Pracinhas Rememorados – Expedicionários de Avaré Esquecidos

Esquecidos hoje, expedicionários de Avaré lutaram em batalhas decisivas na 2ª Guerra

 

Monumento em honra dos Expedicionários. Obra do artista plástico Fausto Mazzola, que aparece nessa imagem de 2001, no Largo São João, em Avaré.

*Gesiel Júnior

Jovens, pobres e despreparados. No entanto, eles fizeram parte de uma tropa que dividia sua comida com os flagelados da guerra e as crianças entravam na fila antes dos soldados. Eram os brasileiros.

A crônica histórica redescobre hoje o perfil real da imensa maioria dos mais de 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviados à Europa para juntar-se aos aliados ocidentais (Estados Unidos, Inglaterra e França) contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

De Avaré, 33 alistaram-se e poucos sabiam usar as armas recebidas do exército americano. Contudo, partiram com a cara e a coragem e sem treinamento e nem planejamento para lutar contra as ardilosas forças nazistas.

Convocados, os rapazes, todos de origem humilde, quase de repente, tiveram que aprender a combater e a conviver com o frio, o medo e com uma língua estranha.

Integraram a histórica tropa avareense o tenente Benedito Rodrigues, os sargentos Aubin Pinto de Toledo, Augusto Tobias e Olavo Merchet Mendes, os cabos Domingos Barreira Sobrinho, Francisco Verpa, Lázaro Alves e Pedro Luiz Dias da Fonseca, além dos soldados Antônio Antunes de Arruda, Arnold Bento Mariano, Avelino Pinto Carneiro, Benedito José Pereira, Edmundo Trench, Hugo Mazzoni, Isoldino Francisco, João Batista, João Dias da Silva, João Venâncio, Joaquim Aprígio Ferreira, Joaquim Moura Pinto, José Barbosa Pereira, José Fernandes Marques, José Silva, José Valim Filho, Luiz de Moura, Luiz Quartucci, Nicola Cortez Neto, Pedro Mariano da Silva, Pedro Nespeca, Rufino Gomes, Sérgio Bernardino, Vicente Honorato de Morais e Ulisses Padilha.

NO FRONT - A partida dos nossos expedicionários – chamados popularmente de “pracinhas” – ocorreu em setembro de 1944, quando integraram os 2º e 3º escalões, comandados, respectivamente, pelos generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Olímpio Falconière da Cunha.

Ao aportarem em Nápoles, eles se juntaram ao 5º Exército norte-americano, comandado pelo general Mark Clark, que por sua vez fazia parte do 15o Grupo de Exércitos Aliados.

O objetivo maior na Itália, naquele momento, era manter o exército alemão sob pressão, de modo a não permitir que seus comandantes deslocassem tropas para a França, onde se preparava a ofensiva final.

No princípio de 1945 os avareenses participaram da conquista de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, mas em 2 de maio as hostilidades cessaram em terras italianas, em virtude da capitulação do último corpo de exército alemão.

Há exatos 66 anos a guerra chegou ao fim na Europa. Na volta ao Brasil, os pracinhas foram recepcionados com grande entusiasmo popular. O fato, sem dúvida, precipitou a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo, inaugurando uma nova fase de redemocratização na história do país.

FESTA DO EXPEDICIONÁRIO – Empolgado com o fim do conflito mundial, o padre Celso Ferreira, pároco de Avaré, registrou assim as comemorações ocorridas em 1945: “Depois de 5 anos de guerra, talvez a mais tremenda da história, no dia 8 de maio o mundo viu cair a paz com a rendição das forças alemãs e de sua aliada, a Itália. A cidade vibrou de alegria por todos os títulos de solidariedade e ainda mais porque nos campos de batalha tinha muitos filhos seus que voltariam então a encher de paz e alegria os lares paternos”.

Na noite de 8 de maio, segundo relato desse mesmo sacerdote, houve um espetáculo deslumbrante: “O que se via à frente da Matriz, onde se armou artístico altar diante do qual se cantou solene ‘Te Deum’ em ação de graças uma incalculável multidão se comprimia na praça”. Depois, no Largo São João, houve entusiástico ‘meeting’ com inflamadas orações patrióticas.

Com a volta dos soldados houve a Festa do Expedicionário em 14 de novembro. Nesse festivo dia foi celebrada missa campal pelo padre Salústio Rodrigues Machado na qual compareceram estudantes, autoridades e todos os expedicionários. Em seguida, inaugurou-se um monumento no Largo São João em homenagem póstuma ao soldado Sérgio Bernardino. Houve também ali a bênção do avião que trazia o mesmo nome do único pracinha avareense morto em combate.

 

“As lembranças de guerra do Brasil estão vivas no bom combate que travou na luta pela paz. Preservemo-las”.

Sérgio Paulo Mota Muniz, historiador

 

• Do livro “Avaré em memória viva – volume II”, de Gesiel Júnior, Editora Gril, 2011.


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5 comentários

  1. Pedro Mariano da Silva, da cidade de Avaré, faleceu aos 93 anos de idade, na data de ontem, 13 de abril de 2015. Foi sepultado com honras militares.

  2. Foi sepultado nesta tarde de segunda feira, dia 13 de abril, na cidade de Avaré-SP, o sr. Pedro Mariano da Silva.
    Ele era, dentre os 33 pracinhas avareenses que serviram a FEB – Força Expedicionária Brasileira durante a 2a. Guerra Mundial e que voltaram para Avaré, o último sobrevivente.
    Morre aos 93 anos.
    Homem íntegro era muito bem conceituado na cidade, perdera a esposa Lourdes Castanheira da Silva,há alguns meses atrás.
    Deixa os filhos José Moacyr da Silva, Pedro Ozório da Silva, Celso Luis da Silva, Erminio Aparecido da Silva.
    O sr.Zé Moacyr, como é conhecido, durante alguns anos aqui morou em Campos do Jordão onde tinha uma marcenaria na Volta
    Fria é pai de Tatiana Pereira da Silva ( Taty ) jordanense e companheira do meu filho Rodrigo, a quem numa ocasião em Avaré ele, o sr. Pedro Mariano da Silva, confidenciou, sobre os horrores da guerra : ” O duro é que nós matávamos para os outros” .Disse também que na guerra ele tirou uma granada armada da mão de um soldado que queria se matar, e a jogou longe.
    Pedro Mariano da Silva, pelos relevantes serviços prestados à Pátria foi sepultado com honras militares.
    https://www.facebook.com/video.php?v=10205005345186733

  3. Meu Bisavô, de Avaré, foi soldado na segunda guerra mundial também, porém seu nome não consta nessa lista, ou escreveram errado. Seu nome é José Batista Pereira.

  4. Meu avô, João Batista, também foi soldado na 2° Guerra Mundial, queria ter tido mais oportunidade de conversar e ouvir suas histórias, faleceu quando eu ainda era menina, não tinha curiosidade de saber de seu passado, foi um grande homem e será lembrado por todos que conviveu com ele.

  5. Meu avô, João Batista, também foi soldado na 2° Guerra Mundial, queria ter tido mais oportunidade de conversar e ouvir suas histórias, faleceu quando eu ainda era menina, não tinha curiosidade de saber de seu passado, foi um grande homem e será lembrado por todos que conviveu com ele. Ele não gostava de falar muito sobre o assunto, pois seu melhor amigo faleceu nessa guerra.

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