Universitários apresentam relatório de reestruturação da Associação de Veteranos em Belém

O pesquisador Lucas Carnevale Machado (Graduando em História da Universidade do Estado do Pará e Sócio Correspondente da Academia de História Militar Terrestre Do Brasil), apresenta o Relatório sobre a atual situação da sede e sobre a Documentação da Associação de Ex- Combatentes do Brasil, secção Pará (AECB-PA)

O relatório propõe discutir as ações tomadas com o objetivo da preservação histórica da AECB-Pará, trazendo a luz e conhecimento dos leitores, os fatos ocorridos entre 2017 e 2019, além de todos os antecedentes necessários para que se possa entender a situação da instituição.

Esta associação, fundada em 1946, com o objetivo de aproximar e de amparar os veteranos nortistas que participaram da II Guerra Mundial (1939-1945), seja combatendo no front Italiano, contra os nazifascistas ou até mesmo na defesa do litoral Brasileiro, respondendo e defendendo contra os ataques de submarinos do eixo as frotas de navios mercantes nacionais (SILVA,2013).

Fotos: Registros inéditos das reuniões da diretoria, solenidades e visitas de entusiastas:

Essa associação, foi amplamente reconhecida por políticos, por personalidades e até mesmo pela população, como é visto em muitos jornais de época, sejam nos desfiles, ou nas solenidades civis-militares. A Associação, durante muito tempo (de 1946 aos anos de 2010), serviu como base efetiva de apoio ao ex-combatente, que além das demandas de classe, serviam como local de recreação e de camaradagem entre os mesmos.

Fotos: Registro dos desfiles dos ex-combatentes da Associação entre 1980 a 2000

Com o processo de envelhecimento contínuo destes veteranos, boa parte das associações de veteranos foi perdendo grande número de seus filiados, a partir da década de 1990 (FERRAZ, 2013), com seus membros chegando na casa dos 70/75 anos no período. A AECB-Pa não fugiu a regra, com seus números de associados diminuindo cada vez mais, e ainda assim, a associação mantinha-se em pleno funcionamento, servindo como um baluarte da cultura febiana na Amazônia.

entrevistaPresidente da Associação dos Ex-Combatentes Seção Belém do PA, veterano Raimundo Cavalcanti da Silva, sendo entrevistado pela equipe do SBT Canal 5 na década de 1980/1990, Acervo da AECB.

O Processo de abandono da Associação
A partir de 2015, a associação, foi passando por inúmeros casos de roubos e ataques a sede da instituição, no qual foram roubados vários itens históricos e de valor simbólico para os veteranos, como capacetes, medalhas, uniformes originais, etc. Com isso, os escassos veteranos que ficavam lá para passar o tempo e conversando com os colegas de farda, acabaram não aparecendo mais, iniciando um processo de abandono da instituição, no qual a sede (O prédio onde se localizava), foi trancada com todo o seu acervo documental/ bibliográfico ficando dentro dela.

Foto: A situação de abandono da Associação em 2017

Mesmo assim, em 2016, A associação foi invadida e saqueada inúmeras vezes tendo seu acervo bibliográfico e sua mobília levados por saqueadores e moradores de rua. Para serem vendidos em várias localidades de Belém.

As medidas iniciais
Tomei conhecimento da situação em janeiro de 2017, quando visitei a associação e a encontrei completamente abandonada, com documentos, livros e escombros espalhados por todo o prédio, junto dos moto-taxistas da localidade, entramos e tiramos várias fotos do local, com estas imagens, levei ao Professor da minha Universidade esta situação em que se encontrava a AECB. O Prof. Msc. Renato Aloizio Gimenes, me orientou para fazer um relatório inicial da situação da associação e junto deste, fazer um documento solicitando o Processo de tombamento do local para a proteção e evitando mais invasões e saques ao acervo da instituição.

O processo de Número: 2017/820961, foi solicitado em Fevereiro de 2017, para a proteção do acervo e da sede da AECB, neste mesmo tempo, entrei em contato com as Organizações Militares da Região e com os diretórios nacionais da Associação nacional de Veteranos da FEB (ANVFEB) para pedir orientações sobre como proceder e como reorganizar o acervo e a associação.

A participação mais ativa
A partir do segundo semestre de 2017, tivemos uma nova organização para trabalharmos no acervo e na sede. A ANVFEB, mandou para Belém um representante para somar com a equipe existente aqui, O Sr. Ailton Borges, Reorganizou a AECB, montando uma nova diretoria. Eu e o Professor orientador montamos uma equipe de trabalho composta por colegas de universidade (Alunos de História, interessados pela história da FEB), que se dispuseram a trabalhar voluntariamente para a recuperação da associação e do acervo local.

Desde então, temos duas equipes atuando na reorganização da AECB-PA: A equipe do Sr. Ailton Borges, que junto com o pessoal da nova diretoria está trabalhando na manutenção e na reconstrução do prédio da associação, reformando o que necessário e restaurando o que for possível; e a Equipe específica da catalogação e da organização do acervo da associação, (Eu, mais quatro colegas do curso com o nosso Professor Orientador/Supervisor)

Essas equipes, vem trabalhando desde então, mantendo um trabalho constante de preservação e cuidado com estas fontes preciosas sobre estes ex- combatentes. Quanto ao acervo, a equipe conseguiu catalogar variadas documentações da associação, que somam mais de mil páginas, além de dezenas de livros da antiga biblioteca da associação.

Os documentos são muito variados, encontramos da ata de fundação da instituição de 1946 a recortes de jornais dos anos 2000, trazendo a temática da FEB e dos veteranos. Além de fichas de membros estritamente organizadas de ordem alfabética e com minucioso cuidado. Uma observação importante a se fazer, é que mesmo com tantas perdas documentais, um acervo considerável ainda está em condições de ser tratado e organizado para um ressurgimento da AECB-PA. Além de tudo isso, encontramos fotos inéditas, dos Febianos paraenses, em várias ocasiões, Solenidades, desfiles, Entrega de condecorações, etc. Algumas coloridas, outras em preto e branco, outras identificadas e algumas com datas e locais desconhecidos. Essas fotos foram recuperadas e digitalizadas estando disponíveis no anexo deste documento.

Informações mais recentes.

No ano de 2018, com o projeto em andamento, terminamos de catalogar e iniciamos um trabalho mais complicado: a digitalização destes documentos. Já temos um trabalho inicial considerável, com algumas listas de membros e com alguns livros de atas transformados para formato PDF. Em breve, tais arquivos serão disponibilizados para historiadores, simpatizantes e para o público em geral. E somando-se a tudo isso, a equipe do Sr. Ailton, para proteger o espaço e o prédio, trouxe um zelador para ficar lá durante a maior parte do dia, evitando que novas invasões possam acontecer no prédio.

A Mais recente notícia é que eu, e mais dois alunos da equipe, fomos aprovados em um processo seletivo para projetos de pesquisa científica do CNPQ, cujo tema trata especificamente sobre as vozes e memórias sobre a II guerra mundial no estado do Pará (1944-45), e que poderá trazer maiores incentivos (quem sabe) para a preservação da memória da FEB e dos Febianos Amazônidas.

BIBLIOGRAFIA
SILVA, Hilton P. “Por Terra, Céu e Mar: Histórias e memórias da II guerra mundial na Amazônia”. Belém, Ed. Pakatatu, 2013
FERRAZ, Francisco César Alves. “A Guerra que não Acabou: A reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945 – 2000) ”. EDUEL, 2013.
MIRANDA, Antônio Batista De. “Guerra… Memórias… destino…” Ed. Sagrada Familia, Belém, 1998.


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4 comentários

  1. Walmir Bastos /

    Olá!
    É com grande satisfação, que tomo conhecimento que algo está sendo feito em nome da associação dos antigos combatentes da FEB. Fui ex-aluno da Escola de Ensino Fundamental Marechal Mascarenhas de Moraes, junto com minha irmã, escola que funcionava no sub-solo da associação e sempre bom vermos sendo resgatado fatos e lembranças importantes de momentos históricos, em que tínhamos mais respeito e amor a pátria.
    Parabéns pela bela iniciativa e gostaria de deixar registrado que essa iniciativa provoque na opinião pública uma retomada para recuperação do espaço, para que possamos ter sempre viva a lembrança daqueles que deram ou ofereceram a sua vida em defesa do nosso Brasil.

  2. Maria do Socorro Sampaio /

    Parabéns pelo incentivo na revitalização da AECB-Pará. Local histórico da cidade, edificação requintada com excelente instalações, primava pelo investimento cultural e educacional, além de agregar os pracinhas em diversas atividades. Tambem fui aluna na Escola Fundamental e meu irmão fez o Curso Pré vestibular, sendo aprovado na faculdade de Medicina do estado. Minha mãe Aracy Arnaud Sampaio pertenceu à Diretoria dessa casa enquanto morou em Belém. Nosso eterno Presidente Major Cavalcanti em toda a sua existencia primou pelo companheirismo e laços familiares entre todos os participantes.

  3. Maria do Socorro Sampaio /

    Parabéns pelo incentivo na revitalização da AECB-Pará. Local histórico da cidade, edificação requintada com excelente instalações, primava pelo investimento cultural e educacional, além de agregar os pracinhas em diversas atividades. Também fui aluna na Escola Fundamental e meu irmão fez o Curso Pré vestibular, sendo aprovado na faculdade de Medicina do estado. Minha mãe, Cap Aracy Arnaud Sampaio, enfermeira da Força Expedicionária Brasileira pertenceu à Diretoria dessa casa enquanto morou em Belém. Nosso eterno Presidente Major Cavalcanti em toda a sua existência primou pelo companheirismo e laços familiares entre todos os participantes.

  4. Raquel Cavalcanti sa /

    Tanta História perdida, só quem teve seu sangue lutando na guera. Sabe o real valor dessa associação. Por favor não deixem que profanem mas nossa participação na guerra, será nessesario mas vigilância. Mas observação se possível o exército intervir para sua preservação que e de suma importância para o País .

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