José Custódio Dantas: Soldado da borracha e da FEB

Por Adriel França autor do projeto “Guerreiros do Amazonas

Em busca de uma vida melhor, José Custódio Dantas, saiu de sua terra natal, São Paulo de Olivença, no interior do Amazonas, para Manaus, no final da década de 30,onde acabou por integrar a FEB (Força Expedicionária Brasileira) em 1943 e indo atuar na Itália na Segunda Guerra Mundial, no ano seguinte.

Filho do agricultor Manoel Custódio Dantas e de dona Balbina Lucas Dantas, José Custódio nasceu em 29 de janeiro de 1920, trabalhou junto ao pai na lavoura, e foi seringueiro na região de São Paulo de Olivença. Deixando para trás a labuta como seringueiro, José Custódia embarcou rumo a Manaus, onde em 1938, com 18 anos, alistou-se no 27° BC (Batalhão de Caçadores), que ficava localizado na atual sede do Colégio Militar de Manaus.

jose custodio dantasFoto: José Custódio Dantas em foto de estúdio, com o seu uniforme militar

Em algum momento, foi transferido para o 34° BC localizado em Belém. Foi de lá, integrando o agrupamento do Pará que ele seguiu rumo ao Rio de Janeiro, a caminho da guerra, certamente com os soldados  que partiram do Amazonas.

O embarque de José Custódio com os demais companheiros para o Rio de Janeiro, ocorreu provavelmente entre fins de 1943 e meados de 1944. No Rio, o rapaz recebeu treinamento e passou pela demorada e severa seletiva médica, onde foi considerado apto para ir ao teatro de operações, na Itália.

Em 2 de julho de 1944 partiu do Rio de Janeiro, o 1° escalão da FEB, composto por 5.075 homens a bordo do navio americano “General Mann”, sob o comando do general Zenóbio da Costa. O navio chegou a Nápoles no dia 16 daquele mês. Ao pisar na Itália, José Custódio passou a integrar o 6° Regimento de Infantaria, o Regimento Ipiranga, um regimento paulista que integrou o corpo de infantaria da FEB. Acometido por uma tuberculose, Custódio ficou retido no acampamento de Staffoli, onde permaneceu por um tempo, até  que estivesse novamente apto para entrar em combate. De volta à guerra, foi atirador de bazuca.

Com o fim da guerra, retornou ao Brasil em 18 de julho de 1945. A Manaus, José chegou em novembro, com os demais expedicionários amazonenses. Permaneceu no exército até 1964, quando entrou para a reserva. Casou-se pela primeira vez em 1 de março de 1953 com Luzia Siqueira com quem teve sete filhos, enviuvou de sua primeira esposa em 1985, casando-se novamente com Cleide Lever Dantas com quem teve uma filha, Balbina Lever Dantas. Após ter ido para a reserva do exército, José Custódio foi trabalhar como auxiliar de serviços da Universidade Federal do Amazonas, onde trabalhou por 14 anos, de 1972 a 1986.

Era membro da Associação dos Ex-combatentes do Brasil seção Amazonas. A associação foi criada ainda na década de 1960, e presidida por Hilário Ferreira Pimentel, marcando por muitos anos a presença dos ex-combatentes em cerimônias militares e nos desfiles cívicos da cidade de Manaus. Hilário chegou a ser padrinho do segundo casamento de José Custódio, que veio a faleceu em 8 de novembro de 2016, aos 96 anos, sendo enterrado com honras militares. Atualmente sua filha mais nova, Balbina Dantas, preserva o pequeno acervo de seu pai, composto por fotos, medalhas, livros e diplomas.

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