Cap Olímpia de Araujo Camerino sobre Mascarenhas de Moraes

Durante a comemoração do centenário de nascimento do Marechal Mascarenhas de Moraes, a Revista do Exercito Brasileiro de out/dezembro de 1983, publicou uma série de artigos apresentando a visão que seus comandados possuíam  do seu grande líder: Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes. 

Cap  Olímpia de Araujo Camerino
Conheci-o no Quartel General da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, em maio de 1944, quando ingressei na Força Expedicionária Brasileira, sob seu comando.
Desde esse primeiro contato, o meu novo Comandante inspirou-me admiração e respeito.
No decorrer do Curso de Enfermeiras para a FEB, depois de havermos terminado uma instrução de “ordem unida”, na Escola de Educação Física do Exército, fomos surpreendidos com a sua presença. Na ocasião, ao dirigir-se às enfermeiras disse-nos “estar satisfeito em nos ver animadas e dispostas para a luta”. Acrescentou:  “Estarei ao lado de vocês. Serei um amigo, um pai e até um confessor. Confiem em mim, que lhes darei toda assistência.”
Passamos a confiar na estima e na ajuda moral do chefe e amigo. Sua bondosa e leal palavra nos animava.
Terminado o Curso de Enfermeiras para a FEB, já vestindo nosso uniforme, fomos apresentadas ao digno Comandante, para colaborarmos no esforço de guerra do Brasil, no além mar. Depois de saudar-nos, disse-nos o General do relevante papel que nos estava reservado e ressaltou, com ênfase, a sua admiração pela atitude da mulher brasileira.
Diante de suas palavras, não foi possível a nós enfermeiras ocultar a nossa emoção.
Em ocasiões diferentes e em transportes diversos, fomos todas para a Itália. Fui encontrar novamente o nosso Comandante, em plena atividade de  guerra, quando de suas idas 7th Station Hospital, onde eu servia. Sem alarde em suas visitas, atencioso e sereno, empenhado em ver todos os seus soldados ali baixados, percorria todas as enfermarias do hospital. Tinha para com todos palavras de carinho, fazendo-lhes sentir que não estavam sozinhos.
Acompanhava-o, sempre, em suas visitas.
Certa vez, parado junto ao leito de um de nossos feridos que havia perdido os olhos, perguntou: “Como está passando?” Respondeu o enfermo: ” Muito bem, meu General, só muito triste; não vou mais ver o sol do meu Mato Grosso.” E o General cabisbaixo, silenciou…
Ao regressar ao Brasil, tive o privilégio de voltar a servir sob sua Chefia, no Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), onde fortaleci a minha amizade por aquele Chefe compreensivo e atencioso.
Convocada para o Exército ativo, fui servir na Diretoria Geral de Saúde, localizada no edifício do antigo Ministério da Guerra, onde, então no 3º pavimento da Ala da Frente, possuía o Marechal o seu Gabinete de  trabalho. Ali, costumava visitá-lo. Indiferente às vaidades pessoais, o ilustre Chefe revelava-se notável pela sua extraordinária modéstia. Falávamos sempre sobre a FEB.
Mantinha-se cercado da gratidão e do respeito dos febianos, inclusive dos mais humildes. Amigo dos pracinhas, interessado em seus problemas, conservava o seu propósito de servir aos seus companheiros de guerra menos favorecidos.
Lembrava-se, também, das enfermeiras, mostrando-se desejoso de saber de sua situação. Indagava se todas tinham sido convocadas, onde serviam e como eram recebidas nas Organizações para as quais foram designadas. A elas, tambem, dedicava a sua atenção e o seu carinho.
Era a certeza de que os febianos não estavam esquecidos e nem sozinhos.
As minhas visitas se repetiam e a amizade pelo Chefe e amigo era mais afetiva.
Certo dia, voltando ao seu Gabinete, encontrei-o tristonho. Perguntei-lhe o que sentia. Sereno e pensativo, externou-se: “Minha amiga, tenho sofrido muito; não sei se quando morrer irei para o céu.”
Silenciando, respeitei o seu sentimento.

Fonte: “ALBUM BIOGRAFICO DAS FEBIANAS” – Enfermeira Altamira Pereira Valadares.

Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros. Filha da Cap Enf. da FEB ARACY ARNAUD SAMPAIO.

É Psicóloga, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – DF ( AHIMTB ), Coordenadora de Ação Social UNIPAZ-DF, membro da Ordem Franciscana Secular ( OFS ).

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