Santo Antônio da Patrulha resgata a memória da FEB

Homenagem à Força Expedicionária Brasileira

“A história é feita de salutares recordações e tardias justiças”
Orlando Prado 

Numa iniciativa da Secretaria da Cultura Desporto e Turismo, através da Fundação Museu Antropológico Caldas Júnior, a cidade de Santo Antônio da Patrulha homenageia a FEB na mostra “Resgate Histórico da FEB-Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial”

Com muita honra recebi o convite do secretário Antônio Carlos Brito para fazer a saudação, na noite de hoje, aos integrantes da Força Expedicionária Brasileira que participaram da campanha na Itália e que hoje nos honram com suas visitas.

Como filho de Expedicionário, soldado de infantaria que embarcou no primeiro contingente rumo a Itália, vejo em cada um dos senhores a imagem do meu saudoso pai. Como brasileiro os tenho como heróis, merecedores de todas as homenagens que lhes são prestadas nos dias de hoje. No futuro, esta história poderá ser contada apenas através das narrativas do que os senhores escreveram com bravura e destemor, quando ainda muito jovens, na luta sagrada pela liberdade das nações.

Os historiadores desta heróica participação da FEB na Segunda Grande Guerra Mundial se encarregaram de passar às futuras gerações os feitos realizados pelos senhores. No entanto, nos dias de hoje, vocês são a história viva da gloriosa participação do Brasil no “Teatro de Operações na Itália” e, por isso, todos nós, temos o dever de prestar esta homenagem, ainda em vida, a cada soldado da Força Expedicionária Brasileira. Heróis da Pátria, orgulho do povo deste país.

Não vou me atrever a contar histórias para quem viveu esta história, mas permitam que eu fale um pouco a respeito da participação dos senhores na luta pela liberdade dos povos contra o nazismo e o facismo em campos de batalha, na longínqua Itália, no outro lado do mundo.

O poeta e payador Jaime Caetano Braum assim descreveu em sua “Payada”

“ Depois, vesti a verde-oliva, como sempre voluntário,
No corpo expedionário, formando uma comitiva
Da nossa indiada nativa para responder um libelo
E o pendão verde-amarelo, no outro lado do mundo,
Cravei, bem firme e bem fundo, no velho Monte Castelo!”

O embarque do 1º Escalão para a Itália ocorreu na noite de 30 de Junho de 1944, no navio norte-americano General Mann, sob o comando do General Euclides Zenóbio da Costa e era constituido de um regimento de infantaria (6º Regimento de Infantaria ), um grupo de artilharia, uma companhia de engenharia e elementos ligados aos setores de manutenção, reconhecimento, saúde, comunicações, polícia, justiça, Banco do Brasil e correio, num total de cinco mil e setenta e cincohomens. Junto com o 1º escalão embarcaram o General João Batista Mascarenhas de Morais e alguns oficiais de seu estado-maior.

Ao todo foram cinco escalões, tendo o último partido para a guerra em 08 de fevereiro de 1945, totalizando um efetivo de vinte e cinco mil trezentos e trinta e quatro pracinhas que lutaram na Itália.

Falar das vitórias da FEB em campos italianos nos enche de orgulho por tê-los como nossos patrícios, brasileiros de todos os cantos do nosso país, como descreve a Canção do Expedicionário:

“Você sabe de onde venho?
Venho do morro, do engenho,
das selvas, dos cafezais;
da choupana onde um é pouco, 
dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas, 
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.”

Foram batalhas duras, onde muitos bravos como os senhores perderam a vida e outros tantos foram mutilados e feridos, porém sem desistir em momento algum, por mais dura e difícil que fosse a missão, as tropas brasileiras tomaram cidades e fizeram milhares de prisioneiros. E assim foram acumulando vitórias como: Massarosa, Camaiore, Monte Prano, Monte Acuto, San Quirino d’Orcia, Gallicano, Barga, Monte Castelo, La Serra, Castelnuevo, Soprassasso, Montese, Paravento, Zocca, Marano Sul, Panaro, Collecchio e Fornovo di Taro, nesta última, foram aprisionados dois generais, quatrocentos e noventa e três oficiais e dezenove mil seiscentos e setenta e nove soldados entre alemães e italianos.

Registro minha homenagem à FEB, à memória de meu pai Orlando Dutra e a de seus companheiros pracinhas, heróis muitas vezes esquecidos que realmente lutaram pela pátria e pela democracia, direito sagrado dos povos.

A vocês, nossos heróis, o nosso muito obrigado. Temos a certeza de que este dia ficará gravado para sempre, na memória do povo de Santo Antônio da Patrulha.

Nelson de Moraes Dutra
nelsonmdutra@terra.com


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1 comentário

  1. isalete leal /

    Quando vejo que mais um filho de Veterano fez uma homenagem a todos os Heróis da Segunda Guerra Mundial e principalmente a seu pai, levanto e fico por um tempo aplaudindo com emoção… Parabéns ao Nelson de Morais Dutra e ao Portal, pela postagem!

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