LONGA JORNADA com a FEB na Itália: Legado para o Exército

Foto do acervo pessoal do Vet. Ary Dal Pozzolo (em memória)

No Exército Brasileiro, a FEB é considerada um divisor; sobretudo, no aspecto do relacionamento interpessoal. No início da década de 1940, o Exército seguia a doutrina militar da escola francesa. Entre oficiais e praças havia uma barreira quase intransponível, estabelecida por um rígido regime disciplinar que, além de respeito, impunha aos soldados um sentimento que se aproximava do pavor.

Pacífico Pozzobon exemplifica a situação dizendo que, para ele, seria “mais fácil chegar perto de uma onça, de um tigre, do que de um coronel”. Segundo Alcides Basso e José Pereira, o tratamento dispensado aos soldados não era o mais apropriado para quem estava disposto a defender os ideais brasileiros na guerra.

No Rio de Janeiro, qualquer reclamação era resolvida com punição disciplinar.

Pozzobon relata que, na Itália, o tratamento mudou bastante, tornando-se mais humano. O que antes parecia inconcebível passou a ser regra. “Independentemente de ser branco, preto, rico ou pobre, éramos todos irmãos. Formávamos uma só família, uma irmandade, onde havia igualdade com respeito”. Ressalta, entretanto, que a mudança não foi tão rápida.

De volta da Itália, os veteranos eram vistos com desdém por muitos dos que não haviam ido à guerra. Procuravam minimizar a dimensão dos feitos dos pracinhas. “Nós, que fomos simples soldados, éramos vistos como sobras de guerra, que só queriam contar vantagem. Como se participar de uma guerra fosse um passeio qualquer. Indo ou não para o front, estivemos na Itália; havíamos posto a vida à disposição da Pátria”. “Custou um pouco, mas os ideais da FEB foram absorvidos pelo Exército. Graças a Deus e à FEB, o Exército está mudado; e a mudança começou na guerra!”, conclui Pozzobon.

Basso destaca que, durante a guerra, a conduta com relação ao material também começou a mudar. Segundo ele, no Brasil vigorava a orientação no sentido de que o armamento era o elemento mais importante; o homem vinha em segundo plano. Na guerra, isso mudou: “quando vissem que não conseguiriam manter determinada posição no terreno e não houvesse como levar os equipamentos mais pesados (viaturas, morteiros, metralhadoras, etc.), antes de retrair, esses deveriam ser destruídos, a fim de evitar que caíssem em mãos inimigas. Um lema dos norte-americanos passou a ser adotado pela FEB: para repor uma arma, bastam poucas horas numa linha de produção; para a vida humana, não há reposição!”, conclui.

As relações humanas, como se pode perceber, tiveram grande evolução após a guerra, no âmbito do Exército. A evolução doutrinária e de material também foi evidente, com a introdução da mecanização na Artilharia e na Cavalaria, inicialmente, e também na Infantaria e na Engenharia.

Geraldo Sanfelice viveu essas duas fases. Como soldado do 3º Batalhão do 7º RI, em Santa Cruz do Sul, foi condutor de boleia, numa época em que as metralhadoras e materiais pesados eram conduzidos no lombo de mulas. Antes mesmo de ir para a guerra, presenciou a chegada dos carros de combate blindados do 3º BCC a Santa Maria.

PAZ! O LEGADO MAIOR.

A FEB foi o primeiro contingente do Exército Brasileiro a participar, no exterior, de ações de restauração e manutenção da paz.

Essa participação foi semente de um processo que se convencionou chamar de “Cultura da Paz”. Integrando as Forças da Organização das Nações Unidas, o Brasil participa do esforço mundial, visando a desenvolver mecanismos para evitar a eclosão de conflitos armados entre nações e a prestar ajuda humanitária a povos envolvidos em lutas fratricidas ou atingidos por catástrofes.

No Oriente, entre os anos de 1957 e 1967, o Batalhão Suez participou das ações em prol da paz entre árabes e israelenses. Foi a primeira vez que os nossos soldados usaram a Boina Azul, símbolo do Soldado da Paz.

Após a II Guerra, nossos soldados atuaram em vários países da África, América, Ásia e Europa. Atualmente, no Haiti, o Brasil participa da missão de estabilização e ajuda humanitária.

Independentemente de continente ou país, os Boinas Azuis Brasileiros fixaram o conceito de que o Brasil semeou, cultiva e continuará disseminando a Cultura da Paz entre os povos.

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1 comentário

  1. Sirio S Fröhlich /

    A fotografia que ilustra o texto era do Vet. Ary dal Pozzolo (em memória). Apesar de ele não ter precisado a data, é certo que foi tirada a partir de 1945. Em 3 de outubro de 1944, foi concluída a transferência do 3º BCC do Rio de Janeiro (era localizado onde hoje está o Maracanã) para Santa Maria. Nos primeiros dias de janeiro de 1945, segundo consta no registro histórico da Unidade, o 3º BCC passou a denominar-se 3º Batalhão de Carros de Combate Leves (3º BCCL), inscrição que consta no carro em questão. A foto foi usada na matéria para ilustrar a evolução do Exército, em termos de material, após a guerra.

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