O roteiro da Força Expedicionária Brasileira por um Australiano

“May fellowship among peoples, born
of respect among men, succeed in banishing
the word ‘war’ from every lexicon.”

Massarosa, Tuscany, 5/6/2013.

Frederick Green mora em Sydney, Australia. Estudou física na South Wales University. É fã de Milton Nascimento e Zélia Duncan.

Anotações dos Monumentos italianos da Força Expedicionária Brasileira, por Fred Green

Em Maio-Junho desse ano (2013) fiz uma viagem de família no Viareggio, um porto e resort ao norte da Toscana. Eu tinha também o desejo de visitar alguns dos monumentos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália.

O que poderia ser que um anglo-italiano, morando por anos na Austrália, teria tão interesse na FEB e sua história? Derek Destito Vertino, organizador do site Portal FEB, me pediu de explicar.

Aqui vou expor alguns pensamentos e sentimentos sobre isso, com algumas fotos que fiz em Massarosa e Pistóia.

Tudo iniciou pra mim quando eu estava buscando informações sobre a Campanha da Itália. Sgt Harold Green era mensageiro no Corpo da Artilharia, VIII Exército Britânico, apaixonou-se por Angelina Domenici, garota de Viareggio, e casaram mais tarde. Meu pai morreu em 1994 sem nunca ter falado comigo de suas
experiências (exceto sobre a marca de sua moto: uma BSA).

Foto de uma moto BSA
Créditos: Dog Dragons

Comecei à acumular qualquer informação que se pudesse conseguir da Campanha Italiana. Descobri uma parte da carreira de guerra de Harold – foi em Anzio e Monte Cassino.

Li também do fato surpreendente que Massarosa e Camaiore – dois locais ao pé da serra, não mais de 5km longe da Viareggio – foram liberadas por brasileiros.

Brasileiros!? Na Itália em 1944? Polacos, checos, liberos francêses e marroquinos; indianos, gurkhas, canadenses, judeus, australianos, neozelandêses – por a associação inglês – não foram grande surpresa. Mas brasileiros?

Este é um fato histórico, pra mim tão fora do comum, que me deixou intrigado. O que aconteceu com os brasileiros, em frente com as forças norte-americanas e inglesas? Eu precisava descobrir mais.

Ao mesmo tempo disso, descobri um novo interesse no Brasil, ainda diferente: sua música! Finalmente comecei à aprender o português, primeiro a fim de compreender as letras, em toda beleza delas; e agora, para imergir-me numa cultura excepcional com tantas ligações com minha parte latina, mas também em alguns modos similares à a história pós-colonial, e ao meio imigrante, da Austrália mesmo.

Todo isso me traz as minhas “expedições” italianas. Mais fácil foi visitar Massarosa com um velho amigo da escola primária do breve tempo que estudei na Viareggio. Descobrimos o pequeno jardim votivo pra FEB. Depois, fomos apresentados ao prefeito!

Fui em Pistoia, onde tinha sido recebido por Mario Pereira, diretor do Monumanto Votivo FEB principal, no San Rocco, incluindo o sepulcro do Militar Desconhecido.

Como eu mesmo, Sr Mario é um tipo de híbrido; um “fruto” da Guerra exceto que seu pai era brasileiro e meu, inglês. Seu pai morou na Italia como o primeiro diretor do Monumento de San Rocco; meu pai tinha muito de permanecer na Italia – mas nos anos 50 havia pouco trabalho pera os italianos e muito menos para os estrangeiros. Assim os meus chegaram na Austrália.

Tirei muitas fotos mas naturalmente já têm melhores aqui no site. O que poderiam ser novas são essas de excelente exposição que Mario Pereira tem criada no edificio onde se encontra seu escritório, onde ele administra o Monumento e organiza os vários eventos no respeito da FEB.

Essa experiencia foi realmente recompensadora e comovente. E não só por meu afeito que sempre cresce para o Brasil, também por que me traz mais perto de meu pai, conhecendo o panorama maior.

Por último me acho obrigado lembrar um outro parente: Fortunato Malfatti, predileto primo de minha mãe. Combateu “doutro lado” como um alpino, enviado na frente russa, de onde nunca voltou. Esse também faz uma parte concreta do meu passado. Tenho as cartas de guerra que ele escreveu para a minha mãe.

English original

Note on photos of the Brazilian War Memorials, by Fred Green

In May-June this year (2013) I made a family visit to Viareggio, a port and resort town in Northern Tuscany. I also wanted to visit some of the memorials to the role played by the Força Expedicionária Brasileira (FEB) in tialy in 1944-45.

Why would an Anglo-Italian, living for many years in Australia, become interested in the FEB and its history? Derek Destito Vertino, director of the FEB web Portal, has asked me to explain. So here I give something of my thoughts and feelings, and a few of the photos I took in Massarosa and Pistoia.

For me it began when researching my own father’s war history. Sgt Harold Green was a despatch rider in the British 8th Army Artillery when he met and soon married Angelina Domenici, a girl from Viareggio. My father died in 1994 without telling my anything about his experiences (except the make of his motorbike: a BSA).

I started gathering what information I could about the Italian Campaign. I found part of Harold’s war record – he was at Anzio and Monte Cassinu. But I also read the surprising fact that Massarosa and Camaiore – two foothill towns not 5km from Viareggio – were liberated by the Brazilians.

Brazilians!? In Italy in 1944? Poles, Czechs, Free French and Moroccans; Indians, Gurkhas, Canadians, Palestinian Jews, Australians and New Zealanders – because of the British connection – were not a surprise. But Brazilians?

Such an extraordinary historical fact had to become an independent interest for me. Could there even have been Brazilians alongside the US and British forces when Viareggio was liberated? I wanted to find more.

At the same time I found a new and very different Brazilian interest: its music! Eventually I began Portuguese lessons, at first to understand the beautiful lyrics and now to really immerse myself in this unique culture, with so many links to my own Latin part but also in some ways like the post-colonial, immigrant ethos of Australia itself.

This brings me to my Italian “expeditions”. Easiest was to Massarosa with an old friend still from the short time that I was in primary school in Viareggio. We found the small memorial garden. Later we were introduced to the Mayor! I went to Pistoia and was met by Mario Pereira, curator of the main FEB Memorial at San Rocco, with the tomb of the Unknown Soldier.

Like me, Mario is a kind of hybrid; a “product” of the War, except his father was Brazilian and mine English. His father stayed on in Italy as the first director of the San Rocco Memorial; mine would have loved to stay – but in the ’50s there was little work for Italians, let alone foreigners. That is how we reached Australia.

I took many photos but of course there are much better ones on the FEB Portal already. What may be new are some that I took of the excellent exhibition which Mario Pereira has set up in the building that contains his office, where he does the managing of the Memorial and the organising of various FEB-related events.

So now I am at the end of my report. It has been a rewarding and moving experience. And not only because of my growing affection for Brazil but also it has brought me closer to my father by understanding the wider picture. Finally, I feel obliged to remember another relative, my mother’s favourite cousin Fortunato Malfatti. He fought on the “other side”, as an Alpino sent to the Russian front from which he never returned. He too is a firm part of my own past. I have the war letters he wrote to my mother.


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5 comentários

  1. SOU FILHA DE EX COMBATENTE, MEU PAI PEDRO MARCONME CONTOU ALGUMAS PASSAGENS, ESTOU FAZENDO ALGUNS RELATOS, COMO POR EX. QUANTO TEMPO O ULTIMO NAVIO DEMOROU P ANCORAR POIS OS PORTOS DA ITALIA ESTAVAM DESTRUIDOS. E A RAÇAO DE SUBSISTENCIA NOS NAVIOS JA FALTAVA. DEIXOU ALGUMAS PISTAS MAS GOSTARIA DE SABER MAIS

  2. Luiz Carlos Moraes /

    Bom dia ! Como havias dito q estás estudando a língua q se fala no Brasil, português, resolvi escrever neste idioma. Sabes, aqui, no dia 7/Set., é comemorado a Independência do Brasil e há desfile militar e sempre há um batalhão de Pracinhas (assim são chamados os ex-combatentes da 2ªGuerra Mundial. E por conseguinte há muitas informações q podes obter direto com os q ainda estão vivos. Se quiseres podemos nos falar mais. Abraços !

  3. isalete leal /

    O Portal FEB anda pelo mundo e conseguiu uma belíssima reportagem com Frederick Green que mora em Sydney, Australia, sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
    Como filha de veterano, quero agradecer ao Frederick, por mostrar sua excelente pesquisa e fotos para enriquecer ainda mais nossos conhecimentos sobre esse grande conflito.

  4. Boa tarde, quero dizer “muito obrigado” de todos seus comentarios. Mesmo se nada devesse acontecer desses contatos, nunca faltam de fazer bem ao coracao e a ficar na lembranca. Me parace de estar sempre ao inicio dos meus estudos brasileiros, da sua historia tambem. Enquanto a’ la lembranca da indipendecia de nossos dois paises, Brasil e Australia, aqui o dia principal e’ abril 25. Memoria da batalha no 1916 dos Dardaneles dos australianos (com ingleses, neozelandeses e franceses) contra a Turquia: batalha perdida mas que marcou uma nova identitade nacional. Agora, nehum veterano dessa guerra esta’ sobrevivente. A tambem da guerra 2a os vehos soldados australianos (mau pai ingle^s tamabem), como os pracinhas do Brasil, ficam menos cada ano. Sra. Leal – e todos voce^s – se voce^ quer escrever, ‘to no FB ou se pode referer a meu site acima. De novo obrigado, Fred Green

  5. Vitor, PY2NY /

    Nice article, Fred.
    We are happy to see an increasing interest in our Brazilian Expeditionary Force.
    I think that we have no more than 800 ‘pracinhas’ alive today, and we lost a lot of History with them.
    They were a diferent kind of heroes for us.
    Again, congratulations. By the way, nice BSA bike…

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