Sociedade Amigos da Marinha – 15ª. Expedição à Ilha da Trindade

Sociedade Amigos da Marinha

SOAMAR – RIO 

 

PROTRINDADE

15ª. Expedição à Ilha da Trindade 

 

Embarque no G-25

NDCC Almirante Saboia

(HIPPO)

 

Ten Ex-Comb MB Ref Melchisedech Afonso de Carvalho

Presidente do Conselho Deliberativo

 

 

Prof Israel Blajberg

2º. Diretor Social

   

01 – 10 / abr / 2012

 

Israel Blajberg

iblaj@telecom.uff.br

 

Ilha da Trindade

Relevante Aspecto do Poder Naval

 

Vamos conhecer uma das facetas do Poder Naval, algo de que poucos brasileiros ouviram falar.

Presente na Ilha da Trindade há quase 6 décadas a Marinha do Brasil acalenta mais que um projeto, um sonho que começou ainda ao final dos anos 50. O escudo no macacão dos pesquisadores revela seu nome – PROTRINDADE, uma idéia visionária, de gente com o coração cheio de esperança, a missão de alguns poucos pioneiros.

Um convite do 1º. Distrito Naval permitiu que embarcássemos no G-25, NDCC Almirante Sabóia, na 15ª. Expedição a Ilha da Trindade, a 1480km do Rio de Janeiro.

O tradicional apito executa silvos longos e ondulosos, como o mar azul que nos aguarda. Serão 7 dias de mar e 3 em Trindade. Logo aprenderemos que há décadas a Marinha  através da Secretaria da Comissão Interministerial para Recursos do Mar – SECIRM se empenha no exercício pleno do Poder Naval em nossas águas territoriais, guarnecendo este importantíssimo ponto do território nacional, onde o sol primeiro nasce a Leste, acessível apenas pelo mar.

Ao embarcar somos muito bem recebidos, seja pela tripulação seja por destacados. Uma sensação aconchegante nos anima, nem parece uma novidade. Acabamos de chegar mas já nos sentimos em casa. A explicação viria mais tarde, dada pelo Comandante: este navio não pertence a Marinha, ele é do Brasil.

As ordens são passadas pausadamente pelo fonoclama, os tripulantes se deslocam em passos firmes pelos corredores estreitos, assumindo seus postos. Nenhum livro, nenhum filme seria capaz de transmitir o espírito de bordo, que contemplamos no rosto de cada tripulante, sejam jovens marinheiros e tenentes, sejam experientes sargentos e comandantes.

Logo estamos ao largo de Cabo Frio, recebendo uma aeronave UH-12, se aproximando do convés de vôo. O Esquadrão HU-2 completa 25 anos, a Forca Aeronaval 50 anos, e mais um pouco teremos o centenário da Aviação Naval, mais antiga que a do Exercito e a própria FAB.

Visitamos detidamente o navio, com suas entranhas quentes e ensurdecedoras, o tank deck capaz de abrigar dezenas de viaturas em ampla avenida de ponta a ponta do navio, um túnel de elevado pé direito que nesta viagem abriga os suprimentos para o POIT – Posto Oceânico da Ilha da Trindade. Seguem de colchões a mantimentos, na viagem que a cada 2 meses substitui metade da guarnição de 30 homens. O HIPPO, como e conhecido pelas missões que emulam o hipopótamo, animal de terra e água, esteve nas Malvinas e nas guerras do Iraque sob a bandeira inglesa. Agora modernizado, desde 2009 e uma das mais operacionais unidades navais brasileiras, utilizado em missões de multi-emprego, como transporte de tropa e material, desembarque anfíbio, apoio a Forca de Paz no Haiti, dispondo de moderna infra-estrutura de Comunicações, Comando e Controle. Opera aeronaves em 2 conveses de vôo a vante e a re, dispõe de um verdadeiro mini-hospital com 8 leitos, equipado com Raio-X, e mais consultório odontológico e enfermaria de combate com 16 leitos.

A ilha, explorada em 1501 por João da Nova e Estevão da Gama, serviu aos piratas e aos ingleses, até se tornar terra brasileira em 1882. Sua importância geopolítica e transcendental, visto garantir ao Brasil direitos valiosos na extensão das águas jurisdicionais, ampliação da plataforma continental e mar territorial e consequentes direitos de exploração econômica.  Na área científica e ambiental o CNPq instituiu o PROTRINDADE em 2009 juntamente com a CIRM, resultando na inauguração em 2010 da Estação Cientifica, com apoio logístico do 1º. DN, sendo esta a 15ª expedição. 17 universidades estão envolvidas, além do Museu Nacional, SOS Mata Atlântica, Projeto TAMAR e CEPEL. Já foram atendidos 23 projetos com a ida de 130 pesquisadores à Ilha da Trindade.

Já no desembarque heli-transportado tivemos uma idéia do atual renascimento da ilha, que estava fenecendo, dada à introdução de espécies exóticas que destruíram a vegetação, como ovinos e roedores. Assistimos impressionados as dezenas de viagens da aeronave, levando e trazendo do navio toneladas de suprimentos para garantir a ocupação deste pedacinho do Brasil, tão distante quanto precioso.

As décadas se passam, mas a bandeira fincada na Ilha pelos precursores d`antanho permanece tremulando, agora empunhada por novos lutadores não menos idealistas. Homens e mulheres, envergam orgulhosos macacões operativos, seja o cinza da Armada, verde dos pilotos navais, o camuflado dos fuzileiros, ou o azul dos pesquisadores, mas todos tendo em comum igual empenho e dedicação.

Este ano uma coincidência determinou que as 2 Páscoas coincidissem na Sexta Feira Santa  que passamos na Trindade. O capital simbólico destas duas comemorações se torna ainda mais relevante nesta ilha, associando Salvação a Liberdade, que tanto pode significar a libertação do povo hebreu do Egito quanto os ideais de Tiradentes, ou o Grito do Ipiranga – que ressoa até hoje, a nos recordar que somos livres, e assim continuaremos, defendendo nossas riquezas, como a Amazônia Azul, da qual a Trindade e um valioso expoente.

Reza a lenda marinheira que deixando algum pertence na Gruta de N. S. de Lourdes, o viajante retornará… foi o que fizemos. Partimos emocionados e já saudosos. Admirando a Ilha da Trindade ao longe  divagamos em pensamentos. A visão final que levamos é a do Pico da Bandeira; no alto, embalada pelos ventos do Atlântico Sul, tremula o Pavilhão Nacional. Num mastro semelhante, em distante 11 de junho, foram içadas duas bandeirolas durante a Batalha Naval do Riachuelo. É como se elas ainda estivessem ali hasteadas na Trindade …

Os Sinais de Barroso seguem animando aos idealistas, este punhado de brasileiros patriotas e determinados, investidos em uma sagrada missão.

 

“O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”

“Sustentar o fogo que a vitória é nossa”.

 

VIVA O PROTRINDADE !  VIVA A MARINHA ! VIVA O BRASIL !


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3 comentários

  1. Mário Viana da Silva Botelho /

    Belo Trabalho da nossa grande Marinha. Parabéns.

  2. gosto muito dessas reportagens sobre esta estação da marinha na ilha da trindade, pois tenho um primo irmão[ ja falecido recentemente ] que atuou nessa base da marinha na praia do principe, na epoca ele era cap. de corveta CARLOS ALBERTO DE CARVALHO ARMANDO, terminou sua carreira como cap. de mar e guerra,,ficaria muito grato se vcs podescem me mandar alguma reportagem com fotos antigas com ele ou só fotos. desde ja fico muito grato!!
    parabens pelas reportagens. poa rs 24/5/2014

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