O Brasil dos cantos de guerra (1942-1945) – Tese de Doutorado

A pesquisadora Maria Elisa Pereira aborda um pouco sobre a origem da Canção do Expedicionário e a atuação da banda de Jazz da FEB:

“Sugiro a leitura do primeiro capítulo da minha tese, que trata da gênese civil e mercadológica da Canção do Expedicionário e de sua posterior apropriação e disseminação pelos militares e pelas autoridades. Ela é um bom exemplo de “tradição (musical) inventada” e de “construção do mito”.

“As pesquisas que realizei para o meu doutorado levam a pensar que a grande maioria dos combatentes teve contato com a Canção do Expedicionário somente após a chegada ao Brasil.

A canção resultou de um concurso promovido pela rádio Tupy paulista. O disco  só foi lançado após o embarque das tropas. Mesmo que alguns discos tenham sido enviados depois disso para a Europa, não haveria como disseminá-los eficientemente, devido às condições das frentes de luta.

A Banda da FEB ficava estacionada junto ou próxima aos QGs, na retaguarda, e ali realizava suas funções. Quando possível, seu pequeno grupo informal, a Banda de Jazz, subia em um caminhão que se transformava em palco móvel, e avançava até mais perto dos fronts. Não encontrei em nenhum dos programas dos dois grupos, que me chegaram às mãos, referências à Canção do Expedicionário. Mas os hinos e as canções marciais tradicionais estão presentes, em meio a um vasto repertório de música popular brasileira, alguma música estrangeira e um pouquinho de música clássica.

Tenho também alguns registros (Scripts) de programas transmitidos nos navios e nos QGs, que continham noticiários e reprodução de discos. Neles também não há registro da Canção do Expedicionário. Nada encontrei sobre ela nos programas da BBC.

Os veteranos que conheci me disseram que, apesar de saberem que as Bandas existiam (partidas e chegadas dos navios, grandes missas e formaturas), nunca tiveram contato com nenhum grupo musical durante as lutas. O músico que entrevistei relatou que foram poucas as vezes que foi possível se apresentar para os combatentes, devido às contingências da guerra.”

Quer saber mais? Faça o download da tese.

Segundo o site da USP, devemos respeitar as seguintes condições de uso:
Este trabalho é somente para uso privado de atividades de pesquisa e ensino. Não é autorizada sua reprodução para quaisquer fins lucrativos. Esta reserva de direitos abrange a todos os dados do documento bem como seu conteúdo. Na utilização ou citação de partes do documento é obrigatório mencionar nome da pessoa autora do trabalho.

Curriculum Lattes:

Maria Elisa Pereira é Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), com Mestrado em Musicologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bacharelado e Licenciatura em História pela USP, e Bacharelado em Música pela UNESP. Pesquisa a cultura brasileira em sua inserção na história contemporânea, principalmente os seguintes temas: estética, Mário de Andrade e a canção nacionalista, canção popular brasileira e a Segunda Guerra Mundial.

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4782158T1

Colaboradora: Maria Elisa Pereira


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5 comentários

  1. adorei saber deste portal por isso que quis fazer parte de le ,pois sou filha de expedicionario, meu pai lutou na segunda guerra mundial. E eu sempre quis saber mais sobre a guerra adorei esse portal bjs

  2. Ranielle Macedo /

    Parabéns Maria Elisa! Fiz graduação e mestrado sobre a FEB e fico muito feliz ao ver trabalhos acadêmicos sobre o Brasil na Guerra. Interessantíssimo. Vou ler.

  3. Bacana mesmo. Tenho um blog o RESGATE FEB e um objetivo de fazer em Brasilia um cantinho da FEB com o que tenho , divulgo a memória e o heroísmo dos nossos pracinhas.Com a sua permição gostaria de publicar esta bela matéria que muitos desconhecem.Parabéns. Henrique Moura

    BLOG O RESGATE FEB:http://henriquemppfeb.blogspot.com

  4. Marcelo Felisberto /

    Oi Elisa parabéns pela tese, fiz download, vou ler.
    certamente uma grande contribuição referente a um período
    importante na história do brasil.

    abs

  5. Cyntia Galvão Salles /

    Maria Elisa, parabéns pelo trabalho de resgate da nossa história. Estou muito feliz em conhecer melhor a história do nosso país e em especial do meu avô, ex-combatente e “dirigente” da Jazz Band, Milton Vieira Galvão. Que lindo presente você nos deu, mas pena que ele se foi há poucos anos. Hoje estaria completando 96 anos e te agradeço pelo presente que toda família está recebendo!
    Abraços!

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