Veterano José Cândido da Silva

Eu, Veterano José Cândido da Silva, participei da 2º Guerra Mundial na Itália, participei em confronto com o inimigo frente a frente por ser da Infantaria.

Eu com meus 18 anos de idade no ano de 1941 ingressei voluntariamente  como praça no Exército brasileiro na arma de Infantaria no 1º RI – Regimento Sampaio, localizado na Vila Militar na cidade do Rio de Janeiro. Em setembro de 1944 embarcamos com destino a Itália para enfrentarmos os temíveis guerreiros Alemães, fortes e bem treinados, mas eles se deram mal, pois erramos brasileiros bravos.

Bom nesta altura eu já tinha sido promovido a Cabo e assim partimos para defender um mundo livre.

Ao chegarmos à Itália tivemos um pequeno treinamento com os Americanos e após este treino entramos para a briga, ou melhor, para o front e assim que o Cabo Cândido deu seu grande apoio para a Merecida Vitória que foi dada com a graça de Deus.

Participei de todos os confrontos em que o meu regimento teve participação, tomei parte ativa na grande batalha do Monte Castelo que após duas derrotas tivemos a tão esperada vitória onde eu estava lá. Em muitos confrontos eu Cabo cândido fiquei no comando de um grupo de combate que geralmente é comandado por um 3º sargento, pois os sargentos que foram enviados ao meu grupo eram afastados ou por ferimentos de guerra ou por algum motivo de saúde.

Por isso digo que esse velhinho, Cabo Candinho como sou carinhosamente chamado pelos companheiros de Guerra tenho muita história para contar onde um dia é pouco para eu contar todas as minhas passagens pela segunda Guerra mundial na Itália, tenho toda documentação do Exército brasileiro com meus diplomas e medalhas de campanha, já participei de alguns documentários para televisão e para jornais e revistas. Atualmente estou com 88 anos de idade e em 30 de agosto deste ano de 2012 comemoro 89 anos.

Obs. Gosto mais de falar ao vivo do que escrever.

Colaborador: Segundo Tenente José Cândido da Silva – promotor social e de recreação da ANVFEB – Direção Central – RJ.

Reportagem feita ao jornal Extra no dia 4 de maio de 2005 sobre a tomada de Monte Castelo contato pelo veterano José Cândido da Silva.

A missão:

“Monte Castelo era bem alto e naturalmente um barreira intransponível as forças aliadas, que teriam que ultrapassa-lo para seguir em frente. Eu era do 1º RI, o Regimento Sampaio, e coube a nós a missão de tomar o Monte Castelo.”

Efetivo:

“Só o regimento Sampaio devia ter dois mil homens. Mas havia outras unidades, como o 6º RI de Caçapava, e o pessoal do 11º RI de São João Del Rey. Mas a missão era do Regimento Sampaio.”

Linha de Tiro:

“Como o terreno era acidentado, a própria infantaria é que ia na frente. Éramos eu e meus companheiros . Não tinha como ter carro de combate na frente. A missão era morro acima.”

Expectativa:

“Já sabíamos que Monte Castelo seria osso duro de roer. Era uma missão muito perigosa, porque não tínhamos passado por aquela experiência de batalha no frio e na neve.”

Lembrança:

Posso contar como se fosse hoje. Nos primeiros ataques, quando o regimento Sampaio recebeu a missão de tomar o Monte Castelo, houve muitas baixas. Tinha chovido muito. Era um lamaçal terrível! Além disso, levávamos muita munição e isso nos dificultou muito. O segundo ataque foi terrível, foi em 12 de dezembro de 1944. A bota levantava quase 5cm de lama. A caminhada em si já era difícil.”

Derrotas:

Vi alguns companheiros tombarem ao meu lado. Esse foi o primeiro impacto que tivemos, o Alemão estava naturalmente muito resguardado, protegido e bem posicionado nas pedras. Nós de peito aberto, avançando. Eles tinham visão privilegiada.”

Esconderijo:

“Eu me lembro de um companheiro que morreu ultrapassando uma cerca de arame farpado. Eu também quase morri. Ele recebeu os primeiros tiros, caiu em cima da cerca. Os alemães estavam tão bem escondido nas pedras que alguns companheiros levaram tiros a 3 metros de distância. A gente não sabia onde eles estava, não tinha como ver os inimigos. Meu companheiro morreu na boca da botija do alemão.”

Estratégia:

“Para a conquista, a estratégia mudou completamente. Eles viram que do jeito que fizeram nos dois ataques anteriores não dava para chegar lá. O tempo melhorou e o terreno estava mais seco. Isso deu mais mobilidade a tropa.”

Dever Cumprido:

“Foi uma das maiores alegrias fazer aquele ataque e sairmos vitoriosos. Nós estávamos entalados com tantas perdas e ataques frustrados. Quando acabou vimos os companheiros que tinham sido mortos no dia 12 de dezembro. Eles estavam congelados lá, conservados por causa da neve. Reconheci um sargento da minha companhia.”

O veterano e o seu neto, Arthur Felipe Melo

Colaborador: Arthur Felipe Melo arthurfelipemelo@yahoo.com.br


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5 comentários

  1. o senhor poderia fazer um livro sobre os combates e no futuro poderia criar um filme ja que sao poucos a respeito o soldado faz o maior sacrifico na guerra aonde pode tombar e perder tudo a vida viva a f.e.b

  2. Sirio S. Fröhlich /

    Parabéns! Belo texto. Que vitalidade; quanta força!
    Conheci o Veterano José Cândido da Silva há algunsdias, no Rio de Janeiro.
    Nas histórias que contou, pude perceber o quanto ainda temos a aprender com os nossos heróis da guerra.
    Um respeitoso abraço!

  3. filmes sobre a gloriosa feb ja!!!

  4. Eduardo just /

    meu respeito e admiração pela pessoa do SR josé cândido e a todos os expedicionários brasileiros pela relevante e heróica tragetporia nessa guerra que ceifou muitas vidas ///

  5. Paulo Roberto Anton /

    Meu respeito e admiração pela dedicação e valentia que demonstraram na frente de combate. Estes são verdadeiros heróis brasileiros, exemplos de retidão de valores para as futuras gerações, mas filmes só do José Genuíno, José Dirceu, Lula da Silva…, e aí por diante. Um absurdo isso, temos a história VIVA na memória desses veteranos, tínhamos SIM que fazer seu registro com URGÊNCIA.

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