Projeto Memória Viva – II

Patrulha da FEB nas imediações do Monte Castello – Tal qual numa patrulha com destino incerto, o Projeto Memória Viva avança. Se por um lado os obstáculos são desafiadores, por outro, os objetivos são nobres.

O Projeto Memória Viva vem repercutindo de forma extremamente positiva desde o seu lançamento. A chegada de inúmeras mensagens, de diversos pontos do território nacional, em busca de informações e orientações para a gravação de entrevistas com os pracinhas, evidencia um salutar e extremamente bem-vindo espírito de preservação da memória da FEB.

Conforme anunciado anteriormente, estamos disponibilizando uma ficha de entrevista , para download,  com uma série de perguntas básicas a serem feitas ao veterano. Trata-se apenas de um guia, visto que uma entrevista bem-feita pressupõe, entre outros atributos, um conhecimento mínimo da história da FEB; um pouco das técnicas de entrevista; de local e equipamento adequado.

Recomenda-se com veêmencia a realização de uma pré-entrevista para um contato inicial com o pracinha, informando-o do objetivo da atividade. Esta pré-entrevista é útil para o reconhecimento do local da gravação e, principalmente, para se conhecer de antemão a trajetória da unidade do veterano, a fim de que lhe sejam feitas as perguntas pertinentes. Um entrevistador que mostra desconhecimento do tema, dificilmente terá êxito em sua empreitada.

Um bom exemplo de técnica de entrevista pode ser vista neste link, de autoria do Prof. MS Pedro Celso Campos.

Utilize este Guia para a sua entrevista

Para que a entrevista possa ser aproveitada no Projeto Memória Viva, é fundamental o preenchimento do Termo de Autorização de Uso de Imagem e Depoimentos pelo entrevistado.

Este website possui um guia completo com vídeos que ensinam em detalhes a execução de uma boa entrevista.

2. CONTATOS

O contato com os veteranos da sua região pode ser obtido nas Seções de Inativos e Pensionistas do Exército Brasileiro (SIP), com endereços disponíveis neste link na aba SIP. Obviamente, por tratar-se de uma informação restrita, deve ser feito o prévio contato com o chefe da seção, explicando-lhe a razão da solicitação. Outra forma de serem obtidos os contatos é por meio das sedes regionais da ANVFEB (Associação Nacional dos Veteranos da FEB) neste link, na aba Endereços das Associações.

3. VÍDEO

O vídeo talvez seja o componente mais dispendioso do equipamento de gravação. Entretanto, para o fim a que se destina, e em relação ao custo-benefício, uma modesta câmera que utillize fitas mini-DV, apoiada sobre um tripé simples, dá conta do recado com extrema facilidade, podendo gravar em uma única fita 90 minutos de entrevista.

4. ÁUDIO

O áudio é tão ou mais importante do que o vídeo na entrevista. Procure utilizar um microfone externo, direcionado para o rosto do entrevistado. Por mais simples que seja o microfone, ele fornecerá um áudio de maior qualidade do que o microfone embutido na câmera amadora. Este link traz boas dicas sobre microfones; já este outro  link traz informações úteis para sua utilização.

5. SITUAÇÃO ATUAL DO PROJETO

Solicitamos a prestimosa colaboração dos admiradores da memória da FEB para que possamos levar o projeto adiante. Como já dissemos, trata-se de uma iniciativa de origem pessoal, independente de qualquer instituição pública ou privada, sem recursos que não os do próprio bolso dos seus idealizadores.

O Projeto Memória Viva está idealizado em um tripé, cujas bases são o Espaço Físico e Pessoal, o Espaço Virtual e as Entrevistas. São bases que necessitam de um ínfimo apoio institucional ou empresarial. Para uma instituição ou empresa, cujo orçamento anual ultrapassa a casa dos milhões de reais, o custo para a implantação do Projeto Memória Viva talvez seja ultrapassado até pelo gasto com o cafezinho. Isso sem falar no retorno com a promoção da sua imagem institucional.

a. Espaço Físico e Pessoal

Procuramos o apoio de uma instituição que possa ceder um espaço físico permanente, a fim de  acomodar o material histórico da FEB (depoimentos gravados, documentos, cartas topográficas, fotografias, vídeos, filmes, fardamento, jornais, mapas, desenhos, etc…) que no momento dispomos e os que enriquecerão esse acervo no futuro. Nesse espaço físico, há necessidade da alocação de pessoal especializado para receber e catalogar o material doado, seguindo os critérios arquivísticos apropriados e acondicionando-os de forma a protegê-los da ação do tempo.

Dentre o pessoal encarregado de receber as doações, é fundamental a existência de um aparato de informática (computadores e scanners) destinados a digitalizar o material impresso, colocando-o à disposição dos estudantes e pesquisadores no próprio local e em um espaço virtual na rede mundial de computadores (internet).

b. Espaço Virtual

A segunda base do tripé trata da construção de um espaço virtual (website) que possa receber o material digitalizado, bem como as contribuições de historadores e pesquisadores em todo o Brasil. Inicialmente, foi imaginada a utilização de Blogs e outros sites gratuitos, mas a idéia esbarrou nas acentuadas limitações técnicas e na exígua capacidade de armazenamento inerentes a esses meios gratuitos. Um website que atenda as necessidades do projeto, carece de hospedagem paga, de um banco de dados e pelo menos um webdesigner para a construção do layout, e a sua atualização e manutenção. No Exterior, inúmeras iniciativas deste tipo são empreendidas a décadas. No Brasil, dada a pouca valorização do nosso passado, isso é visto como excentricidade pu preciosismo. A seguir, estão os links de acesso de páginas voltados para a preservação da história oral dos veteranos na Europa e nos EUA.

http://www.natickvets.org/

http://dmna.state.ny.us/historic/veterans/vindex.htm

http://www.rusiviccda.org/oralhistory/

c. Entrevistas

Por conta da inexorabilidade do tempo, estamos priorizando a realização de entrevistas. Neste último sábado (3/12) participamos de uma reunião na Associação do Expedicionários Campineiros, como convidados, onde foram gravadas imagens para um futuro documentário.

Viúvas e filhas procurando manter viva a memória da FEB na AEXCamp: até quando?

Nela estavam presentes três dos derradeiros pracinhas de Campinas (Antônio Birochi, Justino Alfredo e Antônio Borro). De todos, o veterano Birochi era o único que se movimentava sem auxílio de terceiros. A maior parte dos participantes era composta pelas viúvas dos pracinhas. Num canto do salão, três pequenas caixas de papelão guardavam o que resta do outrora rico acervo da Associação, hoje dilapidado por terceiros e colocado à venda na internet de forma criminosa.

Veterano Antônio Birochi

Por conta da avançada idade, o pracinha Justino tem a sua visão e audição comprometidas, permanecendo em silêncio por boa parte do tempo. Entretanto, absorto em seus pensamentos, sua memória aguçada por certo relembrava as antigas reuniões na Associação, quando muitos dos 328 veteranos campineiros, ainda no vigor da juventude,  enchiam a atmosfera o salão com os risos e animadas conversas, rememorando os episódios da Guerra. De volta ao presente, Justino, com a gentileza e a educação que lhe são peculiares, se vira e nos faz uma pergunta: - Por que só agora vocês nos procuram para fazer um trabalho desses?

Não consegui responder a pergunta.

Justino Alfredo e a pergunta sem resposta: por que só agora o interesse pela FEB?

Colaborador: Durval Jr

durval.1990@gmail.com

 


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5 comentários

  1. Robson Santos /

    “Por que só agora vocês nos procuram para fazer um trabalho desses?”

    Essa pergunta nos cala profundamente !

    Gostaria de saber se pode usar outras câmeras como as fotográficas digitais ou apenas as câmera que utillize fitas mini-DV como requisito minimo ?

  2. tire sua dúvida com o e-mail do Durval no fim do artigo.

  3. e uma vergonha para os brasileiros , so agora q quaze todos os combatentes estao mortos, que estao demonstrando interesse . moro aqui nos estados unidos e aqui os velhos combatentes sao tratados como herois, teem toda a atencao do governo, ja o brasil nunca se importou com os nossos combatentes.
    isso e uma vergonha nacional , nao respeitar ou ouvir um combatente desse.
    parabens pelo post muito bom, espero que com postagens assim possamos tentar mudar um pouco esse passado vergonhoso.
    muito obrigado

  4. Mario Viana da Silva Botelho. /

    Grande trabalho sim, se faz necessário manter viva a trajetória desses homens, sofrimento, fadigas, saudades da família e tantos que ficaram perdidos no tempo e os do presente quase não se percebem suas existências já no final de suas vidas e quando sumir o último combatente da FEB a quem devemos prestar nossas honras, as as suas sepulturas, ainda estar em tempo, façamos agora.
    Forte abraço.
    Pres. ASARESFA/PE.
    BRASIL! NÓS SOMOS A PÁTRIA.

  5. Alano Alexandre Umbelino de Barros /

    Bom dia, sou professor de História e meu tio foi um soldado da FEB, Major Alano Umbelino de Santana. Estou participando da organização de uma exposição sobre os soldados da FEB de Porto Ferreira-SP, gostaria muito de convida-los, como posso fazer.
    Nome Alano Alexandre Umbelino de Barros
    RG 36.464.978-1 SSP-SP
    ZAP 019 983608011

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