Observações sobre o Museu do Expedicionário

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Uma cortina de fumaça envolve o Museu do Expedicionário […]  Esta diretoria do Museu do Expediconário está levando a situação a um extremo, é preciso dar um basta. Ela age sozinha e manipula os velhos diretores!

De longa data são os problemas que envolvem o Museu do Expedicionário, tutelado pela Legião Paranaense do Expedicionário desde a sua criação logo no pós guerra. Os problemas apontados pelos internautas, envolvem a questão do sumiço de armas de suas vitrines e o que é mais grave a doação de peças pela própria diretoria sem contrapartida, situação bem exposta pelo professor Dennison de Oliveira da UFPR. Dentre as peças que não eram replicas estão o fuzil do tenente Ari Rauen enviado ao 5º RCC de Rio Negro e a bandeira nazista de tão grande significado, levada pessoalmente a Aquidauana pelo responsável pela LPE e pela sra. Valderez A. Ferreira que fazia parte da diretoria. Acreditamos na boa vontade destas unidades militares, mas que não se configuram como museus.

Outro problema que se constitui no momento é o número diminuto de associados acarretando outras conseqüências.  Em 2001, com o falecimento do presidente major Iwersen, e por ele inspirado, criamos a Associação de Amigos do Museu do Expedicionário, cuja duração foi de poucos meses e dissolvida pelo presidente substituto. Contava na época com mais de 100 associados.

Em nossos dias, no sentido de colaborar com a LPE, um grupo de amigos, constituído por filhos, parentes de combatentes e  simpatizantes resolvemos solicitar nossa entrada na LPE como associados. Sabemos da real situação em que se encontram muitas das associações da FEB que ainda sobrevivem. Seguindo os estatutos vigentes da LPE, apesar das dificuldades  esbarrarem em categorias diferenciadas, fomos apresentados por um ex-combatente e sócio da LPE. Destas petições cerca de 11 delas, mesmo os residentes fora de Curitiba foram aceitos. A negativa sem justificativa, veio em meu nome da profa. Carmen Lúcia Rigoni, Arlindo Domingos Rigoni, meu esposo e Edison Hypólito Jr., os dois últimos ligados diretamente  a combatentes na Itália. A carta simples postada e impressa em papel sulfite ,em termos coletivos, (sem diferenciar masculino ou feminino) sem timbre e carimbo,  foi assinada unicamente pela presidenta Valderez A. Ferreira em nome da diretoria

O que dizer a respeito de tal fato?  Realmente um descaso, faltou sensibilidade.

Durante 3 semanas Arlindo D. Rigoni, buscou o diálogo com a diretoria, não foi atendido.

Eu, profa. Carmen Lúcia Rigoni, tenho o reconhecimento do meu trabalho em prol da FEB nos meios acadêmicos, seja pela UFPR e UFSC. Sou membro efetivo da Academia de História Militar Terrestre do Brasil desde 2009, ocupando a cadeira que pertenceu à major Elza Cansanção Medeiros, enfermeira da FEB.

Das diversas associações de ex-combatentes espalhadas pelo Brasil, fui honrada com 15 medalhas, duas das quais da LPE, a Medalha Max Wolff e a Cinquentenária da Casa do Expedicionário. Da Associação Nacional dos Veteranos da FEB detenho a sua mais alta condecoração, a Medalha Mascarenhas de Moraes. Do Exército Brasileiro recebi a Medalha o Pacificador pelos bons serviços prestados, além de inúmeros diplomas concedidos por instituições militares.

Sou sócia benemérita da Associação Nacional dos Veteranos da FEB ( R.J) desde 2002

Atuei no Museu do Expedicionário durante 12 anos como coordenadora pedagógica e de pesquisa, quando do grande momento desta instituição, seja pelas exposições itinerantes e o envolvimento com a comunidade.

Hoje represento a Associação Nacional dos Veteranos da FEB- seção Curitiba.

Diante dos acontecimentos e pela dignidade dos envolvidos, estamos dispostos a tomar medidas mais drásticas de representatividade contra este cerceamento.

Ao nosso ver, é necessário a diretoria da LPE, retomar o bastão da FEB e por ele manter acesa a chama, seguir a saga dos que já se foram, dignificando, respeitando e honrado as pessoas que em passado próximo recente, como nós tanto já fizemos pela instituição.

Carmen Lúcia Rigoni

Historiadora.

Curitba, 26 de outubro de 2013

Confira outros artigos da pesquisadora para o Portal:

Filme A Montanha

O Dia da Vitória em 1945 – As lições para a paz

A atuação da FEB em Montese (Itália) e a Ofensiva da Primavera

Monte Castelo: a vitória de um povo

O Dia mais longo do ano, 6 de junho de 1944

XXIV Encontro Nacional, por Carmen Lúcia Rigoni

Nota de Falecimento: Enfermeira Virgínia Leite

XXIII Encontro de Combatentes da 2ª Guerra Mundial em POA

La Forza di Spedizione Brasiliana – Monumentalística Italiana

A tomada de Montese na Itália e os correspondentes de guerra

O futuro das associações de ex-combatentes no Brasil


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7 comentários

  1. Mas se alguém com o perfil da Carmen Rigoni não é digna de pertencer a LPE então não sei quem poderia ser considerado adequado. Aproveito para convidar a todos para conhecer a dissertação de mestrado dela, de quem tive a honra de ser orientador: http://dspace.c3sl.ufpr.br/
    http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/25061/D%20-%20RIGONI,%20CARMEN%20LUCIA.pdf?s

  2. Tem meu apoio incondicional!

  3. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    A Professora Carmem Rigoni tem honrado a História da FEB em sua trajetória profissional. Ela como ninguém teve a sensibilidade em trazer o desempenho do Corpo de Saúde, tão amorosamente denominado como “Os Anjos de Branco” nos campos de batalha.
    Tenho em minha memória o testemunho da Capitã Virginia Leite ao destacá-la como referência nos assuntos ligados à Campanha da FEB. Diga-se que a referida Enfermeira Virginia foi uma das organizadoras do Museu do Expedicionário. Sou filha da também Enfermeira da FEB,Aracy Arnaud Sampaio e aqui expresso meu total apoio à lucidez e conhecimento histórico de tão capacitada CIDADÃ. Sobre as diferenças humanas ao gerar conflito nas relações só posso dizer que a diversidade carece de respeito e tolerância.

  4. É lamentável o descaso com a Profª Carmen Lúcia Rigoni que há anos vem se dedicando seus estudos e pesquisas sobre a II Guerra Mundial. A memória dos veteranos das guerras não podem ser esquecidas e desprezadas.

  5. Carlos Augusto Campestrini /

    É DESANIMADOR VER ALGUÉM COM TODA ESSA EXPERIÊNCIA E CONHECIMENTO, COM UM TRABALHO INQUESTIONÁVEL NA MANUTENÇÃO DA HISTÓRIA DA NOSSA QUERIDA FEB, SER TRATADA DESTA MANEIRA. QUANDO VEJO FILHOS DE VETERANOS DIFICULTANDO A MANUTENÇÃO, A PESQUISA E A DIVULGAÇÃO DE UM LEGADO, EU QUE NÃO SOU PARENTE DE VETERANO, CHEGO A PENSAR EM DESISTIR, MAS, NESSE CASO, AQUELES MAIS PROPENSOS A CRUZAR OS BRAÇOS SAIRIAM VITORIOSOS. NÃO QUERO MEDALHAS, MAS QUANDO VEJO ALGUÉM QUE NÃO SABE SEQUER DE ONDE ERAM OS NAVIOS NOS QUAIS A FEB EMBARCOU, RECEBENDO AS SUAS, ME REVOLTO. QUANDO VEJO UM PORTADOR DE MeDALHAS NEGANDO AUXILIO DE QUEM PODE E QUER COLABORAR NA MANUTENÇÃO DAS ENTIDADES QUE MANTÉM VIVAS AS MEMÓRIAS DA FEB, QUESTIONO QUAIS AS VERDADEIRAS RAZÕES DESTAS PESSOAS. TODOS DEVERIAM TRABALHAR DE MÃOS DADAS E ISSO SERIA O MÍNIMO A SE ESPERAR DE QUEM TEM REAL INTERESSE NA PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA.

  6. Aurora Mercer Gonçalves /

    Profª Carmen, tem meu apoio.
    Sei quanto a senhora divulga o trabalho da FEB.
    Neste momento em que encabeça, um aumento do número de associados para a LPE, para que a instituição continue em pé, para que as gerações de agora e do futuro possam saber, conhecer e compreender o que foi a FEB, tem seu nome vetado, só tenho a lamentar…

  7. Cesar Campiani Maximiano /

    A profa. Carmen Rigoni é uma profissional da mais alta competência. Em seu tempo no museu, os parâmetros eram próximos de museus como o Imperial War Museum e o Musée de L’Armée.

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