Na guerra se aprende de tudo, até dirigir!

Na guerra acontece de tudo. Inclusive a paz, mesmo que provisória.

Alemães e brasileiros haviam feito uma pausa nos combates.

Durante a trégua, ambas as tropas aproveitaram a oportunidade para fortalecer as trincheiras, remuniciar as armas, alimentar os soldados, recolher mortos e feridos, limpar os equipamentos e viaturas, reorganizar o posicionamento, estudar novas estratégias e descansar a tropa para os próximos confrontos.

Apesar de toda aquela movimentação a cautela prevalecia. Até que gostamos do silêncio das armas. Por instantes a tensão sumira, os gemidos cessaram e os sorrisos brotaram novamente nos rostos dos soldados.

No entanto, havia alguma coisa estranha no ar. Quem estava nas trincheiras percebia que os alemães planejavam algo. Ninguém sabia o quê. O comando não esperava qualquer tipo de ataque nas próximas horas. Sun Tzu em uma de suas orienta: “Se as tropas inimigas se acham bem preparadas após uma reorganização, tenta desordená-las. Se estão unidas, semeia a dissensão entre suas fileiras. Ataca o inimigo quando não está preparado, e aparece quando não te espera. Estas são as chaves da vitória pela estratégia”.

Naquele dia o conceito do mestre da guerra foi aplicado. Rápida como uma flecha a máquina de guerra alemã atacou a Força Expedicionária Brasileira com tudo que tinha direito. O surpreendente bombardeio da artilharia foi intenso e preciso. Fogos de morteiro, obuses, canhões, metralhadores, fuzis, granadas, pistolas. O dia aparentemente calmo transformou-se numa tempestade de projéteis, estilhaços e fumaça. Gritos, correria e dezenas explosões sucessivas.

Ali no meio daquele inferno eu descobri o real significado do medo. A morte se fazia presente em cada estouro e em cada gemido. Os abrigos pareciam inúteis para tamanha força. A impressão que se tinha é que para cada disparo brasileiro, recebíamos a resposta de mil. Foi quando ouvimos a ordem:

– Retraiiiiiiiiiiiiiir! Retraiiiiiiiiiir! Retraiiiiiiiiiir!

Sem sombras de dúvidas aquela ordem foi uma das mais sensatas que já ouvi na minha vida. Ficar poderia significar a completa derrota. Aquela batalha estava perdida, mas não a guerra. Às vezes é preciso recuar para depois atacar novamente. Sun Tzu também ensinou que deve-se evitar durante um tempo o inimigo quando ele é mais forte. Naquele momento a única solução era recuar. No entanto, uma coisa chamada pânico também se fez presente. Muitos soldados paralisaram. Não conseguiam mover-se um centímetro do lugar em que estavam.

Eu precisava sair dali o mais rápido possível. Havia uma viatura parada com o motorista ao lado inerte e aos prantos. Sem hesitar eu gritei:

– Vamos sair daqui soldado! – Vamos sair daqui!

Para o meu desespero nenhuma resposta.

– Embarca! Embarca! Vamos sair daqui! Gritei empurrando-o para o banco do carona.

Eu havia sido, por dezenas de vezes, passageiro em caminhões, jipes e veículos de passeio, mas nunca dirigido.

No meio do caos eu tinha uma opção apenas: tentar. Sentei no banco do motorista, girei a chave e:

– vrummmmm! Vrummmmmmm!

Partimos no meio do pandemônio ilesos de um dos mais ferozes bombardeios que os alemães impuseram a F.E.B.

Salvei um amigo e sobrevivi.

De sobra aprendi uma utilíssima lição sabe Deus como e desde aquele fatídico dia nunca mais esqueci como dirigir um veículo.

 

História contada pelo veterano da Força Expedicionária Brasileira Hely José do Nascimento


Colaborador e autor:  Vanderley Santos Vieira, Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.

E-mail: vandsav@hotmail.com


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5 comentários

  1. Vitor Santos /

    Eu que queria aprender assim!

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk quem diria que na feb existiriam comediantes kkkk imagina a cena mo tiroteio bomba explodindo e o glorioso herói do qual admiro muito mas creio que na hora deveria estar se borrando empurro o piloto que estava inerte e aposto que as suas palavras foram cebo nas canelaaaa !! kkkkk mas no final chutamos o rabo dos alemães kkk parabéns senhor mas a sua história é engraçada d++ kkkk

  3. por favor me liga é urgente 067-98181648

  4. me liga é urgente 067-98181648

  5. Emmerson Spencer /

    No dia em que se comemoram os 75 anos do inicio da 2ª Guerra Mundial é louvável ver a imagem de um dos poucos veteranos da “Força Expedicionária Brasileira” restante desde conflito. É de sobra saber da inusitada historia vivenciada pelo mesmo no teatro de operações da Itália. Salve o Bravo Guerreiro!

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