Retratação ao artigo sobre o Museu do Expedicionário em Curitiba

O Portal da Força Expedicionária Brasileira é o maior site ainda em atividade sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra. Desde o início recebemos artigos de estudantes, pesquisadores, jornalistas e parentes de expedicionários.

Somos reconhecidos internacionalmente, ganhamos alguns prêmios, orientamos e inspiramos projetos sobre o assunto.

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No último 17 de setembro recebemos um artigo-denúncia de um leitor que pediu para não ser identificado sobre alguns problemas de atendimento, pesquisa e manutenção do Museu do Expedicionário em Curitiba, Paraná. A publicação gerou um desconforto, principalmente quando citava o incidente com as armas e que atualmente está em processo de investigação.

Apesar do nosso poder em selecionar e publicar ou não os conteúdos que recebemos, publicamos o artigo, mesmo sem provas. Deixamos aqui nosso arrependimento pelo deslize.

Fomos finos, elegantes e equilibrados ao publicar as palavras da senhora Valderez Archegas Ferreira (Presidente da LPE – Legião Paranaense do Expedicionário), pedindo uma retração do anônimo.

Na rede social Facebook, podemos citar comentários interessantes de dois personagens:

“Minha opinião é que a decadência do museu e o sumiço de suas peças pode e deve ser revertido: O futuro do Museu do Expedicionário à luz da História […] ‘Embora desfalcado momentaneamente das mais importantes peças do seu acervo, nada impede que futuramente a direção do Museu se empenhe em reaver tais objetos. Embora abandonada há anos, não existe empecilho para que as atividades de pesquisa sejam retomadas, que o processo de obtenção, análise e interpretação de fontes históricas seja reiniciado, inclusive em novas e mais atualizadas bases(Prof Dennison de Oliveira, 17 de setembro de 2013)

Apesar de tudo, o objetivo do Portal FEB é abrir um espaço de crítica e cobrança aos possíveis desmandos e incompetências na condução do Museu. Queremos apenas melhorá-lo. Ou seja, reconhecemos a instituição como referência nacional com um espaço de grande potencial científico e cultural, mas cobramos o empenho da diretoria.

O Museu do Expedicionário troca peças com outros museus? 

No guia do Museu do Expedicionário 2011, elaborado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e organizado pelo Prof. Dennison de Oliveira, encontramos o seguinte trecho na página 22:

[…] Muito pior e mais danoso para o MEXP do que a paralização das suas  atividades de pesquisa ou a suspensão das exposições itinerantes foram os  sucessivos desfalques de peças do seu acervo exposto, a começar justamente  pelas historicamente mais importantes. Por mais incrível que possa parecer, todas foram comprovadamente doadas pela LPE a entidades que não exercem  absolutamente nenhuma função museológica ou científica. Pior ainda, não se tratavam de peças “duplicadas” ou “excedentes” que poderiam ser trocadas com outros museus, como foi estabelecido pela direção do Museu em sua origem. Tratavam-se invariavelmente de peças únicas, incomparáveis, insubstituíveis […]

Nas páginas 22 e 23 do mesmo guia, encontramos alguns trechos sobre doações de peças importantes do Museu do Expedicionário para quartéis, sem nenhuma contrapartida:

Em 10 de agosto de 2006 a carabina que pertenceu ao Tenente Ary Rauen foi doada ao 5º Regimento de Carros de Combate em Rio Negro (PR) […] É absolutamente incompreensível que a LPE a tenha doado a um quartel, sem obter para seu acervo qualquer contrapartida – imaginando-se que tal fosse possível – ou sequer obrigar a entidade que a recebeu em doação a oferecer condições adequadas de guarda, preservação e acesso a visitas públicas […] Embora ruinosas, não pararam aí as nefastas e incompreensíveis doações da LPE ao 5º Regimento de Carros de Combate. Em 24 de janeiro de 2008 foi feita a doação de objetos como mala de lona, saco de lona, avental de enfermeira, cantil, caneca, marmita faca, colher, placas de identificação, padiola de madeira, túnica de oficial da artilharia, calça e macacão […] Mas o pior ainda estava por vir. Em 27 de abril de 2008 foi feita a doação da bandeira de guerra nazista ao 9º Batalhão de Engenharia de Combate, na distante Aquidauana (MS). Desfazia-se desta forma o MEXP da mais importante peça do seu acervo, doada sem qualquer contrapartida por parte daquele quartel, presumindo-se que fosse possível se retribuir de forma equivalente tão espantosa e incompreensível doação. O fato se torna ainda mais difícil de entender quando de leva em conta que o 9º. BEC foi, durante muito tempo após a guerra, incapaz sequer de organizar ou manter em condições adequadas de armazenagem seus próprios arquivos e registros da época em que fez parte da FEB, como revela em seu livro de memórias o ex-comandante daquela unidade na Campanha da Itália, o então coronel Machado Lopes.

Para concluir, lançaremos outros questionamentos:

- Os funcionários do Museu passam por algum tipo de curso para atender os visitantes e pesquisadores?

Segundo Marcos Renault, membro do Museu da FEB de Belo Horizonte:

Estive no Museu de Curitiba alguns meses atrás. Havia muitos anos desde a minha última visita ao local e de fato constatei a existência de alguns problemas: O atendimento não é satisfatório porque não se mostra capaz de proporcionar um maior envolvimento dos visitantes com a história a que são apresentados. A proibição de se fotografar me parece antipática e inócua. Existem algumas peças do pós guerra que não ilustram o período, mas sim, massageiam o ego de um ou outro veterano. Outras peças não têm absolutamente nada a ver com o período da II Guerra Mundial, entretanto estes são problemas facilmente superáveis, assim como alguns danos físicos encontrados no imóvel. Por tudo o que ví durante a rápida visita que fiz, ainda considero o Museu do Expedicionário em Curitiba, o melhor museu do tema aqui no Brasil (18 de setembro de 2013)

 – Qual é a situação do Scout Car e qual a razão de estar tanto tempo fora da instituição?

Segundo o Prof. Dennison de Oliveira:

“O veículo não “desapareceu” como erradamente consta em nosso guia do MEXP/2011. Ele foi enviado para manutenção no Parque Regional de Manutenção da 5a. Região Militar. A nota triste é que ele só voltará para as dependências do Museu se e quando a Secretaria de Cultura do PR construir uma cobertura que o abrigue das intempéries a q fica exposto no exterior do prédio. Por conta de tão prosaico motivo estamos todos privados da contemplação e pesquisa de tão valiosa peça de arqueologia industrial. As informações são da presidente da LPE, a sra. Valderez Archegas Ferreira, a quem agradeço”.

- O acesso aos arquivos é restrito por má vontade ou falta de funcionários/investimento?

- Porque não há uma cobertura para o avião caça p-47, veículo M3 e canhão 105 mm que ficam na área externa do prédio?

Prof. Esp. Derek Destito Vertino.

Foto: Teia Notícias


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1 comentário

  1. Lucas Viana Nogueira /

    Por favor, alguém me responda. Eu tenho um parente veterano da FEB. Meu tio-avô, ele tem como nome Cassiano (o único nome que eu sei dele), é natural do Ceará, mas mora em Curitiba-Paraná. Como ele mora no Paraná, pensei que podiam saber algo sobre ele. Me respondam por favor.

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