Visitando o Trampolim da Vitória

O Airbus da TAM aterrissa na mesma Parnamirim da Segunda Guerra Mundial, agora compartilhada com o Aeroporto Augusto Severo. Taxiando pela pista, podemos ainda ver os últimos hangares e edificações construídas pelos americanos.

A The Great Western of Brazil Railway Co., inaugurada pelo Presidente Affonso Penna em 1906 já não mais traz açúcar do interior para o porto, nem os B-25 arremetem pela pista em mais uma decolagem a cada poucos minutos, com a ventania das hélices espalhando o cheiro de óleo pela pista, eternizando para sempre Natal como o Trampolim da Vitoria, numa época em que a cidade era um ponto estratégico dada a necessidade de reabastecimento das aeronaves.

Foi uma das mais movimentadas bases aéreas, comparável a Pearl Harbour. Construída junto a pista de Parnamirim, tinha ate um prédio ecumênico, compartilhado pelas diversas religiões em horários diferentes. Cinemas, PX, estrada asfaltada Natal-Parnamirim, tudo foi previsto pelos visitantes.

Antigo povoado sobre as dunas as margens do Rio Potengi, defendido pelo Forte dos Reis Magos, sua fundação foi marcada por uma missa no dia do Natal de 1599. Agora, americanos e turistas do mundo inteiro redescobrem novamente a cidade, e as praias que se estendem ate onde a vista alcança.

Há 6 décadas a cidade efervescia com o movimento das tropas americanas. Uma Fundação foi criada para preservar esta historia fantástica, quando milhares de forasteiros em uniforme se fixaram na cidade por alguns anos. A entidade leva o nome RAMPA, que designa o local onde os Presidentes Vargas e Roosevelt se encontraram em um distante janeiro de 1943 (www.fundacaorampa.com.br)

Fred Nicolau, Augusto Maranhão e Leonardo Dantas, incansáveis pesquisadores  da FRAMPA nos levam para conhecer os últimos lugares de memória. Anos e anos sem a manutenção necessária, a rampa alemã já não mais existe como tal. Apenas negros blocos de concreto e corroídos pontões castigados pelo rigor do tempo teimam em não se deixar cair, não desaparecer. As estruturas resistem o quanto podem, mas até quando?

Na antiga estação de hidroaviões da Pan American, depois utilizada pelos aviões militares, em que pese o desgaste implacável do tempo que não perdoa, o lugar ainda ostenta uma aura de  grandeza; embora maltratado, o lugar não perdeu a majestade que lhe foi conferida pelo famoso encontro presidencial, revivido anualmente por grupos com uniformes da época. O silencio milenar típico dos monumentos reina sobre a Rampa. Ali seria o local propicio para instalação de um Centro Cultural para a comunidade natalense, e para turistas do mundo inteiro. Afinal, apenas nas praias da Normandia, onde ocorreu o desembarque do Dia D, 37 museus disputam a visita de milhões de turistas interessados, parte dos quais poderia passar por aqui, entre um prato de camarões e uma ida a Pipa…

Entretanto, a cultura potiguar abrange muito mais que estas lembranças historicas. O visitante tem a disposição inúmeros centros culturais, como o Memorial de Câmara Cascudo e a casa onde viveu o notável folclorista, transformada em bem cuidado museu, dirigido pela filha Ana Maria e a neta Daliana. Bem próximo temos o jornal A REPUBLICA, Pinacoteca, Museu Café Filho, Instituto Histórico, e tantas outras atrações, todas bem próximas umas das outras.  Digno de nota também o Museu e Instituto Arqueológico da UFRN, uma obra do saudoso Prof. Cabral. Realiza um extenso trabalho, que conhecemos graças ao Coronel Jose Fontes, um ex-aluno daquela casa. Alias, o Campus da UFRN impressiona pela sua amplitude, espaços de convivência, e a biblioteca central lotada de estudantes, totalmente automatizada. Não esquecer também o maior cajueiro do mundo e a Base de Lançamentos de Barreira do Inferno.

Na cidade tranqüila e bem ordenada o transito flui admiravelmente, não se constituindo em um fator de stress, como em tantas das nossas megalópoles. Talvez por isso os almoços das entidades sociais transcorrem semanalmente, e não mensalmente como no Sul. Apenas na nossa curta permanencia comparecemos a três, do AGAPE, no Iate Clube, do Clube dos 100, e da ADESG, cuja Delegada no RN, a dedicada Dra Zélia Madruga, não mediu esforços para tornar a nossa estadia das mais agradáveis e proveitosas sob todos os aspectos.

Graças ao apoio da Dra Zélia, e dos amigos da Fundação Rampa e Centro Israelita de Natal, foi possível realizar o lançamento do nosso livro SOLDADOS QUE VIERAM DE LONGE, na mais antiga entidade cultural potiguar, o Instituto Histórico e Geográfico do RN, a casa da memória.

Deixo aqui aos amigos natalenses a certeza de que breve retornarei, e levo comigo a lembrança do eminente confrade Dr Enelio de Lima Petrovich e a esperança de um dia poder voltar para abraçar outro emérito escritor, o Dr Jose Gurgel Guará.                       

                        

(*) –Visita a Natal

Março 2012

 Colaborador: Israel Blajberg  (iblaj@telecom.uff.br)


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4 comentários

  1. Ranielle Macedo /

    Caro Israel, parabéns pela excelente matéria sobre minha querida Natal. Muito emocionante. Foi convidado por um amigo judeu para o lançamento de seu livro, mas, lamentavelmente, não pude ir. Onde posso adquirí-lo autografado?
    Desde já muito obrigado.

  2. base aerea em natal e base da marinha em recife

  3. Araripe D. Rocha /

    Prezado , Boa tarde

    Quero lhe informar que os dois nome citados do Enelio e Guara, que agora em 2012 nos deixaram e com saudade pois
    fui companheiros de Lions Clubes , quando morei em Natal .

    Sou Ex-Combatente pela Marinha do Brasil .

    Araripe.

  4. Liezete Suela /

    ainda lembro-me da visita que fiz à RAMPA, junto com meu pai em 1981, quando ele retornou a Natal para rever os amigos e o lugar onde serviu o Exercito por tres anos.

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