Nota de Falecimento: Cleantho Siqueira

Por Ranielle Macedo, Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Comunico o falecimento do Maj. CLEANTHO HOMEM DE SIQUEIRA, 3º Sargento da Força Expedicionária Brasileira na Itália com participação heróica em batalhas decisivas para o Brasil na Guerra. Tive a imensa honra de ser recebido há alguns anos em seu pequeno museu residencial e ter coletado um valioso, emocionante e detalhado depoimento sobre sua participação na FEB, além de ter ganho, autografado, um exemplar de seu livro GUERREIROS POTIGUARES. Seu Cleantho teve inefáveis serviços prestados ao Brasil não só na Guerra, mas com grande contribuição durante o Regime Militar para que o país não se tornasse uma ditadura comunista. Á família nossos sinceros sentimentos.

Saiba mais sobre o velório AQUI

Segundo o repórter Leandro Cunha da Tribuna do Norte: “…Dos 301 pracinhas potiguares componentes da FEB na Segunda Guerra Mundial, atualmente devem estar vivos 25 deles…”

Segue abaixo um Depoimento do Sr. Cleantho Homem de Siqueira concedido ao historiador Ranielle Cavalcante de Macedo em janeiro de 2004. Segundo Ranielle: “…Nesse dia eu vi a SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ao vivo e em cores nos olhos e no corpo desse homem. Jamais esquecerei esse encontro…”.

Nasci em Natal, mais precisamente no dia 20-12-1922, completando em dezembro próximo 82 anos. Quando fui convocado, morava com a minha família na Rua da Estrela, no centro, nos fundos do prédio do INPS, hoje (rua) José de Alencar.
Era estudante do Atheneu, cursava o segundo ano secundário com 20 anos em 1942. Mas antes da convocação, eu já tinha passagem no Exército. Em 1939 eu fiz a Companhia 4, uma espécie de tiro de guerra. Eu era reservista de segunda categoria do quartel do 31 BC onde hoje fica o colégio Churchil na Avenida Rio Branco, ali era um quartel velho, o 31 BC, onde funcionou em 1939 a Companhia 4. Em 1942 eu volto para a Companhia 4 para fazer um curso de sargento, a guerra estava evoluindo na Europa e o Exército aqui já estava se preparando para uma possível intervenção no conflito. Então, foi um curso de emergência para preparar o sargento da reserva. E acontece que nesse ano de 1942, eu fui convocado para o Exército; de modo que eu chego ao Exército no dia 29 de novembro e 18 dias depois fui promovido a terceiro sargento. Pra mim foi muito bom, essa visualização antecipada do que poderia acontecer comigo e realmente aconteceu, eu fui convocado e esse foi o primeiro passo, em 1944 eu fui chamado para a Força Expedicionária Brasileira.
Nós morávamos na Rua da Estrela e naquela época tudo era muito difícil mas meu pai comprou um rádio, um rádio Philco, e todas as noites a BBC de Londres transmitia para o mundo o noticiário sobre a guerra e a parte que tocava ao Brasil era às 21 horas. Então minha mãe colocava na sala todas as cadeiras disponíveis e nossos visinhos, todos, vinham ouvir o noticiário da BBC de Londres e noticias sobre a guerra. De modo que de início, a partir da eclosão da guerra em setembro de 1939, passamos a participar daquele clima de guerra.

Em princípio, não esperava ser convocado. O Brasil era um país praticamente agrícola, nós não tínhamos nada, a nossa pobreza era muito grande e ficamos aguardando, ao sabor das notícias dos acontecimentos da guerra que se desenrolava na Europa. Mas a guerra foi avançando, foi ganhando proporções maiores, os exércitos alemães progredindo na Europa toda, foram anexando países, até se tornar uma coisa maior, mais ampla, com o afundamento dos nossos navios. Veio a provocação e a decisão do governo brasileiro de entrar na guerra em 1942.
O meu pessoal (família), já estava mais ou menos preparado. Nessa época, a preocupação do governo era a vigilância e a proteção do nosso litoral, todo o litoral do Nordeste brasileiro. Por que essa preocupação? Pois nessa ocasião eles (alemães) atuavam no norte da África e havia, imaginava-se uma força militar do general Rommel ocupando a África, chegando até Dakar, eles poderiam pensar num lance maior e estender seus tentáculos até o Brasil, e o lugar brasileiro mais próximo da África é Natal. E houve uma preocupação muito grande. As autoridades brasileiras tomaram suas providências e a partir daí passou a proteger nosso litoral, contra uma eventualidade, uma possível penetração dos exércitos alemães por aqui, através do Nordeste. Havia na cidade aquele temor que essa coisa pudesse a qualquer momento acontecer e passamos a viver um clima mais aproximado da guerra. E a guerra lá foi ganhando espaço, aumentando, mas o exército alemão não chegou a concretizar seu objetivo na África, o que diminuiu, um pouco, a tensão aqui, mas a população chegou a viver momentos de apreensão, difíceis. Isso levou as nossas forças armadas a reforçar suas atividades aqui em Natal.
Nessa época, quando fui chamado, eu estava na Barra de Maxaranguape que naquela época era uma vila modestíssima de pescadores. Todas essas praias tinham tropas, de pelotão à corpo de combate. Maxaranguape tinha pelotão, Touros, e mais na frente, Caiçara, Rio do Fogo… até o fim do litoral. Aqui pras praias do sul a mesma coisa; Baía Formosa, todas essas praias tinham militares do Exército fazendo esse trabalho de vigilância e proteção do litoral. E eu estava exatamente na Barra de Maxaranguape quando recebi o chamado lá para ingressar na Força Expedicionária que tinha sido criada recentemente.
– Eu acho interessante! Interessante! Eu gostaria! Se fosse possível de ir. E você?
– Ora, você indo eu vou com você!
Na praia eram duas ruas de casas, de frente praticamente pro mar. E tinha um cidadão que tinha uma merceariazinha muito humilde, lá no fim da rua. Ele tinha uma máquina de escrever, uma máquina A minha família já imaginava… as notícias surgindo… o Brasil se preparando… organizou esse corpo do exército e ficou naquela expectativa (a família), até que a convocação se realizou, de modo que não chocou, foi uma coisa natural, uma coisa que era esperada e aconteceu de modo que a preocupação do meu pai foi normal, a família, a mãe não queria receber a notícia de que o filho ia pra guerra, sente… De modo que nós, em junho de 1944 eu estava em Maxaranguape e numa ocasião, à tarde um amigo meu que estava em Touros, o sargento Júdson, sargento como eu. E ele me dava informações de tudo, pois naquela época nós vivíamos isolados de tudo praticamente, sem notícias de absolutamente nada. Maxaranguape era uma vila muito humilde, não tinha estrada, era município de Ceará Mirim. E o Júdson me faz essa revelação:
– Olha, em Natal se comenta que o país declarou guerra as potências do Eixo e criou uma força pra mandar pra Europa. E eu estou passando por aqui pra ver com você. Você quer topar? Eu vim conversar com você. E naturalmente, o que você acha?
daquelas muito antigas e lá ele usava papel, naquela época o papel era em maço, pautado. Judson preparou um requerimento, entregamos e no outro dia um soldado veio trazendo o requerimento que foi entregue na nossa unidade, que era o 16 RI na Hermes da Fonseca. Era uma unidade nova, um quartel novo. Então houve uma coincidência: no momento em que esse nosso pedido chega, o nosso requerimento, conforme informações de pessoas que trabalhavam no gabinete do comandante, o nosso requerimento tava em cima da mesa do coronel, já despachado favoravelmente, concedendo esse nosso pedido, quando chega um rádio pedindo que a nossa unidade aqui mandasse para Recife 18 sargentos, 1 subtenente e dois cabos. Veja só, só graduados, 21 homens. Saímos daqui em um dia de junho que eu não me lembro qual. Embarcamos aqui num trem, numa estrada de ferro à meia noite e chegamos em Recife no dia seguinte. E lá, nos juntamos com um contingente vindo de João Pessoa, Fortaleza e Maceió. E esse grupo, primeiro que saiu do Nordeste, foi pro Rio de Janeiro, e do Rio de Janeiro nós fomos distribuídos pelas três unidades que formavam a Força Expedicionária Brasileira, que eram: 1° Regimento de Infantaria, do Rio de Janeiro, o 6° Regimento de Infantaria, de Caçapava, São Paulo e o 11° Regimento de Infantaria de São João del Rei em Minas Gerais e eu fui incluído, no Rio, exatamente no 11. Lá houve uma preparação. Preparação psicológica… Aquela coisa toda.
O armamento nós não conhecíamos, tudo era novidade. O sexto embarcou, se não me engano no dia 6 de junho e o 1° e o 11, no dia 22 de setembro.
A preparação para a guerra era muita instrução, inspeção de saúde muito rigorosa… Nós fomos imunizados contra essas doenças que podiam ocorrer pra lá; tétano, essa coisa toda. De modo que depois disso recebemos o uniforme, a instrução foi incrementada, preparo físico também. As providencias iniciais. E no dia 22 de setembro nós embarcamos no navio General Meigs, um navio de transporte de tropas norte-americano. A viajem, embora fosse uma viagem ruim, havia aquela sensação… nessa época os submarinos alemães andavam por aí. O nosso comboio era protegido por navios da nossa esquadra, dois destróieres e um cruzador, até Gibraltar. Nas alturas de Gibraltar nossa escolta foi substituída por elementos da Marinha Americana, e a aviação sempre nos acompanhava. Graças a Deus, a viajem transcorreu sem maiores problemas. Agora, uma viagem desconfortável, éramos pouco mais de cinco mil homens empilhados no navio, eram três regimentos de infantaria no navio. Só a tripulação eram quase mil homens, tudo muito apertado dentro do navio, um desconforto total. Tínhamos duas alimentações no dia, o café da manhã e só íamos comer (novamente) de tarde. Uma comida diferente da nossa, embora nós tivéssemos sido preparados pra isso.
Não tínhamos conforto, éramos acomodados em beliches, da altura do chão, até o teto, umas prateleiras, de modo que fazia um calor tremendo, ficávamos o dia inteiro sem muita roupa, só de calção. O dia, nós passávamos no convés do navio, quando a noite esfriava, nós descíamos para nossas acomodações. E essa viagem demorou 14 dias.
O destino, quando nós embarcamos aqui, não sabíamos. Havia um boato que íamos para a África, ninguém sabia, somente o comandante (do navio) e o general Mascarenhas de Moraes, somente eles sabiam nosso destino, mas ninguém. De modo que na manhã de 4 de outubro, se a memória não me falha foi 4 de outubro, os auto-falantes do navio anunciaram que nós podíamos subir ao convés, que estávamos chegando à nosso destino, o porto de Nápoles. Somente nesse momento é que ficamos sabendo.
Passamos no porto de Nápoles dois ou três dias. Você assistiu esse documentário do desembarque na Normandia? De modo que aquelas barcaças que foram usadas no desembarque, foram enviadas para a Itália para nos transportar do porto de Nápoles ao porto de Livorno (O entrevistado localiza as cidades no mapa italiano na parede de sua sala). Nós saímos daqui, entramos no Mediterrâneo, chegamos aqui em Nápoles e fomos transportados para Livorno, esse trecho todo aqui. Entendeu? Foi uma noite terrível, as embarcações não tinham cobertura, essas barcas cabiam cerca de 200 homens e eram (as barcas), coisa de 200. Aqui (no mapa) é o porto de Civitavécchia. Eu sei que o comandante do nosso comboio recebeu informações de que os alemães estavam bombardeando Livorno, então nós fizemos uma parada nesse porto. Noite terrível meu Deus do céu! Frio, muito vento e chuva. Ficamos todos molhados numa frieza terrível e no dia seguinte desembarcamos em Livorno e fomos transportados para Pisa. A guerra para nós se desenvolveu aqui (mapa) nessa região do norte da Itália, Piemonte, até terminarmos aqui, no norte, na fronteira norte da Itália.
Quando cheguei vi um país arrasado, um povo sofrido, porque eu costumo dizer e, é importante a gente acrescentar isso: o que mais marcou o combatente brasileiro foi o sofrimento da população civil. Como sofre, principalmente as mulheres, as crianças e os velhos. Os jovens somem todo mundo. Todo mundo na Itália estava empenhado na guerra, cada família, quando a gente chegava e conversava, tinha seu drama particular para contar: que alguém tinha sumido, o pai tinha sido fuzilado pelos alemães. Era a situação pior que eu já vi. Os velhos foram levados também. Agora, somando-se a isso aí, a falta de alimento, de remédios, vestuário, falta de tudo. Numa ocasião, numa entrevista, um jornalista perguntou para o general Einshover, que era o comandante supremo das operações na Itália, o que ele achava da guerra. Numa palavra ele sintetizou tudo. Disse: “A guerra é uma desgraça” foi um termo mais ou menos assim. E é. Miséria, barbaridade.
De modo que desembarcamos lá (em Livorno) e nos instalamos num acampamento em Pisa, aí nós estamos chegando nessa parte. Uma outra pergunta do seu questionário aí…
Quando nós desembarcamos no porto de Nápoles e de lá para Livorno, a primeira impressão foi muito triste. O porto de Nápoles, são detalhes, ali no canto tinha um monte de ferro velho, restos de embarcações, de viaturas, muito ferro, e lá tinha uma porção de homens acocorados, segurando um barbante e, em meio a nossa curiosidade, aqueles homens estavam ali caçando ratos. Ficavam com uma ratoeira numa ponta de um barbante e quando a ratoeira disparava eles puxavam. Aquilo ali era o alimento. De modo que tudo que matasse a fome eles pegavam. Quando nós chegamos tinha muitas crianças e nós jogávamos biscoitos, chocolates e eles partiam para cima. Logo veio uma ordem para que nós não jogássemos nada porque machucava, machucava as crianças porque os adultos entravam também famintos, não tinham nada, absolutamente nada. Agente via cenas fortes e tudo isso maltratava demais, isso marcou muito todos nós (emoção). De modo que eu estou aqui hoje contando uma história…
Quando chegamos, fomos de caminhão para as proximidades da cidade de Pisa onde tem aquela torre, que eu tenho aquela miniaturazinha ali ó (miniatura da torre de Pisa na sala), fica pertinho da cidade. Ficamos naquelas barraquinhas quando recebemos o armamento, que nos era estranho, completamente diferente do que nós usávamos aqui, armas individuais, armas automáticas, metralhadoras, tinha armamento que nós não conhecíamos como a bazuca, o canhão de carro… O canhão de carro aqui era um 37 milímetros, lá era um 57. Os armamentos eram todos americanos e a partir daí houve um incremento da adaptação ao clima e aos padrões americanos, porque o exército aqui foi preparado na doutrina francesa e tivemos que nos adaptar rapidamente aquilo.
Quando nós chegamos lá o 6° (6° RI), que foi primeiro, já estava empenhado na linha de combate e o meu batalhão encontrou os alemães num lugar chamado Camaiore, a poucos quilômetros de Monte Castelo. Houve fatores aí que comprometeram a nossa atuação: chuva, muita chuva, muita lama, a visibilidade caiu e a artilharia não pôde executar seus tiros com precisão, a aviação também não pode nos dar apoio e esse combate, embora tenha se iniciado, foi retraído, retraído com mortos e feridos. No dia 29 de novembro nós retornamos esse combate e foi outro fracasso. Foi um golpe muito duro. E logo a partir disso aí, naqueles dias a neve começou a cair, o inverno chegou. E esse inverno, comentava-se muito, foi um dos piores da Europa entre 1944-45, um dos invernos mais rigorosos da Europa. Então a frente começou a parar, estabilizou tudo, na Europa toda. A neve começou a aumentar e foi aumentando. A neve começou a cair, exatamente naquela região onde nós estávamos, a região das montanhas no dia 24 de dezembro, na véspera de natal. Eu estava no momento fazendo uma ronda quando de repente começa a cair do céu àquelas coisinhas branquinhas, pareciam umas peninhas. Eu via neve no cinema, nesse tempo não tinha televisão, era no cinema, em fotografias. E aquilo começou a cair, e eu fui colhendo, botei na minha mão e ela logo derreteu. Os soldados estavam no abrigo e eu chamei todo mundo pra ver aquele fenômeno atípico para nós. E anoiteceu, aquela paisagem escura, porque nós estávamos nas montanhas, um pedregulho tremendo, só rocha, sabe? Nós tínhamos alguns arbustos, mas eram poucos, e a partir daí, quando o dia amanheceu, a paisagem já era outra, aquela paisagem escura toda, era como se tivesse estendido um lençol branco, tava tudo branco. A partir daí a neve foi caindo e se acumulando coisa de 30, 40 e até 50 cm. As viaturas iam passando e comprimindo a neve que ia se solidificando, uma calota de gelo imensa, as viaturas andavam com correntes nas quatro rodas, pois escorregava demais. Você pode imaginar a coisa mais escorreguenta que puder, pior que sabão muitas vezes. Até andar era difícil.
O nosso uniforme não era adequado, de lã, mas muito precária, muito fina. O que nos socorreu foi o uniforme dos americanos. Forneceram para nossa unidade, nossa divisão, umas jaquetas aconchegantes, forradas algumas com pele de carneiro. E resolveu, quebrou o galho. Mas que fique claro: todo o material que consumimos na Itália foi pago pelo governo brasileiro. Nós não usamos nada de graça do americano, tudo foi pago; o uniforme, a alimentação, tudo. Eles estabeleceram na época o chamado Plano Marshal, exatamente para prever essas necessidades na Europa.
Nós ficamos ali parados até dezembro.
Você sabe a história do exército alemão? O exército alemão perdeu uma divisão completa em Stalingrado, a sexta divisão do general…Não me lembro o nome.
Quando começou o degelo, quando a neve não caia mais…Os combates não cessaram durante o inverno, havia combates isolados. Patrulhas de reconhecimento. Eles vinham pra cá, nós íamos pra lá e algumas vezes havia o choque de viaturas, combates isolados, isso até a retomada dos combates na ofensiva da primavera em fevereiro. E no dia 21 de fevereiro, mais precisamente, houve o terceiro combate, em Monte Castelo, o dia todo, foi uma luta muito dura, Monte Castelo tem 800 metros de altura e eles (os alemães) muito bem, trabalhavam na defensiva e nós lá embaixo no Vale do Pó. Um domínio total dos alemães naquelas alturas, de modo que nós ficamos lá, atacamos em fevereiro, dia 21, e o castelo caiu. Foi muito dura a luta, tremendamente dura, foi um dia, mas foi um dia de cão, um dia no inferno. A partir daí, houve uma perseguição e eles se instalaram em Montese […]

 

O potiguar Cleantho Siqueira lutando em Montese para libertar o mundo do nazismo. Foto Reprodução Aldair Dantas

[…] Montese foi três vezes pior que o outro, quem combateu foi o 6° RI, o meu batalhão trabalhou no apoio, nós subíamos também. Agora, em Montese foi o meu regimento o 11. Aí foi diferente, foi a batalha mais sangrenta, foram três dias. Quando terminou o combate, no terceiro dia nós estávamos um bagaço. Com fome… Aí vem os detalhes, sabe? Foi muito triste. Eu tinha um soldado que não levantava mais, e nisso aí vêm muitos detalhes. Eu era um 3° sargento, eu era um garotão, tinha sob minha responsabilidade a vida de nove homens. Comida pra dar para esses homens que eu tinha que dar conta. Perdi dois homens. Mas isso aí é uma situação normal. É ruim, é duro, você tá empenhado num compromisso sério; é ali que um homem se realiza, a responsabilidade… O sofrimento… E como une, como une rapaz! É uma coisa muito bonita.
Passamos pela nossa primeira etapa, aí entra a segunda etapa: fomos para Monte Castelo, uma cidade chamada Corneto. Havia um buraco no chão onde ficávamos, o americano o chamava de “fox-holle”, a tradução é “toca da raposa”. Era o abrigo principal da vida, para salvar sua vida. Não era uma trincheira, era um abrigo individual.
Também nós procurávamos as casas dos italianos, sempre nas montanhas, no campo, aquelas pequenas granjas, em pequenas localidades. Nós procurávamos sempre as casas deles porque tinha fogo, uma lareira. Então nós ocupávamos a casa dos italianos e nessa posição, nos dias de nevoeiro, os soldados desciam e iam apanhar a alimentação lá em baixo. Mas nos dias claros, a alimentação não chegava. Então nós nos valíamos da ração K, era uma caixinha que eles (os americanos) nos davam. `
A alimentação quando chegava, normalmente à tardinha, a família reunia. O dono da casa era o Sr. Giusepe, um cidadão de 60 anos, e a senhora dele, Dona Terezinha, uma mulher maravilhosa… Um rapaz entre 16 e 17 anos e uma moça também jovem e duas crianças, Silvana e Maria, uma tinha três anos e a outra tinha cinco.
Todos os dias quando chegava o rancho, os soldados encarregados distribuíam a comida. Eram marmitões térmicos. Quem primeiro se servia eram as crianças, Dona Terezinha as servia. Depois o pessoal da casa se servia, pegavam seu alimento e depois os soldados, cerca de dez soldados numa casa. Nós passamos uma grande temporada no norte (da Itália) e eu não tinha cabo, mas isso aí é uma outra história… Mas todos se serviam e eu pegava o meu. E a comida era muito farta. Sobrava, Dona Terezinha recolhia e levava lá pra dentro para outra refeição deles e ainda servia algumas pessoas lá dos arredores que iam pegar comida lá. Passamos 23 dias nessa posição, 23 dias sem tomar um banho, porque não tinha água, gelava tudo, tudo. Era terrível.
Os italianos gostavam muito da gente. Nós chegávamos numa cidade e era uma festa, o povo vinha pra rua. Que alegria rapaz! Era a liberdade chegando… Veja o valor da liberdade.
Quanto ao banho, nós não tomávamos, mas fomos para uma localidade chamada Porreta Terme, onde funcionava um quartel general. Lá tinha umas casas de banho, uma espécie de banheiras, de termas. Então fomos tomar banho. Tomar banho, meu Deus do céu! Não tínhamos sabão, não tínhamos nada. Estávamos podres, essa é a expressão, fedia! Nas axilas criava uma lama que coçava muito, contraímos micoses. Os pés… Terrível rapaz! Escovávamos os dentes com uma garapa que os americanos mandavam, Get-fruit.
De modo que quando nós deixamos Montese, os alemães se retraíram e nós passamos então pra perseguição. Então eles se retraíram e foram se estabelecer numa outra cidade no norte da Itália, Collechio, onde houve nosso último combate, também em outra região chamada Fornovo, onde tinha o rio Taro.
Em Fornovo se deu a rendição da 148° Divisão de Infantaria alemã. Essa divisão foi aprisionada completa, seu comandante era um general, cerca de 15 mil homens, gente demais. Pra você ver, a FEB aprisionou durante a Guerra toda 23 mil homens, quase o efetivo dela. De modo que depois dessa rendição nos juntamos ao exército francês lá em cima (no norte) em Susa, uma localidade chamada Susa, nos encontramos lá. Mas ai a guerra estava praticamente acabada. A guerra terminou pra nós na Batalha de Collechio no dia 28 de abril. A rendição oficial foi dia 8 de maio. De modo que terminou a Guerra e nós nos recolhemos para Alessandria, fazendo os preparativos de retorno pra casa.
O soldado alemão, que por leitura agente fica conhecendo os povos, nós sabíamos que era o melhor soldado do mundo e isso foi confirmado. Ele era orgulhoso, cara feia, fechado, duro… Praticaram lá umas bobagens, sabe! Tem histórias, que eu não vou me referir a isso, pois não gosto de contar. Muitas sujeiras, crimes, patifarias, sabe! Dentro da própria guerra, pois a guerra tem suas próprias leis também, isso vem de longe, da Primeira Guerra Mundial. É a lei da guerra, o respeito ao prisioneiro.
Os alemães tocaram fogo num cabo nosso, o cabo Manga. Jogaram gasolina no cabo, tocaram fogo e isso teve uma repercussão muito chata, não foi legal, ele prisioneiro… Coisas dessa natureza. Os italianos é que contavam que eles eram bandidos, da pior espécie.
Eu tive contato com muitos alemães. Por exemplo, nós tínhamos prisioneiros deles. Prisioneiro é um homem que entrega suas armas e é protegido pela lei. Prisioneiro quando se apresenta não tem obrigação de dizer mais nada, absolutamente nada além do nome dele e sua identidade, ele fala se quiser. E naquele momento o pessoal de operações (da FEB) tinha conversas com eles para ver se colhia informações, além da unidade a que ele pertencia. Nós tivemos conosco lá na frente italiana unidades que combateram em várias partes. Tudo isso é uma cocha de retalhos. Se oferecêssemos cigarro para os alemães, eles tiravam um cigarro, mas quando oferecíamos pro prisioneiro italiano, eles metiam a mão, se você bobeasse ele levava todos. O italiano, várias vezes, era aquele sorriso debochado; o alemão era sério, com a moral lá em cima rapaz! O prisioneiro entregou as armas não é mais nada, e aquilo ali era uma demonstração de moral, só por esse aspecto ele era respeitado, esse era o soldado alemão. Agora! Eram homens sofridos, magros… Pelo uniforme deles agente via, uniformes surrados, o calçado já não tava dando pra mais nada. O asseio pessoal… A guerra já estava no fim mesmo.
Eu tive alguns momentos mais difíceis. Os combates de Montese e Monte Castelo foram situações muito difíceis. Você pode imaginar, a tropa partindo pro ataque e os alemães na trincheira emburacado, se defendendo, mandando bala na gente, desprotegidos. Agora, qual foi o momento supremo? Dois de janeiro de 1945, exatamente naquela ocasião que eu disse que meu batalhão saiu da linha de frente e fomos pra retaguarda pra tomar banho, nós ficamos numa localidade chamada Sila, ficamos num prédio de quatro andares. Eu não vou contar essa história, os detalhes… Porque não me faz bem. Nesse dia eu tive a sensação, como ser humano, de ter morrido. Chegou um momento que imaginei que tivesse morrido, cheguei ao marco zero. Foi terrível! Sempre nesse mesmo dia, depois que voltei pra casa eu ia à missa e pedia para rezar em ação de graças para agradecer a Deus, ainda faço hoje. Eu vou rigorosamente à missa nos domingos pra isso. É o meu reconhecimento à meu Deus porque me trouxe de volta pra casa. Porque eu sei, lá dentro da minha alma, se eu não fizer isso, o que seria de mim meu Deus. Passei por tudo isso e hoje estou aqui com você. Maravilha! Minha casa, minha família…
Quanto à morte, essa é uma pergunta que normalmente o pessoal gosta de fazer. Você tem que ter medo de tudo. Psicologicamente tem que ser encarado. A morte é apenas um fato. Você sabe que um dia você… A morte não tem hora. Quando você tá num momento duro do combate, nesse momento você perde a noção, você tá concentrado ali. Primeiro você pensando na sua sobrevivência. Depois, no caso do graduado que tem vidas sobre sua responsabilidade, na vida dos seus homens. Em você e na vida de seus homens. Porque o homem nesse momento só está pensando na defesa dele. Por exemplo: a defesa do infante, do homem de infantaria é o abrigo pessoal. A granada de artilharia quando explode deixa um buraco no chão e uma granada nunca cai duas vezes no mesmo lugar, pode acontecer… Numa ocasião eu vi com um americano. A granada caiu no buraco onde ele estava e só ficou os dois pés dele. De modo que no momento você não pensa em nada: em morte, sobreviver… Você está concentrado, é o momento máximo de sua vida: matar e sobreviver, matar ou morrer. Ali não tem outra lei. Ou você mata o camarada ou você vai embora! É o momento em que você se desliga de tudo e se concentra somente naquele momento. Depois daquele momento você vai fazer sua oração, falar com o irmão, saber o que aconteceu, quem está faltando, se tem alguém ferido, tomar as providencias, aonde é que está seu pelotão, o comandante do seu pelotão, onde está, com quantos homens.
Eu vi muitas cenas horríveis. Numa ocasião um soldado perdeu um pé. Esse rapaz era do Paraná, descendente de alemão, quase que não falava. Falava um português muito gasto. Muitos garotos lá do Paraná que eram descendentes de alemães, de italianos, falavam com dificuldade naquela época. Hoje o negócio mudou. Mas o soldado perdeu um pé e o padioleiro colocou um torniquete na perna dele pra evitar uma hemorragia, se não o sangue ia embora todo. Ele tinha que ser muito rápido. Há uma mina que só leva um pé, o pé vai embora e é cortado no meio da canela. Então teve que imobiliza-lo e ele disse para mim: “Sargento! Ta ca dô na minha pé”. Mas ele não tinha mais pé. Ai ele foi pra retaguarda, a última vez que eu o vi foi na retaguarda e ele foi embora. Houve muitos outros casos. Um dia encontrei um colega meu com um estilhaço de granada fincado na cabeça. Já tinha sido atendido pelo padioleiro, ali ele não meche em nada, pega uma gaze e mercúrio, coloca o homem na retaguarda e vai cuidar dele. Não morreu, ficou a guerra com aquilo enfiado no meio da cabeça.
Vi muita coisa. Muitos homens feridos, muitos cadáveres, tanto gente nossa quanto alemães. Era um quadro desolador, era terrível. Você tem que ser muito forte pra agüentar essa guerra, porque tinha muitos companheiros meus que não agüentavam. Choravam, se desesperavam e a lembrança nessa hora é a mãe, chamavam sempre pela mãe, até na hora da morte (emoção).
Eu vi muita coisa feia, muita coisa ruim. Alegria não tinha, meu Deus do céu! Natal todo mundo comemora, é bonito! Mas eu achei triste, foi triste! No carnaval, carnaval era aqui, lá não teve nada. Mas éramos bem assistidos com relação à saúde.
Em janeiro eu fui sorteado para passar seis dias em Roma. Isso aí era uma história muito interessante. Eu não tinha nada. Sortearam a mim, da minha companhia, fulano da outra e nós fomos para uma localidade lá na retaguarda onde estavam americanos, poloneses, franceses, gente de toda localidade. E fui no comboio, passei seis dias em Roma, vi o Papa, o Papa Pio XII. Mas quanto ao sorteio, eu queria ir, mas ir como meu Deus do céu! Eu não tinha nada, não tinha dinheiro, não tinha roupa, não tinha absolutamente nada. Tem até uma história engraçada aonde você sente a solidariedade. Nós tínhamos dois sacos, um chamava-se saco A, que acompanhava a gente, e o outro saco B, onde ficava nossa roupa de passeio, nossos objetos, saco de dormir, lenço, cuecas etc. Meu saco ficava na retaguarda e tiveram que ir pegá-lo longe, lá atrás num povoado. Tava tudo mofado, como eu iria vestir aquilo rapaz? Mas tive que ir. Os soldados querendo ajudar. Lá vem um camarada com uma telha passando por cima do pano pra ver se estirava qualquer coisa. O sofrimento une o homem. Teve uma ocasião num bombardeio de artilharia, que meu capacete soltou da cabeça rolou numa pirambeira e caiu lá embaixo. Havia um negro, o Nascimento, ele desceu a pirambeira, foi lá embaixo, debaixo de um bombardeio tremendo, pegou meu capacete e botou na minha cabeça. Eu disse uns desaforos pra ele, sabe? E ele com aquele sorriso, ele era muito negro, você não o via à noite, só os olhos e os dentes. Ele chegou a general, o Nascimento. Ele me disse: “sargento, se o senhor morrer o que será de nós?” Ele era um homem analfabeto e quem escrevia as cartas pra mulher dele era eu e quem lia as cartas da mulher dele quando chegavam era eu. Foi um gesto muito bonito. Um homem analfabeto… Como o homem se transforma numa guerra.
Como eu lhe disse, a guerra para nós, acabou no dia 28 de abril. Então a nossa unidade se reagrupou num quartel velho italiano chamado Icristo, numa cidade grande chamada Alessandria. Então um sargento colocou a companhia em forma e disse que o capitão tinha uma declaração para nos fazer, uma notícia muito boa. Aí o capitão fez aquela entonação de voz e disse: “A guerra acabou”. Poderia ter havido uma reação grande e simplesmente um soldado lá no fim da companhia disse, me lembro bem, foi a primeira vez que ouvi essa expressão: “acabou tarde capitão”. Frieza… Os homens estavam tão machucados, com a alma tão machucada que ninguém achou graça em nada, sabe? Poderia acontecer uma explosão de alegria, mas não houve nada disso.
Depois disso nós tivemos a chance de uns passeios. A guerra acabou e fomos andar por aí. Nós tínhamos o direito de passar até oito dias fora do acampamento, se passasse um dia a mais, era considerado desertor. São histórias da guerra.
Com relação a namoradas, eu faço muita restrição a isso. Uma coisa que eu sempre dizia a meus soldados, sempre advertindo eles: “não se esqueçam que vocês têm suas mães e suas irmãs no Brasil, vamos respeitar essas moças aqui da Itália”. E eu briguei, fiz a guerra brigado com meu comandante de pelotão, Tenente Vioti, exatamente por causa de uma moça, pois ele era casado. Isso aí é uma outra história. De modo que a minha preocupação com isso era muito grande, pois houve problemas, houve casos lá de estupros violentíssimos, e esses soldados foram condenados à morte (americanos), mas as leis daqui são diferentes. Numa ocasião, um sargento americano lá jogou uma granada num grupamento e andou ferindo lá militares, mulheres e civis e esse camarada foi fuzilado, foi executado em Pistóia, onde era nosso cemitério. Veio um ofício (da FEB) mandando um oficial (brasileiro) assistir porque morreu um sargento nosso nessa coisa (no incidente com o americano). Ele estava bêbado (o americano). O Major Lisboa foi lá e presenciou a execução do americano, e esses miseráveis nossos estupraram a moça, foram condenados à pena de morte, a pena foi computada em prisão perpétua e reduzida pra 30 anos e quando chegaram no Brasil, foram anistiados. Nessas coisas rapaz, tem detalhes interessantes, muitas histórias, sabe?
Quando voltamos pro Brasil houve festa, uma explosão de alegria no Rio e em São João del Rei. Eu era convocado, não poderia ficar no Exército, a ordem que veio foi para todo convocado ser licenciado, mas isso aí é outra história. Eu consegui ficar e fui pra São João del Rei, onde ficava meu regimento. Fiz tudo pra não ir pra lá rapaz (São João del Rei), tudo que você possa imaginar eu fiz, mas o destino me levou para lá. Passei cinco anos lá, conheci minha mulher e depois de cinco anos, peguei minha mineira e voltei pra Natal. Houve uma renovação na minha vida. Eu tinha perdido quatro anos e imaginava que meus amigos, meus companheiros do Atheneu estavam todos nas universidades. E eu? Eu tinha que recomeçar minha vida e eu estava doente, vim da guerra com problemas graves, neurológicos, passei três anos me tratando no Rio de Janeiro. Tudo isso aconteceu comigo. Então eu fiquei no Exército, me adaptei bem a vida militar, gostei e me dei bem, graças a Deus! A minha família me apoiou, todo mundo queria me ajudar, tinha um oficial que queria me matricular compulsoriamente na Escola Preparatória (de oficiais) de Porto Alegre, mas eu não fui porque estava doente. Aí eu teria tomado outro rumo. Mas foi bom. Graças a Deus, por onde andei fui bem tratado, prestigiado, só deixei amigos ali, que ainda hoje os conservo, aqueles que estão vivos.
Eu tenho hoje minhas lembranças, minhas recordações. Você vê que eu sou um camarada de bom conceito.
A maior lição que a guerra nos dá é a liberdade. Nós buscamos na guerra que ela (a liberdade) impere. Só.
Eu tenho uma filha que mora em Veneza (na Itália). Ela insiste muito para que eu a visite, mas nós vamos lá um dia. Tenho muitos companheiros, amigos meus da época que já voltaram lá.
Montese foi uma cidade totalmente destruída quando estive lá, hoje tá toda recuperada, reconstruída, bonitinha nas montanhas. E no dia do combate, não tinha uma casa com telhado, eram só aqueles paredões e hoje tá toda diferente, aqueles lugares por onde passamos estão todos bonitos.

Sinceramente eu gosto muito de dar esses depoimentos, principalmente a vocês jovens, porque a gente sente que vocês estão dando seqüência, continuidade a história. E isso é importante pro futuro, e seu trabalho não vai morrer aí pois isso tem um grande valor.

 

Reprodução: Tribuna do Norte/Aldair Dantas

Saiba um pouco mais sobre os heróis Potiguares nas obras de autoria do Mestre em História pela UFRN, Ranielle Macedo, clicando em Monografia: Os Pracinhas Potiguares na Segunda Guerra Mundial, Ex-combatentes potiguares na Defesa do litoral – Tese de Mestrado, Entrevista com o veterano Ovídio Alves Diniz, Nota de Falecimento – Miguel Soares de Azevedo.


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7 comentários

  1. come italiano non sono in grado di leggere e capire tutto quello scritto.sono sempre in cerca di una testimonianza ,per sapere l’esatta ubicazione della casa dove fù firmata la resa al gen. Falconiere dal gen. otto fretter pico a pontescodogna(collecchio)provincia di parma il 29/30 aprile 1945.una cosa volevo dire. facendo la somma degli anni del prachinas lui
    secondo quello che ho letto,nè compie 90 non 82.
    complimenti e auguri a questo
    conbattente della FEB

  2. Seu Cleantho foi um grande guardião da memória da FEB no RN e teve uma participação muito ativa na Guerra. Jamais esquecerei aquela tarde em que me prestou depoimento detalhado de sua experiência na Itália. Que Deus o guarde num bom lugar. Obrigado ao Portal FEB e ao Derek pela homenagem.

  3. Fico tão orgulhoso destes homens corajosos, infelizmente estes verdadeiros heróis estão deixando este mundo devido as suas idades.
    Será que os jovens de hoje não tem vergonha… milhares de jovens pedem para ser dispensado do serviço militar, enquanto estes homens foram voluntários para deixar suas esposas, pais e mães para ir a um lugar que nem eles mesmo sabiam e nem mesmo se voltariam vivos.
    Aos familiares, por favor vamos postar a historia deles. AMO VOCES.

  4. Marlio Luis /

    “Verás que um filho teu não foge à luta”
    assim o nosso hino diz.

  5. isalete leal /

    A CONSTELAÇÃO DA FEB esta recebendo mais um HERÓI. Mais uma estrela para brilhar junto com seu Comandante…

  6. Ivan Mauri Tourino /

    Como deixar PASSAR BATIDO ESSE MAJOR VALOROSO CLEANTHO QUE LUTOU POR NÓS NA GUERRA. Se estamos vivos e com uma vida melhor, êles foram os responsáveis por tudo. Pêsames a familia e obrigado Major Cleantho. Deus lhe pague.

  7. um dia vi um americano dizendo no video queo seu neto perguntou a ele o que foi fazer na guerra???

    ele respondeu simplesmente eu fui lá para que voçe não estivesse falando alemão hoje…..!!!!!!

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