Quinta Coluna, O Inimigo Silencioso do Brasil

heitor lino de morais
Por João Claudio Platenik Pitillo¹
O processo em questão demonstra como a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi uma decisão difícil de ser tomada. Mais perigoso do que os submarinos do Eixo, eram os setores médios da sociedade brasileira que se identificavam com o fascismo. Esse agrupamento via o integralismo com bons olhos e sonhava com o Brasil aliado de Hitler.
Longe de ser um exceção, o processo em questão é parte de um vasto arquivo de investigações criminais que o Estado Novo instaurou para apurar a conduta de brasileiros, boa parte deles funcionários públicos civis e militares, que demonstravam de forma ostensiva sua preferência pelas forças do Eixo.
Era essa gente que causava temor nas forças armadas brasileiras, pois essas mesmas poderiam ser facilitadores de um ataque nazista no Saliente Nordestino, assim como, uma invasão argentina, apoiada pela Alemanha na fronteira Sul. Nesses dois lugares, os agentes de “quinta coluna” poderiam agir facilmente, já que praticamente não havia estradas ligando a capital Rio de Janeiro às Regiões Sul e Nordeste do país e as forças de defesa nessas regiões eram insipidas. Sendo o deslocamento aéreo bem precário, as rodovias inexistente e o transporte marítimo perigoso, comprometia a reação do governo em caso de ataque inimigo nessas áreas. Essa situação fez do fronte interno o desafio maior para Getúlio Vargas.
Fonte: APERJ: DESPES – Setor 738.

¹ Licenciado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2012. Tornou-se Mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2016 e é Doutorando em História Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) onde concluirá seu curso em 2020. Em toda a sua carreira acadêmica tem como objeto a Segunda Guerra Mundial.

É autor do livro “Aço Vermelho – Os Segredos da Vitória Soviética na Segunda Guerra Mundial”, Multifoco, 2014. Organizador dos livros “A Segunda Guerra Mundial 70 Anos Depois”, Multifoco 2016,Josef Stálin – Sobre a Grande Guerra Patriótica”, Raízes da América 2016, “A Segunda Guerra Mundial e Seus Momentos Decisivos”, Raízes da América, 2017 e “A Grande Guerra Patriótica dos Soviéticos”, Multifoco, 2019.

Ao logo dos últimos 20 anos têm desenvolvido pesquisas sobre a Segunda Guerra Mundial com ênfase na Frente Leste e no Estado Novo dentro do conceito de Primado da Política Interna sobre a Política Externa. No ano de 2015 recebeu a Medalha dos 70 da Vitória”, concedida pelo Consulado Geral da Federação Russa no Rio de Janeiro e no ano de 2019 foi agraciado com a Medalha “Na Luta Contra o Nazi-Fascismo Estivemos Juntos”, concedida pelo Consulado da Federação Russa no Rio de Janeiro e pelo Conselho Superior da União Internacional de Organizações Públicas – Comitê de Veteranos de Guerra.


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