Ilza Meira Alkimin – 2º Tenente Enfermeira

Existe uma máxima que diz que muitas vezes, em situações extremas, o ser humano se omite e se conforma com o impensável, acreditando que era o possível a ser feito no momento. Mas quando ele opta pelo que é correto e nobre, não há outra definição: é heroísmo.
Quando a possibilidade do Brasil participar da Segunda Grande Guerra Mundial passou de uma simples cogitação para a certeza, o país, personificado em homens e mulheres mostrava explicitamente que não se omitiria e se conformaria com o impensável. Entre o seleto grupo de mais de 25 mil expedicionários, estava a filha de João Freire Alkimin e Maria José Meira Alkimin. Uma brava mulher que acreditava que poderia sim fazer algo no momento que não se restringisse apenas em ler as matérias jornalísticas vindas do front europeu.
Ilza Meira Alkimin seguiu a lógica particular para si, incoerente para muitos, de que naquele momento, algo precisava ser feito. E o que ela fez escreveu com todas as letras o seu nome nas paginas da história das guerras. Entretanto, para que o desejo se tornasse real, um longo caminho teria que ser percorrido.
Algumas pessoas dizem que o destino está traçado desde o nascimento. Desta forma, o de Ilza iniciou precisamente a 8 de Dezembro de 1918, na cidade mineira de Diamantina. A determinada jovem estudou no Curso de Enfermagem Voluntária Socorrista da Cruz Vermelha Brasileira e no Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), ministrado pela 4ª Região Militar. Pronta? Ainda não. Faltava a oficialização burocrática.
No dia 9 de agosto de 1944, com 26 anos, Ilza, foi então oficialmente convocada para integrar o Serviço de Saúde da Força Expedicionária Brasileira. Como enfermeira 3ª Classe, partiu com o 14º Grupo, no dia 19 de outubro do mesmo ano.
Agora sim. O desejo se tornara realidade nua e crua. Os desafios muito em breve seriam expostos da pior maneira através da morte, dor, sofrimento, lamentações, fome, frio e o risco real e psicológico de ser atingida a qualquer momento por um bombardeio inimigo.
Nas paginas do Álbum Biográfico das Febianas, publicado pela enfermeira Expedicionária Altamira Pereira Valadares, consta que Ilza prestou seus relevantes serviços no 7th Station Hospital, em Livorno. Um dos mais movimentados da Itália. Ali nunca faltou por parte da heroína a dedicação, o empenho, o comprometimento, a responsabilidade, a abnegação e a disposição para salvar vidas e restabelecer a saúde de bravos soldados.
Os feitos da Febiana foram devidamente reconhecidos e materializados nas medalhas de Guerra e Campanha, ambas concedidas pelo Exército Brasileiro e, também, por meio do Distintivo Meritorium Service, distinção ourtogada pelo Exército Americano.
Quando regressou ao Brasil, em 10 de junho de 1945, a veterana tinha a certeza de que a missão havia sido muito bem cumprida. A portaria nº 8.411 oficializou sua dispensa, entretanto, a máxima que diz que muitas vezes, em situações extremas, o ser humano se omite e se conforma com o impensável, acreditando que era o possível a ser feito no momento, foi contrariada. Desta vez por uma nobre mulher chamada Ilza Meira Alkimin.

Fonte de apoio e consulta:
VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Batatais – SP: Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.

Colaborador:  Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação, Oficial R2 (Infantaria) do Exército Brasileiro, Tecnólogo em Administração de Empresas, Escritor, Pós-graduado em Planejamento Estratégico e possui o Curso de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Atualmente desempenha a função de Gerente em uma Multinacional, Voluntário da Defesa Civil de Campo Grande – MS e Sócio Especial da ANVFEB/MS.

Possui as seguintes honrarias: Medalhas: de Serviço Amazônico; Mérito da Força Expedicionária Brasileira; Marechal Machado Lopes; Medalha Cruz da Paz; Marechal Cordeiro de Farias; Mérito da Força Expedicionária Brasileira da Câmara dos Vereadores de Campo Grande – MS Mérito Legislativo de Campo Grande e Mérito Rondon – Academia de Estudo de Assuntos Históricos – MS.

E-mail: vandsav@hotmail.com


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3 comentários

  1. Muito bom!

  2. Vanderley /

    Obrigado Durval. Ela merece cada palavra.

  3. Maria do Socorro Sampaio M. de Barros /

    Mas uma de nossas heroínas sendo prestigiada e reconhecida por seus relevantes serviços à pátria amada BRASIL.

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