Reenacting (Entrevista com Maru Berzotti)

Nome: Eliazer Maru Tawada Berzotti
Idade:
31 anos
Profissão:
Vendedor

Portal FEB – Quando surgiu seu interesse por Segunda Guerra?
Maru Berzotti –
Não sei dizer ao certo, desde pequeno ficava vidrado nos filmes e séries de guerra que passavam na televisão. Tinha uma atenção especial aos combates aéreos, no final da década de 90 por influência do jogo Combat Flight Simulator resolvi pesquisar mais sobre o assunto, tempinho depois veio o Battlefield 1942 e pronto, o estrago estava feito.

PF – Por gentileza, fale um pouco sobre “Reencenação” no Brasil e pelo mundo:
MB – Atualmente a reencenação no Brasil é diferente da que ocorre lá fora, começamos principalmente para divulgar a história da FEB, desta forma nos caracterizamos como febianos para participar de cerimônias e eventos, assim possibilitando a prática de “história viva” do reenacting. Lá fora isso também ocorre, porém o pessoal realmente reencena algumas batalhas ou mesmo cria algumas batalhas como se fosse uma partida de paintball.

PF – Qual é o nome do seu grupo de “Reenactors”? Como surgiu? Qual o objetivo?
MB
- Começamos como “1º RI Reenactors” da FEB e depois mudamos para “FEB Reenactors Brasil”, posteriormente acabamos nos fundindo com outro grupo e hoje somos uma vertente do reenacting da FEB dentro do grupo denominado “Dog’s of War”.
A idéia surgiu quando eu e um amigo meu, ambos apaixonado por militaria original da IIGM e frequentadores de fóruns na internet, descobrimos o reenacting lá fora, ficamos super empolgados e decidimos que deveríamos fazer isso, e já que era para fazer, teria que ser da FEB. Nossas primeiras aparições foram em encontros com os amigos em lan houses, meu “futebol” semanal. Atualmente o nosso principal objetivo e manter viva a história da FEB, representando os nossos bravos e velhos guerreiros que devido ao tempo não possuem mais o vigor da juventude.

PF - Os custos são altos?
MB
– Não gosto de falar em valores para não desencorajar, não é uma prática que dá para começar “da noite pro dia”, pelo menos para quem tem poder aquisitivo de classe média. Todavia não precisa vender um rim, é bem mais barato do que jogar pólo. O Segredo é ir comprando aos poucos, comece por aquela jaqueta que dá para usar no dia a dia, aquele capacete “do filme” que ficaria bacana na estante, aquela baioneta que vai dar um toque legal pendurada na parede e assim por diante, quando você menos esperar terá um acervo básico de reencenação.

PF – Vocês atuam em outras cidades?
MB
–  A onde for possível. Lógico que temos nossos compromissos sociais, familiares e profissionais. Quando conseguimos convencer a outra parte e temos um dinheiro sobrando no bolso, juntamos os trocados e lá vamos nós para estrada. Já estivemos em São Vicente no litoral, Campinas, Itatiba, Pirassununga, Catanduva e Sertãozinho. Sempre fomos bem recebidos e somos gratos de coração.

PF – A sua região valoriza os veteranos da F.E.B?
MB – Não como deveria, assim como na grande e esmagadora maioria no Brasil. A nossa cultura nacional tem disso, preferimos valorizar as celebridades fabricadas da mídia televisa e debochar dos verdadeiros valores nacionais.  Lá fora isso é diferente, os norte-americanos sabem valorizar e divulgar os seus heróis. Pergunte para um jovem entusiasta da IIGM quem foi o Tenente “Dick” Winters e com certeza você terá uma resposta, depois pergunte quem foi o Tenente Apollo Resk, pouquíssimos vão lhe responder.  Ambos são heróis de guerra e ambos receberam a segunda maior condecoração norte-americana por bravura, a diferença é que o último era um brasileiro da FEB.

PF – Quais dicas você daria aos jovens que desejam promover a FEB e a Segunda Guerra em geral?
MB – Comece visitando as associações, dando atenção e demonstrando simpatia pelos veteranos.  Parece que estará fazendo um favor, mas o maior beneficiado será você. Se o tempo permitir, você vai aprender muita coisa com eles, com tempo e com as leituras corretas você terá bagagem, depois é só divulgar e comentar sobre homens como Apollo Resk, José Esperança, Max Wolf, Arlindo Silva, Geraldo Baeta, Geraldo Rodrigues de Souza, Amaro da Silveira e tantos outros que sacrificaram a sua juventude ou a sua própria vida, para defender a sua nação e aquilo que julgava correto, longe dos interesses elitistas.

PF – Por gentileza, deixe as suas considerações finais:
MB – Generalizamos tudo, todo brasileiro é malandro, todo político é corrupto e por aí vai. Isso gera um corrente individualista. Esqueça os rótulos, judeu, católico, espírita, islamita, branco, negro, amarelo ou pardo. Temos que nos reeducar, pensar mais no coletivo, se colocar no lugar do próximo. Como aconselhou o Dalai Lama, “faça uma revolução espiritual e não uma revolução religiosa”.


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14 comentários

  1. isalete leal /

    Parabéns Maru. Fico emocionada quando vejo jovens cuidando da memória do nosso AMADO BRASIL. Como filha de Veterano da Segunda Guerra sinto um orgulho de poder fazer parte dessa História. Obrigada a todos os “FEB Reenactors Brasil”.

  2. Marcio Schafer da Silva /

    Parabens ótima reportagem e divulgação do Reenactor
    abração
    Schafer

  3. Essa galera sim merece respeito. Parabéns a todos vcs pela brilhante iniciativa !!!

  4. Fantástico!
    Excelente reportagem e bela iniciativa do grupo. Que encontre muitos seguidores.

  5. Esdras Barros /

    Maru, bom dia.
    Estava a procura de parentes BERZOTTI quando topei com vc. Voce é neto e bisneto de quais Berzotti ?

    Eu sou neto de Luiz Berzotti e de Maria Biazetto Berzotti, naturais da Italia, região provável de Treviso, e foram da região de Ribeirão Preto e adjacências, tais como Cajuru, Altinópolis e outras.

    Gostaria também de saber da chegada dos Berzotti ao Brasil, vc tem alguma informação a respeito ?

    Fico no aguardo de seus comentários.

    Um grande abraço.

  6. Isalete, Schafer, Wash e Durval Jr. obrigado pelas palavras de carinho e incentivo!

    Oi Esdras,

    Meu pai é de Cajuru! entre em contato no e-mail

    febreenactors@hotmail.com

  7. que bacana viva a feb viva o brasil

  8. André Viana /

    Gostaria que o entrevistado entrasse em contato comigo através do Derek que participa do Portal.FEB.

    Estou montando o meu uniforme tb, e pretendo estar com ele pronto para o 7 de setembro deste ano.

    Preciso de referencias para as calças, o anes de lona e as polainas.

    Já disponho do Capacete M1 e de Botas.

  9. eu, jurandir gostaria de ter con tarto com o historiador,sullas geovani, italiano que tem um musel na italia, sobre a feb, muito obrigado, transruf, de duque de caxias,rio de janeiro, brasil, muito obrigado.

  10. a transruf de duque de caxias,rio de janeiro, repassa fatos sobre a segunda guerra mundial, ida e a volta dos pracinhas brasileiro, na italia, a cobra fumou, sentar a pua, e marinha, em guerra, fatos reas.muito obrigado.

  11. Muito legal
    meu avo luto na divisao azul ( espanha)

  12. Ótima matéria! Tive oportunidade de conhecer em julho desse ano o museu da FEB em São João Del Rey e conversar com o veterano de guerra Cap. Ari. Foi fantástico! Vamos divulgar, poucos brasileiros conhecem a história de coragem desses soldados!

  13. Luís Flávio Andretti /

    Boa tarde!
    Gostaria da Vossa ajuda! Como faço para ter um uniforme da 2º guerra, deste que você esta usando?
    Estou querendo fazer o mesmo em minha cidade, Campos dos Goytacazes-RJ, sou Diretor de Patrimônio da Associação de Ex-Combatentes do Brasil – Campos dos Goytacazes-RJ.
    Se puder me ajudar agradeceria muito.
    Atenciosamente.
    Luís Flávio Andretti

  14. Maru Berzotti /

    Obrigado pelos comentários pessoal, se tiverem a oportunidade procure conversar com os veteranos, se possível gravar a entrevista, mas sempre com muito tato e zelo que esses heróis octogenários merecem.

    Aos colegas que tem interesse em montar um uniforme da FEB para honrar os nossos bravos, fiquem a vontade em entrar contato pelo e-mail febreenactors@hotmail.com, conheço algumas pessoas que vendem, ensino vocês a importar se for o caso, entre outras dicas de site. A Cobra continua fumando!

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