Mascarenhas na Amazônia

Por Adriel França autor do projeto “Guerreiros do Amazonas

Após os ocorridos da Revolução Acreana, resultando na assinatura do Tratado de Petrópolis em 1903, o Ministério da Relações-Exteriores cuidou de montar uma comissão que estaria responsável por marcar as fronteiras com a Bolívia. Dentre os integrantes desta comissão, estava aquele que viria a ser o comandante da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Segunda Guerra, João Batista Mascarenhas de Moraes.

Em 1907,  Mascarenhas teve sua patente elevada a de 2°tenente. Estava servindo no 6° Batalhão de Artilharia, em Fortaleza, quando recebeu o convite de um amigo para integrar a comissão que demarcaria os limites do Brasil com a Bolívia. Inicialmente, partiu para Corumbá, no Mato Grosso, em junho, exercendo o posto de auxiliar-técnico e seu superior era o Almirante José Cândido Guillobel, veterano da Guerra do Paraguai.

mascarenhasFoto: Mascarenhas de Moraes foi o Comandante da Força Expedicionária Brasileira na Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial

Nesta primeira missão, Mascarenhas e a equipe ficaram no Mato Grosso de junho de 1907 a fevereiro de 1908, partindo depois para o Rio de Janeiro, onde passou a servir no Forte de Copacabana, e logo depois foi convidado novamente a integrar a comissão de limites, agora pelo próprio almirante, partindo para a região amazônica. Enquanto servia no forte, Mascarenhas teve sua patente elevada para 1° tenente. Se apresentou na sede do Ministério da Relações-Exteriores em 16 de agosto de 1910, recebendo ordens para partir até Manaus, onde chegou em outubro.

A missão de Mascarenhas de Moraes teve duração de quatro anos e Manaus como base. Do outro lado, a comissão boliviana era comandada pelo General Pando, que havia participado dos conflitos durante a Revolução Acreana. Tal missão foi dividida em quatro incursões, a primeira começando em 18 de abril de 1911, onde Mascarenhas e os demais desceram o Rio Amazonas até chegarem a sua foz, por onde seguiram ao Rio Purus, acidentalmente sofrendo um incêndio e seguido de encalhamento na embarcação em que estava. Retornou a Manaus em 29 de outubro. Mascarenhas relatou em seu livro de memórias que durante a segunda descida ao rio, sua equipe fora acometida por malária, não havendo perdas humanas. Relatou ainda que, encontrando um casal de nordestinos que habitavam aquelas paragens criando aves domésticas, ajudou-lhes à abater um gavião que ali caçava a criação do casal. Errando o primeiro tiro, o jovem tenente acertou o segundo, segundo, sendo motivo de comemoração por sua pontaria. Esta segunda viagem durou de 30 de março até 15 de outubro de 1912.

Mascarenhas faz um breve relato da cidade de Manaus que conheceu àquela época:

“Manaus ainda no apogeu do progresso, impressionava pelo comércio febril. Edificações modernas e magnífico porto, onde o cais flutuante permitia todo o serviço de carga e descarga da borracha da região”.

Mascarenhas ainda fez duas outras incursões à região, agora para Rondônia onde chegou a 29 de setembro de 1913, e a outra em 18 de julho de 1914. Ao fim desta, passou por Manaus, retornando para o Rio de Janeiro. 30 anos depois comandava a FEB nos campos de guerra, na Itália

Leia também

Um herói carioca-amazonense

José Custódio Dantas: Soldado da borracha e da FEB


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

1 comentário

  1. Maria do Socorro Sampaio /

    Adriel, parabenizo pela publicação, interessante saber desse fato, ainda como Tenente com certeza essa experiência posteriormente deixou confortável nosso grande Marechal Mascarenhas no trato com seu efetivo da região amazonica, durante a SGM.
    Viva a FEB!

Deixar um comentário

WordPress主题