Newton de Souza Ortman do Batalhão de Engenharia – Noite de folga

Newton de Souza Ortman no Colégio Militar

Dia 11/III/945 - À tarde, às 18:00 horas, saímos, eu, o Nogueira e o Jonas, afim de irmos a Trépio. Bebemos conhaque. Às 23 horas, mais ou menos, saímos e fomos ao baile, no clube local. Chegamos e tomamos vinho, em companhia de um soldado da Artilharia. Cinco minutos após a nossa chegada, começou uma briga, provocada por um civil e um soldado brasileiro. Fui logo para desapartar. O soldado explicou-me, mas o civil quis me empurrar. Não tive dúvidas: Dei um empurrão no civil e a briga entre soldados e civis começou. Éramos oito: Eu, Nogueira,Jonas, Caxias, Gomes ( da Artilharia ), um soldado da Aviação e dois “Paizanos” italianos que trabalham na Aviação. Os italianos eram mais de 30 ! Dos nossos, só eu estava armado, e mesmo assim com uma “Beretta” que negava fogo de vez em quando, devido a má qualidade da munição.

Uns cinco soldados brasileiros da Artilharia fugiram. Nós surramos um bocado os italianos. Mas, com o tempo, vi que eles iriam levar a melhor. Então, dei um tiro para o alto, e os italianos desapareceram em menos de um segundo !!! Em seguida, saímos para voltarmos para casa. No meio do caminho ouvimos um tiro. Vimos também, na escuridão, mas com o auxílio da lanterna, um civil. Creio que ele ia nos atirar pelas costas ( covardes! ).

No meio do caminho ( eu ia na frente do pessoal ), vimos uma luz numa casa, do lado da estrada. O Valente se adiantou, e vimos um civil ( armado de fuzil ) discutindo com duas senhoras. Quando o Nogueira perguntou para que era o fuzil, ele apontou e já ia atirar na minha direção ( vejam só ! ), quando o Nogueira se atracou com ele e desarmou-o. Quando eu armava a pistola, ele percebeu a manobra e foi mais ligeiro: Atracou-se comigo e a pistola caiu; caiu, mas eu a joguei para longe, para o lado do Nogueira. Aí eu me “grudei” com o “paizano” e joguei-o no chão. Caí sobre ele e segurei no seu pescoço. As mulheres aproveitaram-se e correram a pegar pedaços de pau, mas foram desarmadas e trancafiadas num quarto. Eu só larguei o italiano ( que tinha mais corpo que eu ), quando ele botou a língua para fora. Mas, mesmo assim ele tentou resistir à prisão. Aí foi que apanhou como um “ boi ladrão “ ! Dei-lhe 2 murros na cabeça como toda a força. Eu só sei que ele se entregou, depois de ter caído e ficado com o rosto completamente ensanguentado. Levei-o à Porreta, mas deixei-o com a Polícia, próximo de Pávana ( à 1:30 horas da manhã ).

 Obs.: nomes fictícios para evitar mal entendidos.
 
Confira também: 

Newton de Souza Ortman do 9º Batalhão de Engenharia

 
Enviado pelo filho, Marcio Ortman.

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1 comentário

  1. BOA TARDE SOU DE TOLEDO PR ADOREI A HISTORIA MARCIO ESSA FOI BOA SEU PAI ERA MUITO VALENTE MEU PAI EX COMBATENTE 2A
    GUERRA MUNDIAL DEIXOU MUITAS HISTORIAS COMO ESSA DE SEU PAI OBRIGADA

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