Professor Israel Blajberg visita Museu do Seringal

VIAGEM DE ESTUDOS DA SOAMAR-RIO À AMAZONIA

Prof. Israel Blajberg (*)

Prosseguindo no programa de conhecimento das atividades navais, a comitiva da SOAMAR-RIO embarca para Manaus: Seminário Hidrovias, Reunião SOAMAR N e visita ao 9º. DN.

A aeronave lotada de turistas, japoneses, americanos, ingleses, ultrapassa a Serra dos Órgãos, logo estamos sobre terras mineiras, a Represa de 3 Marias imensa, em seguida as terras cultivadas do Centro Oeste. Já voamos há mais de 2 horas e ainda estamos longe, atestando a imensidão desse Brasil. De repente o dia escurece. Em meio às nuvens carregadas, o piloto mal consegue contornar a tempestade amazônica que se abate. A água cumpre seu ciclo, qual arfar de gigantesco pulmão. Do Brasil. Mais algum tempo e a claridade diurna reaparece. Das alturas divisamos os meandros dos rios, imensos ainda que à distância, caudalosos, a selva protegendo as riquezas do subsolo, quantos trilhões ainda a pesquisar, fazer deste pais uma nação cada vez mais rica.

Finalmente aterrissamos. Já no aeroporto as obras denotam que a cidade se prepara para receber mais turistas na Copa, Manaus está bem cuidada e com varias obras em andamento. Já vai longe o tempo em que a alface vinha do Sul Maravilha por via aérea …

Na FIEAM assistimos a elucidativas palestras onde fica claro o relevante papel da Marinha no equacionamento das hidrovias, seja pela fiscalização, planejamento, treinamento de pessoal. O novo Centro Aquaviário será fundamental. A SOAMAR local trabalha intensamente neste e em outros projetos, como o Museu MUNAVE.

Quando parecia terminar o seminário, surpresa… os acordes do Boi Bumbá enchem o salão, entusiasmando o público que se levanta para assistir melhor ao puxador Arlindo Jr e suas cunhãs. Logo adentra o recinto o Boi de Parintins, todos querem tirar uma foto com o símbolo da festa máxima do folclore amazonense. A muito custo consegue-se arrastar os mais empolgados para o ônibus, destino Estação Naval do Rio Negro.

A Estação impressiona pelo tamanho. O ônibus demora até chegar ao local do almoço, o Comando da Flotilha do Amazonas. Passamos pela Capela de N. S. dos Navegantes, Btl Op Ribeirinhas dos Fuzileiros, Policlínica, Operação Cisne Branco, Casa do Marinheiro, parquinhos, salas de convivência, Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral e diversas outras instalações que atestam o vulto da missão de que se desincumbe a Marinha. O 9º. DN tem jurisdição sobre todas as bacias fluviais dos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.

Durante o almoço aproveitamos para troca de ideias com a tripulação, após o que nos dirigimos para o embarque em 2 NaPaFlu da Flotilha do Amazonas, que levam o nome de Raposo Tavares (P21) e Pedro Teixeira (P20).

A tarde é agradável, durante a navegação entre a Ponte do Rio Negro e o Encontro das Águas, recebemos informações sobre as características e operações do RAPOSO TAVARES, onde pudemos acompanhar ainda que por breves momentos as fainas de bordo e conhecer um pouco da vida dos marinheiros nos rios. O navio parece até novo, tudo muito bem conservado, limpo, arrumado. Do passadiço observamos as manobras, sendo que diferente do mar no rio os navios navegam praticamente estabilizados. Até onde a vista alcança, o rio imenso margeado pela floresta densa. A visão que levamos no subconsciente é a do Pavilhão Nacional tremulando no mastro, como a querer dizer que estas terras e estas águas são nossas, o legado das lutas de Raposo Tavares, Pedro Teixeira e tantos que os sucederam, e que cumpre a nós brasileiros defender.
Onde as águas escuras do Rio Negro encontram as águas barrentas do Solimões, que passa a denominar-se Amazonas, fazemos os tradicionais pedidos, arremessando às águas uma moedinha: Que a Amazônia Brasileira Seja Sempre Nossa …

A sexta-feira foi proveitosa. Os navios atracam e retornamos ao Hotel Tropical, experimentando pela encantadora Manaus que um dia foi bucólica e mansa o transito intenso comparável ao de qualquer grande metrópole. A cidade se esparrama avançando pela floresta, qual ameba que se multiplica lançando seus tentáculos ao longe.

No dia seguinte sábado realiza-se o Encontro das SOAMAR do Norte, presente o Comandante do 4º. Distrito Naval, sediado em Belém, Vice Alte Ademir Sobrinho, que em mais dois dias receberia as platinas de Almirante-de-Esquadra, indo assumir importante função no MD,
e o Comandante do 9º. Distrito Naval, Vice-Almirante Domingos Sávio Almeida Nogueira, paulista de Lorena, que assumiu a função em 15 abr 2013

O Alte Savio abre o Encontro com uma compreensiva exposição sobre a atuação da Marinha na Amazônia, discorrendo sobre os desafios que se apresentam, e os projetos a serem desenvolvidos em sua gestão iniciada este ano.

Seguem-se as apresentações do Chefe do Centro de Comunicação Social da Marinha, Alte José Roberto Bueno Jr., que realiza ampla exposição sobre as diversas áreas de atuação da Marinha, do anfitrião Presidente da SOAMAR Amazonas Sr Mariano Rebelo, Presidentes das SOAMAR da região e do Presidente Nacional Dr Meton Cesar de Vasconcelos. O evento se encerra com as palavras do Alte Ademir, e as tradicionais trocas de presentes.

Manaus  nov 2013 279

No domingo pela manhã realizamos agradável passeio cultural, navegando em iate por especial cortesia do Presidente da SOAMAR Amazonas, Sr Mariano Rebelo. Conhecemos o fantástico Museu do Seringal, conhecendo como era a vida difícil dos chamados soldados da borracha, as instalações da casa do barão seringalista, a moradia precária dos homens praticamente escravizados, o processo de retirada do látex e seu beneficiamento em pélas, e a cena do banho da senhorinha, tornada famosa em recente novela.

Dias da descoberta, o tempo passou mais depressa do que gostaríamos. É hora de retornar para casa. O longo voo de volta nos traz a oportunidade de refletir sobre o que vimos, a esperança da redenção da Amazônia, a lembrança de abnegados homens e mulheres de uniforme branco investidos de sagrada missão, honrando os sinais erguidos ao mastro da nau capitânia naquele dia já distante de batalha, também em um rio. Os Sinais de Barroso seguem animando aos idealistas brasileiros, patriotas e determinados.

“O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”

“Sustentar o fogo que a vitória é nossa”.

VIVA A MARINHA !

VIVA O BRASIL !

(*) 2º. Diretor Social

SOAMAR – RIO

iblajberg@poli.ufrj.br


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1 comentário

  1. Lucas Viana Nogueira /

    Um dos meus dois tio-avôs que é veterano da segunda guerra mundial foi um soldado da borracha. Ele ainda é vivo é reside no município de Trairi no interior do Ceará.
    OBS: O meu outro tio-avô também é veterano, só que ele foi para a Itália com a FEB.

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