Revista Clube Militar – Alvíssaras para a Comissão da Verdade

O Clube Militar viu frustrada, na noite de ontem, a expectativa de contribuir para a discussão sobre o projeto de lei que criou a Comissão da Verdade.

A finalidade principal era fazer com que a sociedade e os seus legítimos representantes, os congressistas, aprofundassem o estudo e o debate do tema para que o mesmo não fosse decidido de maneira açodada, a luz de outros interesses que não se coadunam com a tradição da democracia brasileira.

O Clube Militar não via razão alguma para que o projeto fosse votado em regime de urgência/urgentíssima, com uma discussão atípica, com acordos realizados de afogadilho, em curto período de tempo e acertos de última hora, feitos no microfone do plenário.

Assim, o Clube Militar continuará a lutar o bom combate, divulgando artigos e opiniões dos associados e de todos aqueles que queiram participar deste debate com as suas opiniões a respeito do assunto, na expectativa de que o Senado Federal possa cumprir o papel que lhe cabe.

ALVÍSSARAS PARA A COMISSÃO DA VERDADE

 Valmir Fonseca Azevedo Pereira*

     Estranhamente, comissionados cidadãos escolhidos a dedo, pela Presidente da República, e aí mora um terrível perigo, sem o aval da sociedade, deverão ser nomeados para a enigmática tarefa de desvendar a verdade.

Não ouvirão os dois lados, situação incomum quando o assunto envolve as duas partes, e pior, quando elas são oponentes.

Um forte indicio de que os trabalhos poderão ser de uma parcialidade assombrosa reside no fato de que ao longo das últimas décadas, o favorecimento de uma delas tem sido vergonhoso, de tal forma parcial que nos escusamos de citá-la. O leitor sabe quem é ela.

A parcialidade que conta com o forte aval e recursos do governo, que ora joga todas as suas forças políticas na criação da comissão, por si só desnuda quais as suas verdadeiras intenções na promoção desta “tendenciosa devassa”.

E quando destacamos a sua força política subentendemos o emprego de todas as artimanhas possíveis, desde o repasse de verbas que beneficiem currais de políticos simpáticos, à cessão de cargos nos diversos níveis da estrutura municipal, estadual ou federal.

A listagem de meios possíveis são inimagináveis e infindáveis para a obtenção do êxito numa determinada votação. Nesta, acreditem, eles serão empregados à exaustão.

A votação da criação da comissão enquadra – se nesta determinação do atual governo. O processo está no tem que ser votada a criação. É uma demonstração de força, de poder.

Todavia, como indícios da farsa que está em gestação, basta perscrutarmos os seus antecedentes, e lembramos que a título de indenização para os inocentes já foram disponibilizados 4 bilhões de reais, e a fila de pretendentes é imensa. Muitos a espera de que perante a comissão, sejam aumentadas as suas pensões e indenizações, e outros, ainda não abonados, que suas tristes e lamuriosas alegações se revertam em polpudos dividendos.

Quanto ao outro lado, o disciplinado ausente no colóquio, o que tem sido a vítima indefesa de uma tenaz perseguição, que por simplicidade denominaremos de revanchismo, continua inerme, indefeso, e serve de repasto aos abutres, o que desvenda uma parte do mistério, e do por que da criação da comissão.

Ridiculamente, a parte muda será a da então legalidade, instrumento de defesa criado para se contrapor ao uso das mais diversas armas empregadas para alimentar a sanha dos adeptos de uma ideologia marxista, que abertamente empenhava – se na tomada do poder, pasmem, pelas armas e pelo terror, desde o covarde atentado no aeroporto dos Guararapes, no longínquo ano de 1966.

O pasmem, não significa qualquer alerta para os nobres comissionados, que talvez (?) ainda não saibam deste singular fato, mas para sublinhar que as inocentes testemunhas, as inconformadas vítimas da repressão, e novamente, pasmem, pegaram em armas, não para a restauração da democracia, como propalam alhures, mas sim para a implantação da “ditadura do proletariado” marxista-leninista. Por conseguinte, descarte – se a falsa inocência e a figura do preso sem culpa.

À época do início das ações subversivas, englobando – se no seu currículo, assaltos, roubos – chamados de “expropriação”, julgamento e assassinatos de militantes comunistas – chamados de “justiçamentos”, eles o enriqueceram deixando um rastro de crimes.

Os governos militares não possuíam qualquer experiência no tipo de combate que enfrentariam.

Desse modo, constituíram os órgãos de repressão, cidadãos escolhidos entre os seus melhores, tanto civis como militares, que abnegadamente se dispuseram em dar combate, em reprimir um inimigo oculto, sem identidade, acobertado, que atacava e desencadeava as suas ações a qualquer hora e em qualquer lugar.

Podemos imaginar a árdua missão daqueles agentes, enfrentando um inimigo disposto a tudo, incapaz de clemência, inebriados com a possibilidade de tomar o poder e fazer do País um arremedo subordinado à doutrina marxista – leninista.

Não basta o veredito final da mais alta Corte sobre a Lei da Anistia (que poderá ser revogada, daqui a dois anos, à luz e ao término dos trabalhos da comissão), o desrespeito com a mais alta Magistratura do País é flagrante, a sanha extrapola os muros da legalidade, e adentra na sede de pisotear a honra, a inocência de ingênuos que acreditavam, piamente, que sua luta era em prol da paz e da tranquilidade da Pátria.

Ledo engano. Mas a Nação ainda se envergonhará de ter permitido tamanha barbárie.

*O autor é General-de-Brigada


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

1 comentário

  1. Se querem revogar a lei da Anistia, que ao menos fosse para os dois lados… Irrestritamente, como ela foi irrestrita na época.

    Excelente artigo.

Deixar um comentário

WordPress Blog