Um herói carioca-amazonense

Por Adriel França, autor do projeto ‘Guerreiros do Amazonas

Jaime Carvalho3O carioca Jayme José de Carvalho viveu em Manaus por 30 anos, de 1968 a 1998, mas sua história de vida começou bem antes. Jayme foi um herói de guerra, integrante da FEB (Força Expedicionária Brasileira) e, mesmo não tendo partido daqui (Manaus) para a Itália, seu nome consta no mural localizado na praça Duque de Caxias, em frente ao quartel do 1º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), no São Jorge, junto com os nomes dos amazonenses que integraram a FEB.

Jayme nasceu em 7 de novembro de 1916, no Rio de Janeiro, filho de Manoel Herculano de Carvalho e Carlota Hildebrandt de Carvalho, ela, descendente de alemães.

O menino teve uma infância difícil, com a família passando por dificuldades financeiras. Com 18 anos, o rapaz ingressou no Exército onde atuou como correeiro (pessoa responsável em fabricar peças de couro, correias e outros objetos) no 1° Regimento de Cavalaria Divisionária.

Em 6 de novembro de 1943, trabalhando como Guarda Civil, Jayme foi convocado para fazer parte da FEB, embarcando no 4º escalão, em 23 de novembro de 1944, a bordo do navio General Meiggs, sob o comando do coronel Mário Travassos. O escalão chegou a Nápoles em 7 de dezembro daquele ano.

Na Itália, Jayme serviu como esclarecedor, cuja função era ir na frente da tropa e dar as informações sobre como se encontravam as posições inimigas, função arriscada, que poderia lhe render a vida. Até hoje o esclarecedor existe nas fileiras do Exército.

Quando retornou da Itália, Jayme havia sido demitido da Guarda Civil e mesmo sendo um herói de guerra, teve que entrar na Justiça para ter seu emprego de volta.

Em 1968, como Policial Federal, foi transferido para São Luís, onde conheceu sua esposa, Maria Lúcia Alves de Carvalho, com quem se casou em abril daquele ano. Ainda em 1968, o ex-combatente foi transferido para Manaus e aqui teve sua única filha, Nerine de Carvalho. Na capital amazonense, Jayme fixou residência e nunca mais voltou ao Rio de Janeiro, falecendo aos 81 anos, em 17 de julho de 1998.

Quando da comemoração dos 70 anos do fim da Segunda Guerra, o 1º BIS, juntamente com a Prefeitura de Manaus, realizou a revitalização da praça Duque de Caxias, construindo um mural com o nome dos amazonenses que foram para a Itália, e o nome de Jayme também foi lembrado.

Atualmente Nerine de Carvalho preserva a memória do pai com as relíquias que ele possuía: condecorações, fotografias e documentos da época da guerra, e se orgulha em dizer que é filha de um herói do Brasil.

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