerra Mundial. Ele deixou um filho inválido, portanto ele tem direito a pensão especial.
    O ME , não localiza nos arquivos nenhum documento dele. Embora ele já tenha falecido eu já consegui,atestado de óbito,certidão de nascimento,CPF e cart. de ident. IFP.
    O certificado de reservista e a cart. de identidade do ME sumiram !!!!!!Tenho cópia de protocolo 16.08.73,de entrega certidão de tempo de serviço emitida pela 1ªRM – Ofício 1334/AjG-1 – Prot.3104/AjG. Assinado pelo comandante ABDON SENNA(1ªRM). Poderiam me ajudar a localizar esta doc. JACIRA

  2. Demócrito Mange Dumangin /

    Rapaz, você está precisando atualizar sua bibliografia.

  3. Tive sorte de conhecer um combatente, ele era da FEB, ele contou a historia o porque da cobra fumando, ele tinha cada itens da segunda guerra e cada historia maravilhoso…

  4. lutamos contra a ignorancia e o esquecimento gloria a F.E.B

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