O Brasil Na 2ª. Guerra Mundial

70 Anos dos Torpedeamentos e Declaração do Estado de Beligerância com os Países do Eixo

Às vesperas do 8 de maio, Dia da Vitoria Aliada na Europa, recordamos a fantástica epopeia da participação do Brasil na 2º. Guerra Mundial,  um pais pacífico e ainda rural, agredido por uma poderosa potencia militar, mas que soube dar uma resposta à altura, pelo heroísmo dos bravos combatentes brasileiros de terra, mar e ar.

O ano de 2012 marca os 70 anos de eventos históricos relevantes para o Brasil, iniciando-se com a Conferencia Pan-Americana de janeiro de 1942, onde pontificou o Chanceler Oswaldo Aranha, e o rompimento de relações com as potências do Eixo, seguindo-se a represália na forma de pesada campanha antissubmarina contra a navegação marítima nacional, com o torpedeamento do BUARQUE, o primeiro de mais de 30 navios mercantes a serem afundados, com a perda de 1 milhar de preciosas vidas brasileiras.

Em apenas 4 dias de agosto foram torpedeados 6 navios, desparecendo no mar 600 patrícios inocentes, passageiros e tripulantes do Baependy e Itagiba, que transportavam para Recife o 7º. GADo, do Araraquara, Annibal Benévolo, Arará e Jacira. Diante do clamor popular nas ruas, o Governo reconhece o estado de beligerância, e em 31 ago 1942, através do Decreto Lei 10.358, o Brasil declara o estado de guerra com a Alemanha e Itália.

Às agressões do Eixo contra o Brasil, seguiu-se a heroica  defesa do nosso litoral contra a guerra submarina. O fluxo da navegação mercante  jamais foi interrompido. Carecendo de estradas de rodagem, o pais dependia do trafego marítimo Norte-Sul e de exportar nossos produtos, como borracha, café, óleos, materiais estratégicos trazendo na volta manufaturados, como automóveis, material bélico, remédios, ferramentas, motores, derivados de petróleo,  e demais bens que o pais não produzia.

A quinta-coluna denunciava as cargas e datas de partida dos navios, indefesos, no principio viajando sem escolta e sem armamento. Sozinhos e contando com a sorte, alguns furavam o bloqueio e chegavam aos portos de destino, entregando a sua preciosa carga, outros sucumbiam nos abismos do oceano, torpedeados pelos ultramodernos submarinos do Eixo.

Eram tempos difíceis; uma possível invasão do território nacional não estava descartada. Os planos de Hitler para a uma Alemanha Austral na Argentina, Chile e Brasil eram similares aqueles implementados nos Sudetos, Áustria e Polônia, já que na América Latina também havia grandes colônias germânicas.

Os mil anos do Reich não passaram de 11 dolorosos anos para a Humanidade, até ser destruido, em Stalingrado, Bir Hakim, no Levante do Gueto de Varsóvia, nas praias do Dia D.

Hoje Alemanha e Itália são nações amigas, até das mais tolerantes, salvo grupos isolados, mas o passado não pode ser esquecido, sob pena de outros atores os emularem.  Novos interesses se manifestam, nas Malvinas, na Amazônia, no pré-sal. Se na época o mais poderoso navio da Alemanha, o Graf Spee, navegou pelo Atlântico Sul, 60 anos depois um submarino nuclear afundou o cruzador argentino BELGRANO. Como já dizia Balzac, a história é como um bobo… se repete, se repete…

Ontem como hoje somente podemos confiar em nossas Forças Armadas, para dissuasão dos que cobiçam nossas riquezas. A Marinha do Brasil, materialmente carente, enfrentou com galhardia o desafio, ainda hoje tão complexo, de defender toda a costa brasileira, atracando o encouraçado São Paulo no porto do Recife, e o Minas Gerais em Salvador, servindo como fortalezas flutuantes, prontas a revidar qualquer ataque do inimigo.

A Marinha organizou comboios que protegiam a nossa navegação, missão plena de perigos e sobressaltos, especialmente para a frota de caça submarinos, os caça-pau Classe J e mais tarde os caça-ferro da Classe G, projetados para aguas costeiras, e que cumpriram épicas jornadas em alto-mar.

Nessas empreitadas tivemos a lamentar a perda da Corveta Camaquã, em junho de 44, a 12 milhas NE de Recife, que vitimou 33 marinheiros, inclusive o Comte Gastão Moutinho, e o naufrágio do Cruzador Bahia, em julho de 1945, já com a guerra terminada, em missão de apoio aos aviões vindos da África, com a perda de 337 marinheiros, incluindo o Comandante Garcia dAvila Pires e Albuquerque, a 500 km de Fernando de Noronha, e a 100 km do Arquipélago de São Pedro e São Paulo.

Com a debacle alemã na frente russa e africana o perigo foi afastado e a situação finalmente revertida, passando o Brasil a colaborar decisivamente com o esforço de guerra, pelo estabelecimento de bases militares no Nordeste e na ilha de Fernando de Noronha.  O encontro dos Presidentes Vargas e Roosevelt em Natal aos 28 jan 1943 ficou famoso, simbolizando a importância do Trampolim da Vitoria para os Aliados. Passando a receber novos navios e armas pelo LAND LEASE, a Marinha do Brasil ganhou condições de formar comboios, não mais ocorrendo perdas de mercantes, protegidos pela Força Naval do Nordeste e Aviação de Patrulha.

Nos anos seguintes o Brasil participou ativamente do conflito como uma das 19 Nações Aliadas, com nossas bases apoiando o tráfego marítimo e aéreo, pelo envio de suprimentos estratégicos, defendendo o Litoral com  forças de Terra, Mar e Ar, e formando a FEB – Força Expedicionária Brasileira, com 25 mil soldados, e o 1º. Grupo de Aviação de Caça (Senta-a-Pua), combatendo na Itália até o final da guerra em 8 de maio de 1945, sofrendo a perda de centenas de bravos que tombaram em ação, cujos restos mortais encontram-se no MNMSGM.

Outra efeméride importantissima a registrar são os 70 anos da criação da FNNE, em 6 out 1942, comandada pelo Alte Soares Dutra, quando todos os nossos navios que pudessem se  prestar a guerra anti-submarina foram modificados para receber sonares, calhas e artilharia, passando a serem classificados como corvetas, vindo a constituir a FT 46 da recém-criada 4ª. Esquadra americana, com sede em Recife, ao mesmo tempo em que eram incorporadas a 1ª., 2ª. e 3ª. Zonas Aéreas, formando a FT 49.

Assim, em 25 set 42 largou do Recife para o Rio o primeiro das muitas centenas de comboios que navegariam nos anos seguintes,  formados principalmente entre Rio de Janeiro e Trinidad, mantendo abertas as linhas de abastecimento, essenciais a nossa economia e ao esforço de guerra dos aliados.

Com o esforço conjugado da FNNE e da Base Naval de Natal, construída pelo descortino do Almirante Ary Parreiras, e o apoio logístico da IV Esquadra, foi vencida a fase aguda da ofensiva alemã, com a escolta de 3.146 navios em 575 comboios, com perda de apenas 3, além da proteção e escolta dos  5 Escalões da FEB, do apoio logístico a Fernando de Noronha, e muitas outras missões de guerra.

Foram 600 mil milhas navegadas sob forte ameaça submarina, com cada navio da Marinha do Brasil escoltando 50 mercantes, uma produtividade bem superior a da marinha americana, de apenas 16 navios.

2012 marca também os 70 Anos da Conferencia de Wansee, aos 20 de janeiro de 1942  em Berlin, que definiu um macabro protocolo para o exterminio de 11 milhões de judeus na Europa. Lamentavelmente foram assassinados 6 milhões de inocentes, crime hediondo mas que hoje por absurdo que seja encontra negacionistas.  A humanidade não pode permitir que o Holocausto ocorra novamente. Nunca mais.

E finalmente, devemos registrar outros 70 anos de infausto acontecimento, em 23 de fevereiro, o pacto de suicidio em Petropolis do escritor autriaco Stefan Zweig e sua esposa Lotte, refugiados do nazismo. Seus livros foram queimados em toda a Austria. Em sua curta permanencia de 16 meses na nossa terra, escreveu um livro famoso até hoje, BRASIL, PAIS DO FUTURO. Milhares de pessoas lhes prestaram silenciosamente uma ultima homenagem, e o Pres Getulio Vargas determinou que o funeral fosse custeado pelo governo, e as autopsias fossem realizadas na residencia, e nao no IML, em sinal de respeito. Aos 60 anos, abalado pela morte espiritual da Austria dominada pelos nazistas, estava em desepero. Na carta de despedida ao presidente do PEN Clube declarou que a cada dia amava mais o Brasil, este pais maravilhoso.

Israel Blajberg
12 abr 2012
iblaj@telecom.uff.br


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15 comentários

  1. por culpa de espioes argentinos toda a frota naval brasileira foi perdida na guerra os argentinos naum gostam da gente rsrs

  2. Marco tulio Prata /

    ótima matéria , o capt. Castelo Branco era companheiro de meu saudoso Pai , O Tenente Vinício Prata em jogos de Xadrez , Dama etc , quando serviram juntos na sétima R.M em RECIFE.

  3. mauricio /

    amigo gostaria deste livro como compra lo

    abraços

  4. E-mail de contato com o colaborador no artigo, pra quê, né?

  5. guardando tutte le navi mercantili affondate dagli u-boat, si capisce perchè il popolo brasiliano e entrato in guerra,contro i nazifascisti,alleandosi con gli alleati, per sconfiggere questi nemici della democrazia.sicuramente la voglia di vendicare questi lutti ha dato ha loro tanta forza.
    non tutti, ma molti italiani lo ricordano.

  6. Paulo E. Astuto /

    As pessoas bem informadas sabem que os navios brasileiros acima elencados foram afundados por submarinos americanos. Os EUA queriam que o Brasil abandonasse a neutralidade e entrasse na 2ª. Guerra ao lado dos norte-americanos. Hoje sabemos que existia um plano de invasão dos EUA ao Brasil, caso aos brasileiros não engolissem a historinha dos submarinos alemães. Findada a Guerra, nenhum tripulante interrogado de u-boat admitiu ter atacado qualquer navio brasileiro. Essa História foi um grande engodo.

  7. william haddad /

    SEMPRE SENTI HONRA COM A MEMÓRIA DOS NOSSOS PRACINHAS.
    QUE DEUS GUARDE SUAS ALMAS. IMORTAIS SERÃO EM MEU CORAÇÃO

  8. Alexandre K. /

    Na minha infância, tanto a minha avó como meus pais, diziam que estes navios tinham sido afundados pelos americanos, para forçar o Brasil a entrar na guerra e ao lado dos aliados.
    Os historiadores revelam agora, que o governo de Getúlio era germanófilo, e é obvio que os nazistas tinham interesses no continente latino. Jamais iriam provocar a ira dos brasileiros, afundando navios sem motivos. O Brasil ganhou Volta redonda, e o preço pago esta escrito em Pistóia.

  9. Luciano /

    E lá vem os antiamericanosmalvadoes. Se metade do que dizem que os americanos fizeram contra o Brasil, fosse realmente verdade, eles já teriam invadido nosso país a décadas.

  10. Herpenio /

    Meu pai é anti-americano até osso, ele é Ítalo-Alemão,hehehe mas para mim os E.U.A tinham um plano de ataque contra o Brasil se ele se aliasse ao Eixo. O que faz sentido oras, viraria inimigo em uma guerra. Quanto aos navios etc, cada um tem sua opinião.

  11. paulo paiva /

    A informação acima que foram os americanos que afundaram os navios brasileiros é de uma mediocridade a toda custa. Os alemães – sempre muito precisos em burocracia – listavam todos os navios afundados, com nome e matrículas. Só os energúmenos continuam com a esta história. Agora, se o Brasil tivesse se aliado aos alemães, aí a história seria outra. Como dizia José Lins do Rego, não gosto de comunistas porque são burros!

  12. Moretzsohn /

    Nossa senhora! Alguém ajuda o tal de Ppaulo Astuto, que o cara tá doido! Chamem o Batman, a Mulher Maravilha, o Flash Gordon, a SWAT, por favor, chamem alguém e internem o sujeito!

  13. ANGELO OLIVEIRA /

    Gostaria de saber quais são as evidencias que comprovam que o ataque aos navios Brasileiro foram feitos pelos Alemães em oceano Atlântico? Nesta época será que só existia navios brasileiros nas localidade descritas no artigo, pois não encontrei relatos de afundamentos de navios norte americanos? Se os submarinos alemães estavam tão perto da costa Norte América, por que será que não atacaram? Não posso afirmar o que realmente ocorreu, mas sugiro um reflexão dos colegas brasileiros, pois quem conta a História é quem vence a guerra e se avaliamos as ultimas informações sobre a interferência norte americano no Brasil é possível sim, levantar suspeitas. Uma mentira contada repetidamente, pode soar uma falsa verdade. Pense nisso!

  14. Antonio Nunes Rocha /

    Eu era piá em 1944, pois nasci em 1935. Na época não se falava que os navios mercantes brasileiros eram afundados pelos americanos. Esses boatos vieram bem depois, pois esqueceram que o submarino alemão graf spee ficou encalhado e afundou em Montevidéo. Em 1978 andei por lá e vi a carcassa dele. Ora, se eles navegavam por estas bandas, estavam fazendo o quê?

  15. Antonio Nunes Rocha /

    Fazendo o quê? Esse Admiral Graff Spee, afundou no Atlântico Sul 9 cargueiros que levavam suprimentos para os aliados. Danificado pelos 3 navios da Inglaterra que vieram combatê-lo, refugiou-se no Porto de Montevidéu, onde foi cercado pelos ingleses que lhes deram ultimato para abandonar a embarcação. O Comandante mandou a tripulação descer e explodiu o submarino. Dizem que refugiou-se num quarto de Hotel, onde faleceu. No ano 2000 a embarcação foi resgatada.

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