Livro em homenagem ao único Barreirense na FEB

joao paulo pinheiro

O ano de 2015 traz um sabor especial para a humanidade. Estamos comemorando 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, o conflito mais violento da história. O que muitos desconhecem é que essa guerra teve a participação direta do Brasil, o único país da América do Sul a enviar tropas para combater em terreno euroupeu. E menos ainda sabem que um cidadão dos confins da Bahia lutou em sua linha-de-frente.

Todas as Forças Armadas estão programando uma série de celebrações para que o ano não passe em branco, e no 4º Batalhão de Engenharia de Construção (4º BEC), situado em Barreiras-BA e único quartel do Oeste Baiano, não será diferente, tendo em vista que a cidade ainda é prestigiada com a presença de Eurypedes Lacerda Pamplona, o único barreirense HOMEM a lutar na Grande Guerra.

Diga-se homem, pois a cidade também foi o berço de Aracy Sampaio, que além de descendente do patrono da Arma de Infantaria, atuou como enfermeira pela Força Expedicionária Brasileira (FEB). Infelizmente, Aracy faleceu em setembro de 2008, levando consigo toda uma história quase impossível de ser recuperada.

Este dissabor não terá a família de Eurypedes Pamplona. Com noventa e cinco anos de idade, e após ser submetido a uma série de entrevistas desde 2012, o bom velhinho teve a satisfação de rever o seu passado no livro TIRO, GUERRA E MITO: A HISTÓRIA DE UM BARREIRENSE NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. A obra foi uma iniciativa do 1º Tenente Pinheiro, oficial do 4º BEC e historiador com duas especializações, que após pesquisar silenciosamente por mais de dois anos, surpreendeu os seus superiores hierárquicos com o trabalho pronto.

Entretanto, o mais importante é que a biografia contou com imediata aprovação do seu protagonista. ‘’O Tenente Pinheiro foi extremamente detalhista ao me entrevistar. Tudo ocorreu conforme ele escreveu, desde os fatos até o que eu senti em cada momento. Penetrou na minha alma com admirável destreza.’’ Afirma o Sr. Eurypedes Pamplona, que complementa. ‘’Foi como se um filme da minha vida passasse pela minha mente.’’

Apesar de admirar o Exército, e participar de diversas solenidades há décadas, muitas das quais como homenageado, o pracinha recusa qualquer epíteto de herói, e declara não sentir um mínimo de orgulho em ter ido para o front. ‘’A guerra é uma estupidez. Se eu pudesse escolher, não teria ido.’’ Afirma o idoso, que há sete décadas carrega os traumas do combate. Seus medos, defeitos e desgostos não são escondidos na biografia, que ao invés de apenas enaltecê-lo, historiciza o seu processo de mitificação, desmitificando-o.

‘’A Segunda Guerra Mundial foi responsável por 55 milhões de mortos, 35 milhões de feridos, 20 milhões de órfãos, e 190 milhões de refugiados; mas Pamplona está aqui para contar suas experiências. Apesar da sua história ser indubitavelmente um drama, Pamplona regressou vitorioso, vivo, e formou uma família maravilhosa. A liberdade que hoje tanto prezamos se deve a pessoas como ele.’’ Lembra o tenente.

A trajetória do Cabo Pamplona choca pela sua simplicidade, provando que vidas extraordinárias não são prerrogativas de personalidades ilustres: nascido mulato, pobre, e o quinto dos sete filhos do guarda-fios de telégrafo com uma dona de casa, o jovem parou os estudos no primário, trabalhou como alfaiate e barbeiro, e com 18 anos incompletos foi servir no (hoje extinto) Tiro de Guerra 128, sendo pouco depois convocado para a guerra. O ex-cabo nunca teve posses ou poder político, e estava longe de ser o melhor combatente. Hoje, o aposentado simboliza os tantos jovens humildes que durante meses viveram a experiência da guerra em busca de um mundo melhor. É uma história que futuramente pode ser a de qualquer cidadão comum da nossa cidade, especialmente das centenas de soldados incorporados e exonerados anualmente no 4º BEC.

Além do expedicionário ter recebido um exemplar do livro em janeiro deste ano, o 4º BEC presenteou-o com mais seis cópias na formatura do dia 20 de fevereiro, data em que todo o Exército Brasileiro celebrou os 70 anos da Tomada de Monte Castelo, mais importante conquista da FEB no Teatro de Operações da Itália.

A data mais provável para o lançamento oficial do livro é o 08 de maio do presente ano, Dia da Vitória, em que festejar-se-á os 70 anos da rendição alemã em Berlim. No entanto, o projeto do historiador ainda carece de patrocínio. Para a impressão de 500 cópias, será necessário a quantia de 7250 reais.

O empreendedor e pré-candidato a prefeito de Barreiras, Dó Miguel, parabenizou a iniciativa e já garantiu um quinto do valor. ‘’Conheço Eurypedes Pamplona há mais de 50 anos. Inclusive criei-me próximo a sua residência. Uma história tão sensacional e única para a nossa cidade não pode cair no esquecimento.’’

Outras parcerias com empresários e setores públicos também devem ser firmadas. O valor foi baseado pelo orçamento da Gráfica Aliança, que até o momento apresentou o preço mais viável. O livro não será vendido, e o Tenente Pinheiro, que não terá qualquer ganho financeiro, se recusa a cobrar pelo trabalho. ‘’Fiz por amor, não por dinheiro. Acredito que no fim da vida as pessoas devem olhar para trás, buscando a certeza de que não viveram em vão. O meu pagamento é ver esta certeza no sorriso de Pamplona, e seu exemplo de vida divulgado nas escolas e no quartel da cidade.’’Afirma o historiador.

 

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4 comentários

  1. Gostaria do e-mail do autor deste livro. Grato!

  2. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Parabéns Ten Pinheiro por seu entusiasmo ao trazer a trajetória do veterano Eurypedes Lacerda Pamplona.
    Registro que a também barreirense, ARACY ARNAUD SAMPAIO tem sua história sendo “relatada” em algumas publicações ( A Vontade de Potência de Orlando Sampaio Silva,Chiado Editora) e em seguimentos midiáticos. De forma nenhuma seu falecimento “levou” consigo uma das mais contundentes histórias desse país, a de 73 mulheres imbuídas de dedicação e coragem ao ingressar as fileiras da FEB como Enfermeiras, sendo as primeiras Oficiais do Exército Brasileiro . Carlota Mello e Virginia Portocarrero ainda vivas e centenárias estão a testemunhar os cuidados e riscos que desempenharam em tão cruel momento da humanidade, no enfrentamento ao nazi-fascismo.

  3. Que bom que tenhamos vários livros relatando os feitos de integrantes da FEB. Exemplo disso é “FEB 70 ANOS – Os Pracinhas de Jacareí na 2ª GM”, de Ana Maria Blumle e Ana Luiza do Patricínio”, che acaba de chegar às minhas mãos. Em breve teremos mais uma novidade: “Vozes da Guerra” está em fase final de diagramação. Conta com depoimentos de quase 50 pracinhas, além das enfermeiras Virgínia Portocarrero e Carlota Mello, e excertos do diário da ilustre barreirense Aracy Arnoud Sampaio.

  4. Tenente Pinheiro /

    Boa noite, Bruno.
    Desculpe o atraso em respondê-lo.
    Meu email é: joaopinheiro.1990@hotmail.com

    Alguém, por favor, pode passar a ele, pois talvez o mesmo não veja já que estamos em abril.

    Meus sinceros agradecimentos a amiga Socorro Sampaio, e ao Sírio.

    Grato

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