José Renault Coelho: Fraternidade do Fole

Meu avô nasceu em 1884, na cidade histórica de Sabará, MG. O pai dele, engenheiro arquiteto fez parte da Comissão Construtora de Belo Horizonte – a nova capital de Minas Gerais.
A minha bisavó mudou-se para a cidade que estava sendo construída para acompanhar o marido. A viagem foi realizada em liteiras carregadas por escravos. Minha bisavó veio para Belo Horizonte com todos os filhos, inclusive o meu avô, que na época ainda era uma criança de colo.
A família então se estabeleceu na nova cidade onde posteriormente o meu avô estudou engenharia civil, foi Secretário Estadual de Viação e Obras Públicas, Diretor da Escola de Engenharia da UFMG e muitos outros cargos ligados à sua profissão.
Sempre foi um cidadão de elevados princípios morais e patrióticos. Ele presenciou a ascensão e a queda dos regimes totalitários da Europa. Nutria um ódio visceral contra Adolf Hitler e o nazismo. Foi aí que ele descobriu a Fraternidade do Fole – entidade que buscava recursos para a compra de aviões que combateriam os nazistas na Europa. Durante todo o tempo da campanha, ele doou bastante dinheiro para esta finalidade. Galgou vários postos hierárquicos dentro da Fraternidade alcançando o Título da ORDEM DO FOLE, o que correspondia ao número de 10.000 aviões inimigos abatidos. A arrecadação de fundos aqui no Brasil viabilizou a compra de 17 aeronaves. A maior parte foi destinada à RAF, mas a nossa Força Aérea também recebeu um avião.

A campanha foi iniciada em outubro de 1940, na Argentina. Um mês depois, Tom Sloper, começou o movimento aqui no Brasil. Na realidade não foram só aviões Spitfires que a campanha de arrecadação de fundos conseguiu comprar. Foram 17 Spitfires, nove Hawker Typhoons e um Lockheed Hudson, que veio para a Força Aérea Brasileira. Durante o período de contribuição de cada contribuinte “sócio” e na medida em que eram abatidos os aviões do Eixo, a pessoa ia recebendo promoções simbólicas dentro da instituição. Para cada um dos postos da hierarquia existia uma insignia.

Outra coisa interessante é que além de contribuir ativamente para a Fraternidade do Fole, meu avô era um grande admirador do Primeiro ministro inglês, Winston Churchill.
Desde o início do grande conflito mundial, sabedor de que Churchill gostava de fumar charutos, ele passou a enviar mensalmente caixas de charutos baianos para o nobre Primeiro Ministro. É óbvio que um estadista como ele, à frente de atividades de tamanha responsabilidade e risco, não poderia estar fumando charutos de qualquer admirador. Ainda mais estrangeiro!

Em março de 1943, José Renault Coelho recebeu uma carta vinda da Downing Street nº 10 assinada pelo secretário particular de Churchill, em que o grande Líder inglês agradecia a remessa dos charutos!

Olha para você ver, já pensou que um daqueles charutos que aparecem nas mais famosas fotos de Churchill, pode ter sido um charuto brasileiro? E baiano? Mandado pelo meu avô?
Muito bem a história simplificada desse grande cidadão brasileiro, um patriota, que pode representar muito bem todos os felobelistas.

Diploma da Fraternidade do Fole

Colaborador: Marcos Renault


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5 comentários

  1. Foi um desses 17 Spitfires que quase matou Rommel na Normandia em 17/07/1944.

  2. Complimenti ,al mondo,in questo caso un Brasiliano, ci sono ancora persone con degli ideali, e la forza(anche economica)per farli diventare veri

  3. isalete leal /

    Graças a pessoas como o Sr. José Renault Coelho o mundo ficou livre. Parabenizo e agradeço ao Marcos Renault por postar a história de seu avô. O Mundo precisa conhecer Nossa história e seus HERÓIS.

  4. Ivan Mauri Tourino /

    Nasci pouco antes do inicio da Guerra de 1944. Sou mineiro de Ribeirão Vermelho-sul de Minas, uma das menores cidades do Estado porém, grandiosa ao ceder seus filhos em grande escala para o combate na Itália. Tenho 73 anos, vivo para relatar. Pracinhas aqui existentes quase todos são falecidos, restando somente um destes valorosos combatentes, é o meu cunhado, WALTER RODRIGUES PATTO- TERCEIRO SARGENTO PATTO hoje com 94 anos de vida. Orgulho da família. Me emociono quando menciono o contigente da FEB, ao saber que esses homens lutaram e deram a vida por um Mundo melhor. Se tenho minha familia todos formados,são os valorosos soldados que me proporcionaram. Me entristece é o Governo Federal não dar um apoio maçico a esses GUERREIROS, muitos deles na miséria. Em reportagem de anos atrás, vi o Conjunto de Benfica no Rio, os prédios em estado de conservação ruim, feito por Juscelino Kubschecki. Descaso total.

  5. Marcus Carmo /

    Sua fama o precede, caro Renault! Vitor Santos fala muito bem do sr.
    “Dei um Google” pra pesquisar sobre a Campanha do Fole e fiquei surpreso com seu post.
    Parabéns e obrigado por compartilhar a história!
    Abraço!

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