Uma Homenagem às Enfermeiras Veteranas de Guerra

“Estou satisfeito em vê-las animadas e dispostas para a luta. Muito em breve partiremos. Iremos para um país bonito e de turismo, mas vocês vão  sofrer muito… A mulher brasileira, acostumada em ambiente de paz, muito sofrerá com o ambiente de guerra!
Estarei ao lado de vocês. Serei um amigo, um pai e até um confessor.
Confiem em mim, que lhes darei toda assistência.”
Palavras proferidas pelo insigne Marechal João Baptista Mascarenhas De Moraes, após instrução de “ordem unida”, a todas as voluntárias e enfermeiras treinadas com o objetivo de cuidar de seus companheiros, ou seja, da tropa brasileira anexada ao 5º Exército  Americano,  nos campos de batalha.
Todas essas 73 mulheres, sendo  67 do Exército e 06 da FAB, vinham dos  quatro cantos do país imbuídas de sentimentos patrióticos originados no seio de suas famílias.
No diário da Enfermeira Aracy Sampaio encontramos o seguinte relato:
“A experiência de vida adquirida durante os meses passados fora de casa, longe da Pátria, entre homens nem sempre “prontos” para estarem ali, e moças como eu, todas idealistas, dedicadas, amigas, mas também sem o preparo necessário; será marcante para o resto da minha vida. Foram apenas 8 meses que passei lá, mas valeram por anos. Tínhamos a certeza de que a vitória seria nossa, e a 8 de maio de 1945, despertamos com os sinos, as buzinas, as sirenes, com todos os barulhos possíveis, anunciando que a guerra era finda. Chorávamos de alegria e saudade dos que  não voltariam, e da separação das companheiras. Era confortador o sentimento do dever cumprido.”
A Cap. Enfermeira Virginia Portocarrero, lotada no 16th EVACUATION HOSPITAL na cidade de  Pistóia, em seu depoimento no livro A  Mulher Brasileira  na Segunda Guerra Mundial,  da Cap. Olímpia  Camerino, relata o seguinte: “O revezamento do serviço de enfermagem era feito de 12 em 12  horas. As que trabalhavam durante o dia, observando um período seguido de 15 dias, cumpriam o horário de 07 às 19 horas. Após esse período, gozavam de um dia de folga (day off). A seguir, passavam para a escala noturna, de 19 às 07 horas  do dia seguinte, por 15 noites consecutivas.
As nossas barracas, igualmente de lona impermeável, abrigavam quatro enfermeiras e eram dotadas de catres de lona, sem colchão, desmontáveis, sobre os quais estendíamos as nossas camas-rolo, também de lona, em que guardávamos  as nossas vestimentas. A nossa mala A, saco B, bornal, cantil e a máscara contra gases permaneciam junto aos catres. Era uma enorme bagagem para transportarmos, individualmente, nos deslocamentos do Hospital.
No 16th. Hosp., suportamos bombardeios da aviação inimiga, incêndio, blackout, tempestade e os rigores do inverno, com temperatura de 20 graus negativos.
Quando a aviação alemã rondava nosso acampamento, permanecíamos apreensivas e num alerta constante, mantendo o blackout durante a noite, quando os trabalhos eram feitos sob a luz de lanternas protegidas para não irradiarem qualquer luminosidade. esses blackouts eram fiscalizados pela Policia Militar americana, que rondava o acampamento.”
É do conhecimento de todos que somente após os “incidentes” sobre os locais a serem  frequentados pela nossas “meninas”, as mesmas foram elevadas ao posto de 2º Tenente, tendo assim o direito de fazer suas refeições junto às enfermeiras oficiais americanas no teatro de operações da Itália.
Após trinta e três anos:
Somente em 1978, foi realizado o I Congresso Nacional da Enfermeiras da FEB, patrocinado pelo Clube das Oficiais Enfermeiras de Guerra (COEGUE), no Rio de Janeiro, de 09 a 13 de julho, no Hotel Meridien .
Presentes as seguintes Enfermeiras (da esquerda para a direita): Rozelys Gazzinelli, Maria José Vassimon, Carlota Mello, Elita Marinho, Silvia Souza Barros, Lucia Osório, Virginia Leite, Amarina Franco Moura, Olímpia de Araújo Camerino, Maria Luíza Vilela Henry, Haydée Rodrigues Costa, Jandyra Bessa Mendonça, Zilda Nogueira Rodrigues, Maria Hilda Melo, Dirce Paiva Ribeiro, Maria Aparecida França, Isabel Feitosa, Aracy Sampaio, Maria José Aguiar, Guilhermina Rodrigues Gomes.
Os temas debatidos foram:  A Utilização de Energia Nuclear na Medicina, Industria, Agricultura e Pesquisas em Geral.
Colaboradora: Socorro Sampaio M. Barros, filha da Cap. Enfermeira Aracy Arnaud Sampaio
socorrosmbarros@yahoo.com.br

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10 comentários

  1. Marcelo /

    Mais do que merecidas!!!

  2. tom sampaio /

    gostei,,,as noticias sempre me interessam,,,,,sem as enfermeiras seria muito ruim para os pracinhas brasileiros

  3. Gostei do manter aceso a chama das enfermeiras heroinas brasileiras. Bonito trabalho da mana Socorro.Parabéns

  4. No dia 7 de maio do corrente, tive o prazer de conhecer a Cap. Virgínia Portocarrero. Aos 94 anos, mantém aceso o brilho no olhar quando fala do atendimento que prestava aos seus pacientes brasileiros, italianos ou alemães. Independentemente de nacionalidade, a missão era atender bem e confortar os feridos em combate.
    Segundo as suas próprias palavras, “foi uma honra poder atender os heróis brasileiros na guerra”. Estou certo de que, nessas palavras, está expresso o sentimento humanitário de todas as enfermeiras que optaram pela nobre missão de levar conforto os bravos brasileiros que lutaram na Itália.

  5. antonio alves macedo /

    meu pai me falava da enfermeira virginia portocarrera com muita consideração

  6. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Antonio, nossa ilustre Cap Virginia Portocarrero continua gozando de saúde e invejável memória, junto aos familiares no Rio de Janeiro.
    Abraços FEBIANOS.

  7. Amigos por favor. Minha sogra e a Cap. Portocarrero eram grandes amigas. Recentemente minha sogra me mostrou uma carta enviada da Itália, pela Capitã. Me disse que gostaria de encontrá-la caso ela estivesse bem. O site tem meu mail.

    Abraço,
    Leo Melo

  8. Marialucia da Silveira /

    Meu pai era do exército, serviu em Natal na década de 1940. Tínhamos uma grande amiga e vizinha, enfermeira da FEB, Antonieta Villas Boas. Estará ainda viva ? Creio que não pela idade que seria já muito avançada. Se for possível, gostaria de saber notícias ou contato com algum familiar. Meu pai era Amadeu Rodrigues da Silveira, minha mãe Mercedes, morávamos na Rua Barão de Ubá, Praça da Bandeira. Rio de Janeiro. Obrigada

  9. Mauro Pinheiro /

    Minha tia-avó, Carlota Mello, acabou de completar 100 anos, em 12 de outubro, e receberá homenagem do Exército Brasileiro no dia 29/10/14, em Belo Horizonte.
    Comovente a história dessas mulheres que, deixando de lado suas famílias e longe da terra natal, ajudaram a cuidar dos feridos de guerra.

  10. Sou Katiane Meireles, estudante de História da Universidade Federal do Espírito Santo. Atualmente estou com um projeto de pesquisa na minha iniciação científica sobre a FEB, trabalho principalmente com a troca de correspondências dos pracinhas com seus famílias enquanto estavam na Itália.
    Estou no final da minha graduação e já me preparando para o mestrado, gostaria muito de permanecer com minha pesquisa, porém pretendo pesquisar no mestrado as enfermeiras febianas. A História das Mulheres ainda é pouco estudada, e pesquisas de fato sobre as nossas corajosas enfermeiras também.
    Careço de fontes para montar meu pré projeto, gostaria de saber se conhece alguma enfermeira ainda viva, para que eu possa o mais rápido possível entrevistá-la, fontes orais enriqueceriam muito minha pequisa.
    Se caso não souber, mas tiver algum material que possa me fornecer ficaria muita grata!
    Todo material que eu utilizar em minha pesquisa e todos os colaboradores serão devidamente citados.

    meu email é kdutrameireles@hotmail.com

    facebook: Katiane Meireles

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