O Dia mais longo do ano, 6 de junho de 1944

O Dia mais longo do ano, 6 de junho de 1944 (Dia D):

Roteiro histórico de uma viagem no tempo presente

 

De 8 a 22 de maio de 2012

“Vivenciar o eterno vivido” era a proposta de um pequeno grupo de brasileiros, com grande disposição de conhecer os caminhos históricos da 2ª Guerra Mundial, passando pelas praias da Normandia na França, marcadas pelo ocorrido no Dia D e fazendo  o roteiro da Força Expedicionária, que tão brilhantemente representou o nossos país em território italiano.

A viagem vinha sendo programada há pelo menos um ano.   O roteiro  feito inversamente, começando  pela Itália, sob a seguinte alegação: Estavam previstas visitas aos locais onde os soldados brasileiros combateram na Itália, no evento chamado “ Vivere l´Apenino”, organizado por Mario Pereira administrador do cemitério de Pistóia.

Nossa chegada em Roma deu-se no dia 8 de maio e iniciou com um tour pela cidade eterna.Em um passeio panorâmico, passamos pelo Forum romano, o Coliseu, onde admiramos os monumentos deixados pela antiga civilização romana, alem  da breve passagem pela Fontana di Trevi, em uma bela manhã de sol.

No dia seguinte, havíamos conseguido ingressos para a benção publica do Papa Benedeto XVI. A imensa praça totalmente tomada pelos católicos, o sol brilhante da primavera italiana, dava a sua graça. Todos sentados, pessoas das mais diversas nacionalidades, faziam a bela festa do dia, com cânticos e muito agito, faziam a festa para o Papa.

No dia 10 de maio, uma parte do grupo visitou a Aditância Miltar Brasileira, que fica no Palácio Phamphile, sede da Embaixada Brasileira localizado na Praça Navona^, o tremular da nossa bandeira hasteada no edificio, mostrava que estávamos pisando em solo brasileiro.

Neste mesmo  dia, seguíamos viagem rumo aos Apeninos, no caminho chegamos a Siena, bela cidade medieval, onde pernoitamos. Na manhã seguinte, um guia nos esperava em plena praça onde ocorre o Pálio, famosa corrida de cavalos, onde o cavalo é sorteado para o jóquei que representa a ‘contrada’ ( quarteirões) da cidade.

Em nosso caminho estava  San Gimigniano, acidade das torres que em épocas remotas contavam mais de cem,representando cada uma o poder político das famílias nobres.

No dia 12 de maio estávamos em Montecatini Terme, acidade de águas sulforosas e o ‘point’ dos antigos romanos. Na 2ª Guerra, era a retaguarda dos aliados. Lá uma grande conferencia, homenageou a Força Expedicionária, com 3 conferencistas italianos e de Curitiba a historiadora Carmen Lúcia Rigoni, falando sobre as patrulhas brasileiras e os cães de guerra que atuaram nos campos minados.

Nosso destino de 12 a 16 de maio, foi a cidade de Montese,  ponto alto da viagem em função dos combates ocorridos na região entre os dias 14 a 17 de abril de 1945, quando a FEB cumpriu talvez, a mais nobre missão de sua campanha, no enfrentamento de campos minados, artilharia pesada e muitas baixas entre os soldados do 11º R.I. de São João Del Rey, dos quais os combatentes Ari e Ivam encontravam-se nesta excursão( ver os sobrenomes)

Saindo de Montese no dia 12 de maio fomos visitar o Monumento Votivo de Pistóia, onde os mortos brasileiros na guerra foram sepultados, hoje restam as placas e o monumento, pois os corpos foram trasladados para o Brasil em 1960 e hoje encontram-se no Monumento do Flamengo no Rio de Janeiro.

No dia 13 de maio,  as visitasse concentraram a Gaggio Montano, onde está localizado o Monte Castello, e os monumentos Liberazioni e Ordem e Progresso, dedicados aos brasileiros que atuaram naquela região.

No dia 14 nos dirigimos à Staffoli, local onde ficava o Depósito de pessoal da FEB, lá homens eram preparados para substituir os colegas na frente de combate, e abrigava ainda todo o material e equipamento necessários para a guerra. Hoje no local, um memorial, expõe fotos do local, bem como a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, totalmente restaurada.

Partindo para os últimos dias da viagem, seguimos rumo a Linha Gótica, a parte mais difícil para os combatentes brasileiros. Em 1943, a TODT, a organização formada por engenheiros especialistas como Von Rommel, que já havia preparado a defesa dos alemães na costa francesa,, acabou por fortificar o caminho com 250 quilometros entre o Mar Adriatico e Tirreno, cerca de 25o mil minas, fossos anti- tanques, fortins e postações para canhões de longo alcance.

Na cidade de Borgo a Mozzano, está o Museo della Memoria tal, que recorda os dias da Linha Gótica. Chamava a atenção o numero de fotos de soldados brasileiros, que ali deixaram suas marcas passando por estes locais. Estivemos  nesta tarde do dia 15, na ponte de Madeleine, sob o rio Serchio, também chamada de Ponte do Diabo, uma construção alta e curva, que resistiu aos bombardeios.No vale deste rio, muitas cidades foram liberadas pelos brasileiros.

Nos dias que se seguiram fomos a Padova, Veneza e Milão. Enquanto um grupo retornava ao Brasil, o outro menor seguia para Paris e de lá para as praias da Normandia. Dias de história nos esperavam com grandes revelações.

Em Paris, nossa caminhada a pé pelas ruas da cidade nos mostraram aspectos pitorescos  da cidade, seja da ida até o Trocadero, talvez a mais bela visão da Torre Eiffel e depois o roteiro seguido pela avenida mais celebre da cidade, Champs de Elysées..

O dia 22 de maio foi destinado ao passeio em Versalhes, lá passamos o dia todo, visitando todo o complexo, os aposentos reais, os jardins que pareciam  não ter fim. As belas fontes e estátuas ,chamavam a atenção do caminhante. Foi com emoção que entramos nos aposentos do Grande Trianon, o palácio  que nos liga à história da rainha Maria Antonieta.

Nosso ultimo dia em território francês diz respeito à nossa ida à Normandia, ao norte da França. Nosso destino as praias do desembarque dos aliados no dia 6 de junho de 1944, no caminho uma parada em Lisieux, a terra de Santa Terezinha, onde cumprimos a visitação nos locais onde viveu a irmã carmelita.

Curitibanos na Normandia, França, no dia 21 de maio de 2012. Da direita para a esquerda: Carmen Lúcia, Francisco, Terezinha, Osmario, Léa e Valéria. 

A foto indica o local onde ocorreu o desembarque do Dia D em 6 de junho de 1944. Ao fundo, a parte do porto artificial onde foram desembarcados todos os equipamentos para a guerra. Do lado esquerdo, o paredão onde estão localizadas as praias do desembarque norte americano: Utah e Omaha Beach. Este roteiro da FEB é feito quase anualmente pelo grupo de amigos da FEB; Em  2013, por ocasião dos 70 anos da criação da FEB, faremos o roteiro dos navios e soldados da FEB, passando por Napoles, Viareggio,Livorno, Tarquinia e toda a Costa Amalfitana.

Com vento cortante e muito frio chegamos a Caen e observamos a situação da cidade após reconstrução que se seguiram após o Dia D. A visita ao Memorial de Caen foi o ponto alto do nosso passeio, uma verdadeira viagem ao coração do dia D. Emoções nos esperavam no moderníssimo museu com  excelente museografia. Lá são  expostos filmes, documentos ,  uniformes em um roteiro histórico fácil de compreender. O ideal seria permanecer ali pelos menos 3 horas.

Do memorial partimos para nosso objetivo, as praias de Utah e Omaha  Beach, onde atuaram as divisões americanas, caminhando pela areia, sentido o vento  frio que soprava do mar, nos vimos de repente envolvidos pelos acontecimentos ocorridos na data de 6 de junho de 1944, onde também atuaram britânicos, canadenses

No balanço do corrido no dia D, temos a informação da grande força naval constituída para o desembarque, como os navios de guerra,  dragas contra minas, submarinos e centenas de pequenos embarcações..

As cifras que apontam para um número surpreendente de soldados, dentre os quais  57 mil soldados norte americanos,  72.215 britânicos,  alem dos parquedistas britânicos e canadenses com 24.900 soldados.

Os cemitérios localizados nas proximidades abrigaram cerca de  13 mil soldados norte –americanos,12 mil homens britânicos,  5 mil canadenses  e  690. polaco.  Entre os  alemães os mortos remontam à cifra de mais de 40 mil mortos, durante o período que se seguiram as combates na região.

No caminhante solitário, talvez como nós, olhar o mar  da Normandia, com suas águas calmas a bater nas praias do  desembarque do Dia D, 6 de junho de 1944, constituiu momento de grande emoção vivenciada no tempo presente, quase uma ponte entre o passado e o futuro  que nos transporta ao re-significado dos acontecimentos.

Carmen Lúcia Rigoni.

Dra. Em História Cultural

Pertencente Academia de Historia Militar Terrestre do Brasil e Instituto Histórico e Geográfico do Paraná

Curitiba 28 de maio de 2012.


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1 comentário

  1. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Que relato vibrante! O conteúdo histórico nos transporta e facilmente relacionamos o passado com o momento atual do grupo.
    Parabéns professora Carmem por seu entusiasmo e grande conhecimento da FEB .

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