Cap. Enfermeira Olímpia de Araújo Camerino

PREFÁCIO
       “Para mim, muito mais que uma honra, é um privilégio incomparável ter sido convidado pela minha querida  Dona Olímpia para prefaciar o seu livro ” A Mulher Brasileira na Segunda Guerra Mundial “.
        A Capitão Olímpia de Araújo Camerino foi das mais destacadas figuras  entre as 67 enfermeiras que voluntariamente se apresentaram para acompanhar os nossos combatentes da FEB e do 1º Grupo de Caça. Por nós todos, ali no Teatro de Operações do mediterrâneo e no Brasil, a Cap. Olímpia foi sempre considerada a líder das enfermeiras, por suas qualidades excepcionais de bondade, bom senso e equilíbrio, a par de seus dotes de competência profissional. A ela todos recorriam nas horas de dúvidas, de incerteza e de conselho.
         Além dos serviços inestimáveis que prestou na guerra e na paz, em longa carreira de enfermeira militar, a Capitão Olímpia aparece agora nos brindando com com o livro que estava faltando, relatando, com dados estatísticos e testemunhos valiosos, o que foi a organização do “Quadro de Enfermeiras” para servir na Segunda Guerra Mundial, como essas enfermeiras, todas voluntárias, se prepararam para a missão e como a cumpriram nos campos de batalha na Itália.
          À história do Brasil na Segunda Guerra Mundial faltava um relato tão completo sobre o papel desempenhado pela nossa Enfermeira Militar que, 75 anos após a Guerra do Paraguai, reviveu em todo o esplendor e beleza a figura heroica de Ana Nery. Esta enfermeira da Segunda Guerra Mundial renova em nós valores morais e de bravura de nossa gente, demonstrados nas horas difíceis de conflitos bélicos inevitáveis.
           No seu livro, a autora nos conta aspectos do que foi a adaptação de nossa enfermeira a um meio e ambiente de trabalho estranhos, em hospitais norte americanos, conta-nos a rotina do trabalho diuturno nesses hospitais, as horas incansáveis de vigília, desvelo, atenção, e cuidados com nossos pracinhas hospitalizados, a extraordinária força moral necessária para assistir à chegada de nossos feridos do front – cabeças dilaceradas, pulmões perfurados, intestinos expostos, pés, pernas e braços arrancados e a dependência a elas de muitos desses pracinhas carentes de olhos e membros, exigindo-lhes muito mais que o serviço de enfermagem – o consolo, o apoio permanente, a tradução do que deviam e queriam transmitir aos norte americanos, a leitura das cartas que recebiam e a redação das respostas. Deviam mantê-los de moral alto e, não poucas vezes, preservar neles a vontade de viver tão necessária para sua cura.
             No livro da capitão Enfermeira Olímpia Camerino  encontramos um precioso depoimento extremamente útil aos estudiosos de nossa história militar e aos pesquisadores de psicologia e sociologia, por oferecer precioso manancial de observações sobre o caráter do brasileiro.
              Cumprimentamos a autora pela riqueza de dados, testemunhos e fotografias que soube reunir e pela maneira simples e correta com que nos descreve este episódio tão enobrecedor que foi a missão desempenhada pelas nossas Enfermeiras nos hospitais de sangue da Itália, durante a Segunda Guerra mundial. ” (pg. 27 -28)
                                         CARLOS DE MEIRA MATTOS
                                               Gen Div – Na reserva
 

           MEU UNIFORME!
      “Como me orgulho de ti!
       Dize-me  se te honrei e onde guardar-te.
       As medalhas do Brasil e a Coroa Dourada do 5º Exército Americano, que
trazes em ti, são a prova de que te honrei.
        O lugar onde te guardei, no Museu da minha terra, Alagoas, que é a Terra de Rosa da Fonseca, é bem um altar.
         “Honra este uniforme e guarda-o como se guarda um  Uniforme militar”, frase pronunciada pelo General Mascarenhas de Moraes, durante apresentação das enfermeiras no Quartel General da 1ª Divisão de Infantaria Divisionária, em maio de 1944.”
                                                                           Cap. Enf. Olímpia Camerino
(trecho extraído do livro A Mulher Brasileira  na Segunda Guerra Mundial, pg 23)
Colaboradora: Maria do Socorro Sampaio M. de Barros, filha da Cap. Enfermeira Aracy Arnaud Sampaio
socorrosmbarros@yahoo.com.br

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3 comentários

  1. Complimenti per questa donna,chè ha messo prima il dovere della patria,alla sua persona.con il suo sacrificio e la sua professionalità,avrà sicuramente salvato delle vite umane. tutto questo fà ancora più onore alla FEB nella campagna d’Italia.

  2. ASARESFA/PE. /

    Bela e bem destacada matéria, mostrar que as nossas bravas e valorosas mulheres Brasileiras vem se destacando de velhos tempos,bem antes dos dias de hoje. Parabéns a todas mulheres Brasileiras de todos os tempos como também ao portal da FEB Pela preservação desses valores Brasileiros, que infelizmente poucos conhecem.

  3. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Essa valorosa enfermeira, Cap olimpia, retornou ao Brasil em 3 de outubro de 1945, no navio transporte americano James Parker, juntamente com outras colegas (num total de 6 enfermeiras), cuidando dos doentes remanescentes do 35 Field, que aqui seriam entregues aos cuidados dos companheiros do Hospital Central do Exército, no RJ. No hospital de bordo a tarefa era: escala de serviço e rotina hospitalar, após quatro meses de finda a Guerra.
    ” O Ten Cel Gilberto Peixoto, Chefe do Serviço de Saúde do Grupamento da FEB na Itália, citando uma das enfermeiras pelo seu trabalho, termina sua citação com o seguinte trecho:”…….tais fatos, que não podem ficar em silêncio e sinto-me feliz em assinala-los ao Comando, como um exemplo a ser seguido”. (Bol. do Grup. da FEB na Itália nº 31, de 8-8-45).
    Após a guerra, o Gen Dr. Marques Porto, então Diretor Geral de Saúde do Exercito, propôs a criação de um Quadro Especializado no Exército regular, o qual foi aprovado pelo Estado Maior do Exército e remetido à Diretoria Geral de Saúde para encaminhamento ao Ministro da Guerra e consequente mensagem ao Presidente da República.
    Não foi, entretanto, concretizada a criação do referido Quadro….Por projeto elaborado e aprovado pela Câmara dos Deputados, transformado em lei n° 1.209, de 25 de outubro de 1950, e sancionado pelo Exmo. Sr. presidente da República, tiveram as enfermeiras da FEB sua aspiração realizada; estavam efetivadas no posto de 2º Tenente e incluídas na Reserva de 2ª classe do Exército, com o mesmo posto.”
    E até hoje são desconhecidas pela maioria dos brasileiros! As 67 enfermeiras do Exército e 06 da Aeronáutica, num total de 73 mulheres corajosas e pioneiras, todas desempenharam seu papel nas mesmas condições de igualdade em sua missão de PAZ. Esperaram 5 anos para obter reconhecimento e ainda temos heroínas desse porte no posto de Tenente. Dá para entender?

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