O Capelão e a Sinagoga

 

O Capelão e a Sinagoga

 

Israel Blajberg (*)

“Poucos saberão quem foi o Capelão que dá o nome a rua, ainda mais porque ele não costuma ser lembrado pelo nome de batismo, Antonio Álvares da Silva, sendo mais conhecido como Frei Orlando, o Patrono do SAREX -Serviço de Assistência Religiosa do Exercito Brasileiro”.

Capelão Álvares da Silva é uma pequena rua de Copacabana próxima ao Metrô Siqueira Campos, abrigando não mais que uma meia-duzia de prédios, entre os quais a tradicional Sinagoga, orientada espiritualmente pelo Eminente Rabino Stauber.

Poucos saberão quem foi o Capelão que dá o nome a rua, ainda mais porque ele não costuma ser lembrado pelo nome de batismo, Antonio Álvares da Silva, sendo mais conhecido como Frei Orlando, o Patrono do SAREX – Serviço de Assistência Religiosa do Exercito Brasileiro.

Trata-se de uma ligação fantástica, quase cabalística, de um Frei católico com a Sinagoga judaica, comparável com a esquina de Varsóvia  onde a Rua M. Anilewicz encontra a Avenida João Paulo II, o Papa polonês, primeiro ocupante do trono de São Pedro a jamais adentrar uma sinagoga em 2 milênios de catolicismo, o que fez na própria Roma.

Assim como Frei Orlando, Capelão da FEB – Força Expedicionária Brasileira na Itália, que deixou este mundo fazendo o sacrifício supremo da própria vida, ao tombar atingido por um tiro acidental de fuzil em 1945, o também jovem Anilewicz encontrou igualmente o seu destino em morte gloriosa liderando a resistência no Gueto, uma luta desigual de justos contra a brutalidade, da moral contra a sordidez, não muito longe daquela emblemática esquina na capital polonesa.

Os dois deram as suas próprias vidas assim como tantos outros bravos, para que hoje tivéssemos um mundo melhor, afastando o fantasma do nazismo cruel, discriminador e intolerante.

Consta que o Frei já teria operado alguns milagres. O Ordinariato Militar do Brasil, sediado em Brasília, vem procurando coletar estes casos.  Do outro lado da vida ele continua acalentando sua vocação de minorar as agruras dos que sofrem, como o fez na guerra.

Frei Orlando representa bem a nação brasileira em seus melhores e mais patrióticos momentos, de um pais ainda rural  que foi atacado pela maquina de guerra nazista, com perda de um milhar de preciosas vidas nacionais em ataques submarinos, e que soube  revidar a agressão enviando 25 mil soldados para o outro lado do mundo, uma façanha espetacular para a época.

Padre Franciscano Integrante do SAR – Serviço de Assistência Religiosa da FEB, criado em 26 mai 1944. Dos 26 capelães 24 eram católicos e 2 evangélicos.

Desembarcou na Itália em 06 jun 1944, como Capitão-Capelão Militar incorporado ao 2°. Batalhão do 11°. Regimento de Infantaria, o Regimento Tiradentes de São João d’El Rey – MG.

Natural de Morada Nova – MG, nascido aos 13 fev 1913, pertencia a Ordem dos Frades Menores de São Francisco de São João d’El Rey.

Às vésperas da Tomada de Monte Castelo, Frei Orlando desejou visitar uma das companhias da linha de frente para levar o tão necessário apoio espiritual. Nos arredores de Bombiano uma fatalidade o vitimou, atingido por disparo acidental da arma de um partisan. No mesmo jipe estava também o Capitão Francisco Ruas Santos.

Foi sepultado no Cemitério Militar de Pistóia. Em 1960 seus restos mortais foram transladados junto com os mais de 400 brasileiros morto na Itália para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no Parque do Flamengo – RIO, também conhecido como Monumento aos Pracinhas.

 (*) iblaj@telecom.uff.br


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6 comentários

  1. Prof. Ciro Custódio da Silva Filho /

    Gostei de ler a história desse glorioso “mártir” do nosso país.Gostaria de saber o e- mail do Museu da FEB de São João Del Rei- MG, para esclarecimentos de dúvidas.Sou de uma cidade próxima a S J Del Rei (Itumirim- MG).

  2. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Tem esse Frei uma história bonita e de dedicação ao serviço para o próximo, seu irmão! A alegria era manifestação natural em tudo que fazia.
    Infelizmente isso não é contado nas escolas mas a internet está desempenhando um papel excelente na divulgação dos fatos ocorridos há 66 anos.
    O Exército bem soube ao designa-lo Patrono do SAREX.

  3. eduardo galdino /

    a historia desse frei eh muito bonita , mas porem tembem temos que destacar a historia dos capelaes joao filson e juvenal ernesto da silva, dois bravos herois da feb.
    coneço a esposa do rev. juvenal e a historia eh muito importante e muito bonita tambem abraços

  4. eduardo galdino /

    tambem gostaria de parabeniza-los pelo site eh muito bom ficar por dentro dessas grandes historias de grandes herois , a força expedicionaria fez sim um grande feito que nao pode ser esquecido abraços….

  5. Pois é, resolvi procurar dados sobre Frei Galvão e encontrei essa página. Lamento que ao invés de citar fatos da vida do frei a página investe em poesia para contar a história de um veterano da FEB.

    Dizer que: “Trata-se de uma ligação fantástica, quase cabalística, de um frei católico com a Sinagoga judaica.” É meio ridículo. Comparar Frei Orlando com o chefe de uma facção judaica que lutou contra os nazistas também parece forte. Anilewicz estava do lado certo mas era um guerrilheiro e matador, Orlando trabalhava uniformizado para salvar vidas, inclusive vidas de prisioneiros alemães.

    Ao fim do texto não sei nada sobre o tipo de trabalho que o frei realizava ou situações que tenha vivido na guerra. O texto é apenas um conjunto de comparações poéticas e absurdas.

  6. isalete leal /

    A divulgação das história, biografias, feitos e etc… dos nossos HERÓIS é necessária para que a nossa verdadeira história não desapareça.
    Parabéns aos que contribuem e ao Portal.

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