Lygia Fonseca – 2º Tenente Enfermeira

“Toda ação provoca uma reação de igual intensidade e em sentido contrario” (3ª Lei de Newton).
Foi exatamente isso que aconteceu no Brasil, que até então se mantinha neutro durante o maior conflito que a humanidade já presenciou. Era preferível cuidar dos problemas internos, levar aquela vidinha sossegada e curtir os carnavais, praias e partidas de futebol. Pra quê mais?
Era preciso algo mais do que uma solicitação verbal de um presidente americano ou inglês para reagirmos. Era preciso um motivo claro. Algo como uma tapa na cara, que não provoca a dor física, mas a moral. Era preciso que vidas se perdessem nos bombardeios de autoria alemã aos navios brasileiros. Pronto. Agora tínhamos um motivo. Agora o Gigante pela própria natureza, ora adormecido, tinha sido importunado e alguém tinha que pagar por isso. Formou-se a Força Expedicionária Brasileira, porém ainda faltava algo.
Quem vai cuidar dos ferimentos dos nossos homens? Os aliados foram diretos e em outras palavras disseram: “Não vamos dar conta! Vocês precisam dar um jeito! Precisamos de reforços no corpo de saúde e que fale sua língua”. Então o Brasil deu o jeito. Mas como será que a população reagirá a esta convocação. Ainda mais as mulheres? Será que teremos voluntárias?
E o chamado foi atendido. Da seleção restaram apenas 73 e entre elas uma mineira natural de Três Corações, chamada Lygia Fonseca. Era determinada. Quando decidia fazer algo, nada podia se interpor. Convencia qualquer um com sua mineirice. E então partiu não ante de se aperfeiçoar estudar nos Cursos de Enfermagem Voluntária Socorrista da Cruz Vermelha Brasileira e no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), ministrado pela 4ª Região Militar. No dia 29 de julho de 1944 foi nomeada enfermeira 3ª classe. O fato foi publicado na Portaria 6.934. Contudo o ápice ainda estava para acontecer.

No segundo dia do mês de agosto saiu à convocação e, finalmente, no dia 29 de outubro de 1944, a filha do Sr Joaquim Garcia da Fonseca e Cândida Cornélia da Fonseca, partia com o 15º Grupo para cidade italiana de Nápoles e de lá, seguiu de navio para Livorno, onde serviria até o fim do conflito.

Registro Histórico do dia em que as alunas receberam a notícia da convocação

Lygia não mediu esforços para salvar vidas que foram colocadas em seu cuidado no 7th Station Hospital, em Livorno. Sua dedicação rendeu duas condecorações: as Medalhas de Guerra e Campanha, entregue pelo Exército Brasileiro e o Distintivo Meritorium Service, honraria cedida pelo Exército Americano. Sua abnegação trouxe também como reconhecimento, conforme publicado no Boletim Interno nº 90, da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária a notícia da promoção ao posto de 2º Tenente.
O tempo passou, o conflito acabou e Lygia voltou ao Brasil. Fez o que tinha que ser feito da melhor maneira possível, e apesar de tudo, das vidas perdidas, o conhecimento adquirido no front, serviria para ajudar salvar outras vidas, agora em solo pátrio.
Antes de ser licenciada recebeu o seguinte elogio ostensivo: “Enfermeira LYGIA FONSECA – educada e trabalhadora. Desempenhou a contento os serviços que lhe foram confiados. Elogio e agradeço”. Simples como coisa de mineiro. Mas a heroína não se incomodou com essa simplicidade justamente por que entendia sabiamente que era impossível transcrever em palavras a magnitude dos feitos realizados nas enfermarias do hospital em Livorno.
Conforme descrito no primeiro paragrafo deste texto, a terceira Lei de Newton diz que toda ação provoca uma reação de igual intensidade e em sentido contrario. Mas no caso especifico de LYGIA FONSECA e as demais enfermeiras, a ira foi combatida com altruísmo, a dor com alento, o sofrimento com conforto, o medo com a esperança e a possibilidade da morte com a alegria da vida.

A LYGIA FONSECA nosso sincero agradecimento.

Fonte de apoio e consulta:
VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.

E-mail: vandsav@hotmail.com


COMPARTILHE ESSE ARTIGO!

Facebook Twitter Email Plusone



VEJA ALGUNS ARTIGOS QUE POSSAM LHE INTERESSAR!

2 comentários

  1. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Que bom Vanderley, um dia teremos a história de todas aqui!

  2. Vanderley /

    Se depender de mim, faremos isso no mais breve espaço de tempo. Obrigado.

Deixar um comentário

Free WordPress Theme