123 anos do Colégio Militar do Rio de Janeiro

Transcorreu anteontem o 123 º aniversário do Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Transcrevo abaixo o seu resumo histórico (extraído do site do CMRJ).

O nosso abraço a todos os companheiros, que como eu, foram alunos desse exemplar Colégio, o que nos enche de orgulho.

Colégio Militar – o sonho de Caxias

Tendo assistido e até combatido em dezenas de contendas internas como a Setembrada e Novembrada (Pernambuco – 1831), a Abrilada (Pernambuco -1832), os Cabanos (Pernambuco e Alagoas – 1832/1834), a Revolta dos Malés (Bahia – 1835), a Cabanagem (Grão-Pará – 1835/1840), a Guerra dos Farrapos (Rio Grande do Sul – 1835/1845), a Sabinada (Bahia – 1837), a Balaiada (Maranhão – 1838/1841) e em guerras externas (1850) contra Rosas, da Argentina e Oribes do Uruguai, o coração do Duque de Caxias entristecia ao verificar que milhares de órfãos e filhos de soldados, que tombaram ou ficaram inválidos na defesa da Pátria e do Governo, estavam ao desamparo da proteção do Estado e da Sociedade.

Assim, em mais um ato de patriotismo e de humanidade, Caxias propõe ao Senado, em 1853, a criação “de um colégio militar que amparasse os órfãos e os filhos dos soldados que morreram ou viessem a morrer, ou se inutilizassem na defesa da Independência, da Honra Nacional e das Instituições”.

Como não obteve êxito em sua primeira tentativa, Caxias propôs novamente, em 1862, a criação do Colégio Militar na Fortaleza de São João, na Urca, mas a indiferença, principalmente, do Imperador, que era um filósofo e antimilitarista, não permitiu, mais uma vez, sua proposta ir adiante.

A concretização do sonho

Em 1867, o Visconde de Tocantins, irmão de Caxias, comerciante e coronel da Guarda Nacional, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, iniciou uma subscrição pública para “a criação do Asilo dos Inválidos da Pátria, para onde seriam recolhidos e tratados os soldados na velhice ou os mutilados de guerra, além de ministrar a educação aos órfãos e filhos de militares”, e que contou, inclusive com a força do poeta baiano Castro Alves que cantou em “Quem dá aos pobres, empresta a Deus”.

A inauguração do Asilo se deu em 29 de julho de 1868, sendo regido pelos estatutos da “Sociedade do Asilo dos Inválidos da Pátria” que foram aprovados por Decreto Imperial Nr 3.904, de 03 de julho de 1867. Com o passar do tempo, o Asilo foi desempenhando o papel social para que fora fundado, porém o educandário não foi para frente, ficando no esquecimento.

Em 1885, os integrantes da Associação Comercial do Rio de Janeiro deram-se conta que, em rareando os sócios da Sociedade do Asilo, em pouco tempo não mais restaria um único elemento para compô-la, administrá-la e representá-la. Deixaria, pois, de existir.

Homens de negócios desassossegaram-se com a descoberta, pois equivaleria a vultuoso prejuízo, e dispuseram-se a “proteger” o patrimônio da Sociedade e do Asilo, propondo fundir as duas instituições, a Associação Comercial e a Sociedade do Asilo.

Em 23 de julho de 1885, lavrou-se a escritura em que a “Sociedade do Asilo dos Inválidos da Pátria” e a “Associação Comercial do Rio de Janeiro” praticaram sua fusão. O feito, comercial e rotineiro, foi objeto de protestos e reações que o qualificaram de ilegal.

Thomaz José Coelho de Almeida assume o cargo de Ministro da Guerra, em 10 de março de 1888, em um clima de declarada desconfiança, antipatia e animosidade que lavrava entre a oficialidade militar de terra, o governo civil e a classe política.

Em suas prolongadas reflexões, o detentor da Pasta da Guerra chegara à conclusão de que mais fácil de obter, não gerador de suscetibilidades, bem eficaz e convincente, em face do apaziguamento das mentes, seria criar um estabelecimento de ensino para ministrar instrução e educação aos filhos e netos de militares. Quanto mais cogitava a respeito do assunto, mais se capacitava de que a obra benemérita, a que seu nome se vincularia, era um empreendimento de elevado alcance, fadado a perdurar e a gerar frutos esplêndidos.

Assim, Thomaz Coelho passou a formular os planos, debatendo os tópicos que ocorriam: o nome da instituição, suas finalidades, suas características, seu regulamento, seu Corpo Docente, uniformes, currículo e muitos outros itens. Esbarrou, todavia, em dois obstáculos de difícil transposição, mas que teriam que ser desbordados, sem grande desgaste político e demora.

O conhecimento que Thomaz Coelho tinha dos homens e, principalmente, dos negócios; os entraves com que a Associação Comercial estava se defrontando par ver oficializada a fusão pretendida e escriturada; os juros vencidos das apólices, que a Associação não podia receber e incorporar ao seu patrimônio e o impasse criado com as reclamações que consideravam ilegal a fusão constituíam elementos de peso para tornar vitoriosa a campanha idealizadora do educandário.

Esses fatos permitiram ao habilidoso Ministro vislumbrar aspectos decisórios favoráveis: o Erário não arcaria com as despesas maiores, principalmente a da compra do imóvel, sede do educandário e a da manutenção do mesmo (dois obstáculos de mais difícil transposição encontrados).

Como a fusão se realizara há quase três anos e a Associação ainda não tinha logrado êxito em obter a homologação oficial, acarretando desprestígio e prejuízo, os homens do comércio desejaram que se ajustasse logo um acordo. A 25 de abril de 1888, um mês e meio depois de assumir o cargo de Ministro de Guerra, Thomaz Coelho conseguia a Imperial Resolução declaratória de que a Associação Comercial ficava sub-rogada em todos os direitos e obrigações da Sociedade do Asilo dos Inválidos da Pátria. Isto é, ficaria obrigada a manter, não apenas o Asilo, mas também, o educandário

Numa operação triangular envolvendo o Ministério da Guerra, a Associação Comercial do Rio de Janeiro e o Asilo dos Inválidos da Pátria, foi concretizada a idéia de criação do Colégio Militar: o Ministério da Guerra homologava a incorporação do Asilo ao patrimônio da Associação que compraria o prédio a ser entregue ao Ministério para instalar e administrar o Colégio Militar.

Em 09 de março de 1889, Sua Majestade , o Imperador Dom Pedro II, dispôs-se a assinar o importante Decreto de Nr 10.202 que aprovou para o Imperial Colégio Militar o seu primeiro regulamento.

Sua divulgação ocorreu em 05 de abril de 1889 por intermédio da Ordem do Dia para o Exército de Nr 2251 .

A ânsia de Thomaz Coelho de pôr em funcionamento o Colégio, levou-o a fazer, em 07 de abril de 1889, sua primeira visita oficial ao Palacete da Baronesa de Itacurussá, cujo terreno fazia esquina com as ruas São Francisco Xavier e Barão de Mesquita, e se prestava a servir de sede do Colégio Militar. Em 29 de abril de 1889, foi lavrada a escritura de compra e venda do Palacete da Babilônia, assim chamado carinhosamente pelos “cadetes de Thomaz Coelho”.

Por fim, no começo de maio de 1889, dois avisos importantes do Ministério da Guerra: o do dia 02, concedia licença aos candidatos inscritos para serem matriculados e o do dia 04 determinava que a abertura das aulas se realizasse dois dias depois.

06 de maio de 1889, autoridades e convidados reunidos no Salão de Honra do Palacete da Babilônia, o Coronel Antônio Vicente Ribeiro Guimarães Comandante do Imperial Colégio Militar declarou que estava autorizado pelo Exmo. Sr. Conselheiro Thomaz José Coelho de Almeida, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra a inaugurar os trabalhos do Imperial Colégio Militar.

Após a leitura do Decreto de Criação e da relação do pessoal docente e administrativo, foi dada a palavra ao Conselheiro Barão Homem de Melo, orador oficial e Decano do Corpo Docente que proferiu odiscurso de inauguração.

No mesmo dia (06 de maio), foram considerados matriculados e receberam os respectivos números de ordem, os primeiros quarenta e quatro alunos. A presença deles representou a inequívoca realidade da existência do Educandário. Desde então, o antigo Palacete da Babilônia, que ainda hoje nos encanta a vista, é sede de um grande viveiro de jovens estudantes, que se revezam em número crescente de geração em geração.

Canção do CM (anexa)

 

Somos, jovens, destemidos

E vibramos: a marchar

Os alunos sempre unidos

Do COLÉGIO MILITAR

Nossa luta nos ensina

A vencer, a ter pujança,

E lutamos, só domina

Nosso peito a esperança

Estribilho:

Companheiros leais, trabalhemos

E faremos

Num esforço, vibrante e febril

Desta casa que amamos, um templo,

Um exemplo,

Grandioso de amor ao Brasil!

Aqui Pátria, nós sabemos

Quanto és grande em terra e mar;

Teu valor nós aprendemos

Aprendendo a só te amar!

Nosso culto é o mesmo, agora;

Que o dos nossos pais e avós,

E alguém que mais te adora!

Não te adora mais que nós!

Prossigamos na Porfia,

Estudemos a valer

Com denodo e alegria

A cumprir nosso dever.

Mas um dia o pranto há de

Nossos olhos inundar

Ao chorarmos a saudade

Do COLÉGIO MILITAR

Baixe a Canção em mp3

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Colaborador: 

Revista revista@clubemilitar.com.br


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