O futuro das associações de ex-combatentes no Brasil

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Do caos que emerge de uma guerra, seus  participantes, estreitam os laços de amizade  e companheirismo  no momento delicado em que a sobrevivência está á prova e a vida se constitui em uma tênue  esperança  no incerto caminho da campanha.

No retorno da guerra, combatentes de quase todas as guerras, sentem a dificuldade de adaptar-se ao novo meio. A família é o elo afetivo, mas faltam-lhes os companheiros. O século XX veio trazendo a novidade da criação de muitas associações de combatentes em quase todos os locais onde a guerra aconteceu.

A Força Expedicionária Brasileira, que atuou nos campos da Itália durante a 2ª Guerra Mundial, teve a maior recepção que se viu na história deste país. “O Povo aos seus soldados!” diziam os jornais, muitas foram as  homenagens e as cidades ergueram seus monumentos,  prevendo  assim, uma FEB imorredoura.

Passada a euforia da recepção, perceberam os ex- combatentes que despontava uma nova guerra, a luta pelo não esquecimento. Os primeiros núcleos associativos tinham o objetivo de retomar os laços de amizade, reforçar o espírito de camaradagem  que havia iniciado na Itália. Em 1945 era  criada a Associação dos Ex- combatentes do Brasil, em  1947 no Paraná  foi fundada a Legião Paranaense do Expedicionário. Em 1963 no Rio de  Janeiro surgiu  o Clube de Veteranos que a partir de 1969 denominou-se Associação Nacional dos Veteranos da FEB (ANVFEB).

A grande cisão  destas associações provocada por questões ideológicas e de mando, proporcionaria a fragmentação das mesmas, incidindo depois nos destinos da FEB. Os rígidos estatutos não permitiram um entrosamento maior com a sociedade civil, permanecendo nos seus quadros apenas os que estavam envolvidos diretamente com a guerra. Neste aspecto não houve renovação.

Soma-se a estas questões a ausência de uma memória em relação a uma guerra que não aconteceu no Brasil, portanto, uma memória sem lastro ao contrário das noções que sofreram a guerra em seus territórios.

Hoje  é precária a situação de tais associações,  muitas já fecharam suas portas por falta de associados, outras entregaram seus acervos ao Exército ou a clubes de Militares da Reserva. O tempo tem sido inexorável para os combatentes, dos 25 mil expedicionários que estiveram na Itália muito poucos estão entre nós e não conseguem vislumbrar uma continuidade de suas associações..

Diante deste quadro, a ANVFEB, como todos os anos tem feito, desde de 1972, reuniu-se no XXII encontro de veteranos na cidade de Jaraguá do Sul entre os dias 12 a 15 de novembro p/p, quando a pauta principal da reunião dizia respeito ao  futuro da Associação. O assunto foi debatido entre os convidados e especialistas da FEB, presididos pela profa e historiadora Carmen Lúcia Rigoni.

Foi demonstrado ao público presente o que acontece em outras partes do mundo em relação às associações de veteranos de guerra. Destacou-se por exemplo o Veterans Day e a famosa parada que acontece todos os anos em Nova York. Lá estão os bombeiros, a policia e clubes diversos, no esforço de uma grande união..

No Brasil , fizemos um caminho inverso. A insistência em  permanecer sozinhos, criou o separatismo, e hoje a situação é muito clara: Associações fragilizadas, sem um corpo de sócios efetivos. Assim,  como obter verbas para uma Associação, cujo corpo social diminui a cada hora?

Das várias possibilidades de continuidade da existência da ANVFEB, seria transforma-la em Associação Nacional de Veteranos, quando da junção de outros veteranos, como as Missões de Paz  de Suez, do Haiti,  São Domingos, Angola, Timor Leste dentre outras, seria uma solução. Teríamos um grupamento de jovens entre 20 e 30 anos a darem continuidade das suas representatividades em nome da paz

Da discussão ocorrida no XXII Encontro de Veteranos da FEB, resultou a Carta de Jaraguá, documento síntese, firmada por todos veteranos presentes e representantes de outras seções  do Brasil na madura proposta de unir todos os veteranos brasileiros. Esperamos com confiança, que a proposta de união destes veteranos não fique somente na intenção, mas que possamos conseguir apoio de outros segmentos voltados para os mesmos propósitos de dar continuidade á Memória e da História dos Veteranos Brasileiros.

Foto: Associação dos Veteranos da FEB (Regional de Fortaleza – CE)

Carmen Lúcia Rigoni

Historiadora.

Representante da Associação Nacional dos Veteranos da FEB em Curitiba.


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54 comentários

  1. Sou neto de um ex combatente ,não sei como fazer para saber de meus direitos como neto , se ouver alguém que possa me dar uma luz de com fazer para poder saber como e aonde procurar os documentos ,para poder ver e provar sua existência na guerra ,pois participou de 3 guerras aqui no brasil, se tiver alguém ou alguma coisa que possam me falar ou fazer fc agradecido, desde já agradeço e fc no aguardo do retorno

  2. Henrique Castro /

    A antiga sede da ANVFEB – CE, fechou as portas fazem quase 10 anos. As poucas peças e documentos estão guardadas, fora do alcance da população no memorial do antigo 10 GAC em Fortaleza. Muito triste ver tudo ser esquecido.

  3. Luiz alves de lima /

    Que direitos tenho, pois sou filho de ex-combatentes da segunda guerra mundial FEB, devo procurar as forças armadas ou associação dos ex-combatentes da segunda guerra FEB

  4. Tais jennifer do nascimento santiago /

    Gostaria de informaçoes sobre meu avo que foi para a guerra magno maciel do nascimento. Como posso proceder ? Alguem pra me ajudar a encontrar informaçoes?

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