O Dia da Vitória em 1945: as lições para a paz

Parte deste artigo foi publicado ontem na nossa Gazeta do Povo em Curitiba.

Neste dia 8 de maio comemora-se o sexagésimo oitavo aniversário do final da 2ª Guerra Mundial. Mas, o que está implícito neste acontecimento? Para o um país como o nosso, onde se cultiva a paz e não viu acontecer em seu território as barbáries vivenciadas por outros povos, é necessário recordar os fatos.

A partir do momento em que a historiografia registra novas descobertas, torna-se importante não somente a história oficial descrita pelos vencedores, mas uma abordagem critica voltada para a consciência histórica a mostrar a narrativa dos vencidos.

Em 1939 o mundo assistia incrédulo e estupefato, a capitulação de muitos países, sem luta: territórios foram obtidos e populações dominadas. Uma sucessão de êxitos – a anexação da Áustria, a absorção da Thecoslováquia, a pressão sobre Dantzig e finalmente a invasão da Polônia pelos alemães – dava início a hecatombe.

O ataque a Pearl Hartbour em 1941, acabou por colocar os Estados Unidos na Guerra. No desenrolar dos acontecimentos o Brasil sofreu o torpedeamento dos navios mercantes brasileiros. Como resultado destes ataques ignóbeis, mais de 900 brasileiros perderam a vida no mar. Como resposta organizou-se a Força Expedicionária Brasileira (FEB) que embarcou para a Itália com uma Divisão de 25 mil soldados, que nos embates de grandes sacrifícios, sagrou-se combatente e constituiu a nossa maior experiência militar na contemporaneidade.

Um ano antes dos escalões da FEB desembarcarem em Nápoles, o armistício em território italiano, colocara em fuga os governantes, inclusive o rei Vitor Emanuel III. O exército italiano havia sido desmobilizado, os soldados no retorno da campanha encontraram as casernas fechadas e não havia orientação. Os oficiais haviam desaparecido, muitos dos jovens vagavam pelo país e foram auxiliados pela população que lhes forneceram roupas e condições do retorno às suas casas. O número de prisioneiros italianos fora do país era enorme, o destino era incerto para estes contingentes.

Mussolini, batido pela caos foi preso e depois liberado pelos alemães, tornou-se um aliado fraco, que serviria depois de fantoche às forças germânicas. No ímpeto de salvar o fascismo, fundou a República Social Italiana (1943), buscando reascender a velha chama. Inaugurou a sede do governo em Saló a próximo a Milão, tentou soerguer as forças armadas, convocou os jovens soldados das classes de 1923 e 1924, em situação obrigatória seriam treinados na Alemanha. Muitos fogem da convocação, a pena é grave para os faltosos que poderiam ser executados. Das forças antigas Mussolini contou apenas com a Marinha de Guerra.

A Itália é invadida por duas forças, os aliados e os alemães.. A Resistência italiana assume seu papel nesta guerra, são as forças partigianas no enfrentamento aos alemães com a ajuda aliada que lhes fornece armamento e condições de combate. A República de Saló, dirigida pelos alemães tinha os seus dias contados.

Mas que visão temos destes acontecimentos? Não eram somente as armas, mas também o ódio produzido em cadeia ininterrupta, que levou a humanidade a uma brutalidade sem paralelo, a barbárie, aos campos de concentração e as ações monstruosas de genocídios, entre outros fatos que hoje a História busca elucidar.

Hitler sentindo-se traído com o armistício firmado entre a Itália e os aliados em 1943, vê em Mussolini um aliado perdedor, cessam os acordos e a Itália é ocupada pelas tropas nazistas. Pesquisas recentes, buscam demonstrar aspectos obscuros da história italiana, até então ignoradas pelos historiadores. O povo é tomado de surpresa pelo armistício comunicado pelo rádio, não sabe como agir. A corrida dos desabrigados para as grandes cidades, engrossa o número de habitantes, faltam abrigos, gêneros de primeira necessidades, não há perspectivas de futuro. O exército italiano foi desmobilizado, soldados encontram as casernas fechadas, os jovens não tem como retornar às suas casas e vagueiam pelo país.

Voltaram-se os alemães contra a população com represálias e selvageria, há que se recordar do massacre ocorrido nas Cavas Ardeatinas quando foram mortos cerca de 350 romanos em 1943. Mal a FEB desembarcara em Nápoles, outra tragédia ocorrida em setembro de 1944, na cidade de Marzabotto vitimava cerca de 900 pessoas entre homens, mulheres e crianças, na forma mais selvagem que um ser humano pudesse perpetrar contra o seu próximo.

Hoje, como na Itália é necessário uma reconstrução complexa destes acontecimentos, buscando os arquivos, sejam eles americanos, ingleses ou russos e que estão abertos à pesquisa. Grande parte dos documentos foram destruídos, mas a existência de outras fontes plausíveis ajudariam a organizar um mosaico explicativo desta parte da história.

À memória dos soldados tombados e ao sofrimento impingido às populações, nos encaminham a um difícil aprendizado, não existe apenas um lado da história. A vitória sobre o nazismo tem uma dimensão histórica a ser pensada, pois libertou a Europa e outros continentes do nazi-fascismo, criou condições para os ideais de libertação nacional reforçando as posições das forças democráticas e amantes da paz.

Integrantes da FEB,

Presentes e ausentes,

Mesmo os que o destino levou,

– E como sentimento,

Lembremos Pistóia –

Respondamos unidos,

A uma só voz,

Com firmeza na voz,

E com entusiasmo candente:

SEMPRE QUE A PÁTRIA CHAMAR, PRESENTE ! (Berta Moraes Néreci)

Carmen Lúcia Rigoni

Dra. Em História Cultural.

É membro efetivo da AHIMTB E IHGPR.

Curitiba, 8 de maio de 2013.


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