Sebastião Paulino de Lima, o último herói de Roraima

sebastiao paulino de melloO veterano da FEB, Sebastião Paulino de Lima, hoje residente em  Boa Vista, sua cidade natal.

Vamos conhecer agora um pouco da história de um brasileiro, combatente da Segunda Guerra Mundial, que veio do extremo Norte do Brasil.

Sebastião Paulino de Lima nasceu no dia 20 de Janeiro de 1924, na Fazenda Santa Adelaide, no município de Boa Vista do Rio Branco, que na época pertencia ao Amazonas e hoje é a capital de Roraima.

Os seus pais eram José Paulino de Lima e Sebastiana Jaricuna de Lima. Sebastião pertencia a etnia indígena Taurepang e cresceu no meio do gado, pois o seu pai era um vaqueiro que trabalhava numa fazenda que pertencia ao comerciante português J. G. Araujo (que residia em Manaus).

Desde criança, Sebastião sonhava em ser um Oficial do Exército. Aos 17 anos, em 1941, se alistou no Exército, sendo aceito. No final de 1942, foi então transferido para servir num pelotão na cidade de Japurá, no Amazonas, onde ficou por 11 meses e onde foi promovido a Terceiro Sargento.

Por essa época, em 1943, era criado o Território do Rio Branco (Hoje o Estado de Roraima), separando-se do Amazonas.

Logo depois, Sebastião pedia sua transferência para Manaus, pois queria ir para a guerra como voluntário. Sendo assim, se apresentou no 26º Batalhão de Caçadores e quando fazia os exames para a admissão,  por pouco não foi dispensado por seu porte físico. Mesmo assim, o jovem roraimense insistiu para que o aceitassem, pois queria defender seu país a todo custo. Os médicos então acabaram atendendo o seu pedido.

No período em que estava em Manaus, Sebastião é chamado com outros soldados, para ir até a Rua Ramos Ferreira e prender um alemão suspeito de espionagem. No momento em que chegavam no Quartel com o alemão detido, chegava uma outra patrulha do Exército vindo do bairro de São Raimundo, onde traziam um padre alemão, que era pároco do bairro. Descobriram que o padre possuía um rádio transmissor escondido dentro de uma Santa, onde se dizia que ele passava para a Alemanha todas as coordenadas dos barcos que saíam do porto, levando mantimentos e soldados.

Em 1944, já como Sargento, Sebastião foi considerado apto para a guerra e embarcou num navio no Porto de Manaus com destino ao Rio de Janeiro. Chegando  na capital do país, foi para a Vila Militar , sendo incorporado no Regimento Sampaio.

Depois foi inserido no escalão da FEB, embarcando para a Itália junto com outros 5 mil pracinhas.

Na Itália, seguiu para a cidade de Livorno. Sebastião passou 7 meses em efetivos combates, trabalhando em patrulhas de reconhecimento. Passou 4 meses atuando na linha de frente em combate com os alemães.

O jovem pracinha Roraimense, com a idade de 20 anos, participou da famosa batalha de Montese,na Itália. Durante o combate, que teve início no dia 14 de abril de 1945 e durou três dias,o seu pelotão foi comandado pelo Tenente Ary, que morreu em ação.

Contudo,Sebastião e seus companheiros, agora comandados pelo Segundo Tenente Ivo, conseguiram romper um campo minado chegando no momento de dar proteção ao pelotão Iporã, que estava sofrendo pesado fogo dos alemães. Conseguiram assim rechaçar o inimigo.

No final os brasileiros, conseguiram derrotar os alemães e tomaram Montese. Porém  os  pracinhas sofreram um total de 430 baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos. Sebastião e seus colegas cumpriram então seu dever com bravura.

Em seguida, o jovem Sargento Sebastião foi então promovido a Tenente. Em suas recordações dessa batalha sangrenta disse:

“Nós  enfrentamos  contingentes do melhor exército do mundo (o alemão) e o vencemos”

Com o final da guerra Sebastião voltava para o Brasil, junto com os demais pracinhas, desembarcando no Rio de Janeiro. De lá seguiu viagem para o Norte, chegando enfim de volta ao seu lar, na cidade de Boa Vista, capital do então território do Rio Branco, onde foi recebido com alegria por amigos e familiares.

Constituiu então família, sendo pai de 8 filhos. Hoje,com 96 anos,o bravo pracinha Roraimense já recebeu muitas homenagens em seu Estado de origem e pelo Brasil, relembrando que cumpriu a sua  missão com orgulho, pois sempre foi um patriota, exclamando a seguinte frase sobre sua experiência na frente de combate

“Ninguém entra num campo de batalha despreparado. Observação,memorização e decisão são itens fundamentais para se vencer”

Um bravo a esse brasileiro, de origem indígena, que veio dos lavrados e florestas de Roraima para cumprir seu dever com a pátria nas longínquas paragens da Europa.

Créditos: Professor Gaspar Vieira / Thiago Henrique.


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1 comentário

  1. Gabriel Pantoja /

    Parabéns, ao honroso e bravo Herói Sebastião de Lima que nos honra muito sendo nortista e trazendo por divisa o V de vitória!!!

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